O governo e a sua maioria têm sido acusados de dar com uma mão e tirar com a outra, mas o que importa nessa ginástica não é quanto ganham as pessoas, mas que ganhem por vontade do poder político: o rendimento de cada cidadão não deve depender do seu esforço, mas da sua relação com o governo. O PS, PCP e BE nada têm contra quem ganha muito, desde que ganhe muito no Estado ou através do Estado. Banqueiros e empresários disponíveis para “parcerias” nunca terão dificuldades.
Bingo
escafandro,

O rendimento dos cidadãos depende essencialmente de quem é a sua família e de em que círculos se move.
Isso pesa muito mais que a sua relação com o Estado ou o seu trabalho.
Claro que ter o Estado a interferir neste estado de coisas, redistribuindo riqueza, desagrada a muita gente.
O Rui Ramos deveria saber que, em qualquer país desenvolvido, mesmo nos mais capitalistas, o Estado é sempre o principal ator económico. O Rui Ramos pode achar isso revoltante, mas este é um facto incontestável.
Só em países muito atrasados, tipo Somália ou Bangladeche, é que o Estado tem pouca importância económica e os cidadãos auferem em grande parte em função do seu esforço.
Penso que continuamos a incorrer num pequeno erro de perspetiva.
O estado tem sempre um maior ou menor peso económico, é certo.
Mas a sua função essencial não é essa.
Será sempre a de regulador e redistribuidor através da política fiscal.
Por isso acho ofendida a minha inteligência, quando Passos e Companhia insistem em dizer que o Orçamento em vias de aprovação não acaba com a austeridade, apenas a redistribui.
Claro! O País não muda por mudar o Governo. O que muda a distribuição da carga fiscal.
Passos sobrecarregava a classe média.
Costa tenta aliviar essa sobrecarga.
Será a mesma coisa?!
Não brinquem comigo!
Rui Ramos, entre outros pormenores, esqueceu referir que a maior fábrica de criar dependentes foi o PSD-CDS. Mas, ao invés do que preconiza o actual governo, fez com que esses ficassem dependentes da esmola, da família e das ditas instituições de solidariedade a quem financiava. Isto é, o volume de dependentes tinha uma lógica de liberalismo de estado: os pobres só podem ficar dependentes das parcerias contratadas pelo estado, para onde deve ser canalizado o grosso da subsidiação, ou, então, desenrasquem-se. E foi tão longe neste liberalismo que não se coibiu de transferir tal dependência denominando-a de “economia social”. Claro, parece-me que Rui Ramos pretende que a base de apoio do PSD-CDS permaneça na mão de dependentes dos subsídios, só que talvez deva designar-se estes por dependentes empreendedores. Isto é, o mercado garante-se com os dependentes, que dependem do estado para viver e partilhar, dependendo de dependentes.
Esta lógica complicada do neoliberalismo, que desconhece o que é a novidade, é provável que cause muita confusão.
Por outro lado, Rui Ramos vem dizer-nos que para o PSD-CDS o problema não residia nos PEC´s do governo socrático, mas no facto de não serem estes a aplicá-los.
Também nos diz que o PS em França tenta adaptar a sociedade à globalização, mas estou em crer que a única globalização que não reparou foi a do conflito.
Por outro lado, na China hoje mesmo discute-se o problema do crescimento global, melhor, como fazer as sociedades crescerem. Significa isto que para as sociedades poderem crescer será necessário fechar algumas portas da globalização; e o Rui Ramos, parece-me, à semelhança do PSD-CDS, pretende-as escaqueiradas.
A única globalização que eu verdadeiramente conheci foi a do tráfego de capitais, as financeiras, e estas provaram ter arruinado com as economias.
A questão da propriedade privada hoje só pode ser discutida em função da responsabilidade social que ela acarreta, e é necessário compreender que em matéria de propriedade o Estado deve manter os mesmos direitos (vamos lá ser liberais!). E a desregulação da economia, ficou provado, serviu para criar os tais dependentes que acima referi: os dependentes ditos empreendedores e os que já nada podem fazer senão serem objecto de tal empreendedorismo. Isto é, estes últimos contam como activos mas devem manter-se passivos.
Por outro lado, e não menos importante, o discurso eleitoralista do PSD passa agora pela afirmação de uma social-democracia, mas esquece que esta não pode ser construída por quem a destruiu e deixou destruir.
Na óptica de Rui Ramos o radicalismo implementado em Portugal por PSD-CDS só se pode comparar à coligação que o Syriza fez na Grécia, mas isto não pode ser admitido porque seria aceitar que a destruição que aos outros (gregos) atribui é exactamente aquela que Portugal experimenta.
Eu sei que a eles parece-lhes existir um argumento forte, que é o facto de toda esta destruição ter sido aceite e aplaudida por Bruxelas, onde existia um team composto por 18 contra 1 (a Grécia), e que só tornou Portugal diferente por não ter contestado como a Grécia fez, mas padece das mesmas doenças.
Por fim, o “crescimento” que se atribui a Portugal na esfera das exportações não compensou e não compensará as perdas na economia interna, que só registam menos asfixia em função do ainda baixo preço do petróleo.
Significa isto que o OE 2016 não pode ser outro.
Para mim não existem riscos, porquanto todos os riscos sobre a quebra na economia mundial que hoje se observa anunciei-os há muito tempo.
Regressou a divindade, meu caro JAA.