A propósito disto, lembrei-me desta citação, para mostrar que neste país há coisas que nunca mudam:
“Carlos e Ega foram os derradeiros a sair, depois de um brandy and soda, de que a condessa partilhou, como inglesa forte. E em baixo, no pátio, acabando de abotoar o paletó, Carlos pôde enfim soltar a pergunta que lhe faiscara nos lábios toda a noite:
– Ó Ega, quem é aquele homem, aquele Sousa Neto, que quis saber se em Inglaterra havia também literatura?
Ega olhou-o com espanto:
– Pois não adivinhaste? Não deduziste logo? Não viste imediatamente quem neste país é capaz de fazer essa pergunta?
– Não sei… Há tanta gente capaz…
E o Ega radiante:
– Oficial superior duma grande repartição do Estado!
– De qual?
– Ora de qual! De qual há-de ser?… Da Instrução pública!“
EÇA DE QUEIROZ, Os Maias, 1888.

Excelente.
Caro Luís,
Há livros e escritores intemporais.
O Eça, do qual sou predilecto, continua, rmente no seu livro “Os Mais”, de uma actualidade perene.
Parabéns pela citação.
Não é do melhor humor de Eça.
Muito óbvio.
Mas também muito verdadeiro.
O atual ministro, por exemplo, comunica muito mal.
E não é uma questão de literatura.
É de gramática!
Brilhante e actualíssimo o texto citado; brilhante e oportuníssima a citação.
Costa (Rui)
Eça de Queiroz, valha a verdade, não andava exactamente a par da melhor literatura do seu tempo. Conseguiu fazer uma viagem aos EUA sem se aperceber de que havia grande literatura por lá; para ele só valia a pena ler Edgar Allen Poe, que obviamente só o leu porque os franceses o apadrinharam.