Aprecio Francisco José Viegas. Não apenas os três livros dele que li ou os textos de blogue; também a postura, firme mas serena, de quem ainda sabe degustar as coisas que lhe agradam (imensa gente parece hoje mergulhada num frenesim de prazeres efémeros). Abomino nele a defesa de primeira hora do Acordo Ortográfico. O mesmo Acordo (o exacto Acordo) que o leva a tão depressa clamar contra o «apedrejamento» da Língua Portuguesa como – num texto em tudo o resto sublime – escrever «inteletual».
Emudecendo consoantes
escafandro,

Também eu aprecio muito o que leio do que é escrito por Francisco José Viegas.
Mas estou de acordo com a sua crítica e, ao “inteletual” acrescento “correto” e “correção”, que aparecem no mesmo texto.
João da Silva Cascão
Mas “correto” e “correção” ainda cumprem o Acordo. Como Rosário refere mais abaixo, nem com ele “intelectual” passa a “inteletual”. Ou melhor, há-de ir passando – como os “contactos” que são cada vez mais “contatos” (em Portugal o ‘c’ não é mudo) e outras aberrações que irão surgindo.
Algures disse que era ele mais ventre. O «inteletual» aí está a prová-lo.
Cumpts.
Ser “ventre” pode não ser mau. No tal sentido, que refiro no texto, de saber apreciar as coisas. Ser “inteletual” é que me parece péssimo.
Escrever “intelectual” sem “c” é erro, com acordo ortográfico ou sem ele. Esse “c” não é mudo e não se retira em “acordês”. Só pode ter sido gralha.
Sim, pode ter sido gralha. Mas parece-me uma gralha demasiado conforme a uma certa ideia do Acordo – como os “contatos” (grafia brasileira; em Portugal lê-se o “c”) que começam a vulgarizar-se. O problema de abrir a Caixa de Pandora é que não é fácil deixar sair apenas o que se pretendia inicialmente.
E nunca mais li o Dr. António Sousa Homem – muito que o ache um refrigério de bom senso e soberana elegância – sem pensar nessa abominação.
Costa
É. Ficou muito mais difícil.