Sim, Senhor Ministro (4)


Pedro Correia,

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Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker – Quando é que trato desta correspondência toda?

Bernard Woolley, secretário particular do ministro – Não é obrigado a isso.

Ministro – Não sou?

Bernard – Se não quiser, não. Podemos elaborar uma resposta oficial.

Ministro – E essa resposta diz o quê?

Bernard – Diz: “O ministro pediu-nos para agradecer a sua carta.” E acrescentamos: “O assunto está a ser considerado.” Ou, em alternativa, especificamos que “o assunto está a ser seriamente considerado.”

Ministro – Qual é a diferença?

Bernard – “A ser considerado” significa que perdemos o dossiê. “A ser seriamente considerado” significa que andamos à procura dele… Basta passar as cartas do cesto de Entrada para o de Saída, acrescentando uma nota se quiser ver a resposta. Se não quiser, não voltará a ser maçado com este assunto.

Ministro – Quer dizer que se eu as transferir daqui para ali, mesmo sem ler, não preciso de fazer mais nada?

Bernard – Sim.

Ministro – E tratam disso?

Bernard – Precisamente.

Ministro – Tratam de tudo como deve ser?

Bernard – Imaculadamente.

Ministro – Então para que serve aqui um ministro?

Bernard – [Muito hesitante] … Para tomar decisões políticas. Decide e nós executamos.

Ministro – E quando é que essas decisões são necessárias?

Bernard – De vez em quando…

Ministro – [Indignado] Este Governo veio para governar! Não veio só para fazer de conta que governa, como o Governo anterior. Quando um país vai por aí abaixo chega um momento em que é preciso alguém tomar conta do volante e carregar no acelerador.

Bernard – Julgo que quer referir-se ao travão, senhor ministro.

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