Parecendo que não, pouparíamos muito tempo e consumições se aceitássemos duas consequências inquestionáveis de factos meteorológicos: a) a estrada da Torre encerra sempre que neva na Serra da Estrela pelo que não vale a pena ir ver a neve quando neva; b) em Fevereiro, não vale a pena organizar Carnaval à “moda” do Rio de Janeiro a norte de Santarém.
Nota mental
Rui Rocha,

Em relação à alínea b):
Não vale a pena? Claro que vale! Com aqueles ajustes directos (ver Blasfémias), para o ano, até a Câmara de Santa Comba dos Esquimós vai ter carnaval! Desde que os cheques não se molhem, o sambinha vai dar para o ano inteiro.
Mas, se calhar, não estamos a falar dos mesmos foliões…
Ora até que enfim, duas observações muito judiciosas!
Sempre achei absolutamente ridículo o Carnaval à brasileira em Portugal, seja a norte ou a sul de Santarém. No Brasil é Verão nesta altura e as pessoas desfilam com 40º de temperatura. Em Portugal Fevereiro é o mês mais frio do ano e habitualmente gela-se. Pôr raparigas a desfilar em biquini a tiritar de frio é das coisas mais patéticas de que este país alguma vez se lembrou. Façamos o nosso próprio Carnaval e não o dos outros.
É um fascínio, uma submissão, acéfalo e imparável. No vocabulário, já muito foi por cá absorvido; não são só “americanices” aquilo que entre nós tão facilmente vinga. Na ortografia é o que se sabe, sendo que, parece, afinal nem os brasileiros querem o que tão pressurosamente aceitámos e elaboradamente teorizámos, em nome de uma unidade inútil e impossível, desfigurando a nossa língua (parece que querem, alguns pelo menos, uma ainda mais radical vitória da estupidez).
E a verdade é que a culpa não é deles, Brasil e brasileiros. Se deste lado tudo é aceite e ansiado, em nome de um “português com açúcar”, onde achamos que tudo muito natural e legitimamente cabe. E do calor tropical…
Costa