Dizem os jornais que Cavaco Silva ficou estupefacto com a não inclusão do Professor Lobo Antunes no Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida. Sinceramente, duvido. Não estou a ver o PR estupefacto. Não encaixa no seu perfil. Quando muito terá ficado irritado. Com razão, porque LA é uma figura de mérito inquestionável.
Há muito percebi como Sócrates é hábil a afastar pessoas incómodas. Faz parte do seu carácter só apreciar pessoas que lhe prestem vassalagem. Por isso não me espanto.
Espanto-me, todavia, com a forma como a questão tem sido analisada a nível da imprensa e de grande parte da blogosfera.
A ser verdade que o governo se comprometeu com o PR a nomear LA, não terá o PR exorbitado um pouco as suas funções, ao interceder pelo Conselheiro de Estado?
Ainda não li um comunicado da PR confirmando a estupefacção. Apenas notícias citando fontes não identificadas e eu sei bem o que isso pode significar.
Não sendo as nomeações da exclusiva responsabilidade do governo, por que razão não foi LA indicado pelo PSD, ou por alguma das instituições não tuteladas pelo governo? Confiaram na palavra do governo? Mas não foi MFL que disse não acreditar numa única promessa de Sócrates? Importam-se de me dizer quem se comprometeu?
Quando se quer fazer barulho, é fácil. Quando se opta por ser objectivo e dar aos leitores notícias em vez de ruído, é que se torna mais difícil.
Em minha opinião, alguma imprensa perdeu uma boa oportunidade para demonstrar que se pauta por princípios éticos. Foi pena.

Tem toda a razão.
Com uma nuance: é que Sócrates e sus muchachos são grandes co-responsáveis pelo estado degradado a que chegou a imprensa em Portugal (os outros co-responsáveis são, naturalmente, os jornalistas, a maioria dos quais não sabe estabelecer uma fronteira clara entre jornalismo e propaganda).
Pois os mesmos jornalistas, digamos assim, que lambiam as botas a Sócrates até à eleições europeias, agora emigram para outras paragens, vendo que o navio está a adornar.
A única diferença está nas botas – mais concrectamente na identidade dos cavalheiros que calçam as botas a lamber.
O resto é igual.
Excelente análise.
O que mais salta à vista nesse assunto é que Maria de Belém disse uma coisa primeiro e depois veio dizer o contrário.
Tal como aconteceu com Paulo Campos no assunto Joana Amaral Dias.
Pelos vistos a coisa – relação dificil com a verdade – pega-se.
E esse é que é o ponto verdadeiramente interessante neste assunto.
Boa.
Ora Bem.