Expulsões


Luís Naves,

Na crise migratória europeia não há apenas refugiados. Alguns comentadores resistiram ao uso da palavra ‘migrantes’, dizendo que tinha carga ideológica. São refugiados, dizia-se, por isso deve ser usada apenas essa palavra. Ontem, a Suécia decidiu expulsar 60 mil a 80 mil migrantes, tendo rejeitado quase metade dos pedidos de asilo recebidos em 2015, e algumas notícias mostram que entre nós o fenómeno não é compreendido, escrevendo-se por exemplo que estão a ser expulsos refugiados, algo que seria crime. A Suécia não deixou de cumprir as leis internacionais e expulsa pessoas que não têm direito a asilo, com origem em países que não estão em guerra.

A opinião pública portuguesa foi submetida a uma versão da crise migratória que torna difícil assimilar alguns dos problemas criados. A proporção de refugiados é metade do total de pessoas que entraram nas fronteiras europeias e a expatriação dos migrantes que não têm direito a asilo terá custos adicionais. A crise migratória coloca questões de segurança e ameaça alterar a própria identidade europeia, tendo criado graves divisões, com um grupo de países de leste a recusar a ideia de uma política comum de imigração e asilo. Neste momento, está em perigo o próprio espaço de livre circulação de Schengen, que permite uma das liberdades essenciais na União Europeia, mas a animosidade entre governos pode já ter ultrapassado o ponto de não retorno. O número elevado de migrantes e refugiados provocou reacções de descontentamento em países como Alemanha, Dinamarca ou Suécia, o que beneficia partidos populistas que exigem limites. Entretanto, apesar do Inverno, os números continuam a crescer.

Em 2015, a Europa recebeu mais de 1 milhão de pessoas, que têm de ser alojadas, alimentadas e integradas na sociedade. Este é o problema político mais grave que a Europa enfrentou nos últimos dez anos, mas em Portugal pairam as teses politicamente correctas, sobretudo a ideia simplista de que a Europa está a falhar por falta de generosidade, quando ocorre o caso inverso, ela parece incapaz de enfrentar esta quantidade de refugiados, para mais havendo a perspectiva de multidões que se podem pôr em movimento (2 a 3 milhões de refugiados sírios na Turquia) e a dificuldade em integrar altas percentagens de gente com uma cultura distinta. É evidente que a Suécia não pode receber em cada ano 150 mil pessoas (1,5% da sua população) e a rejeição dos migrantes económicos era uma mera questão de tempo.

0 comentários em “Expulsões”

  1. “mas em Portugal pairam as teses politicamente correctas”

    É normal, a maior parte dos nossos Jornais e TV’s têm jornalistas Marxistas.
    E o politicamente correcto é uma das tácticas.
    As capas elogiosas a Tsipras, hoje proscrito das notícias demonstram bem a parcialidade e auto-censura da área.
    No jornalismo, promove-se alguém quando concorda connosco e apaga-se quando não. Estende-se à qualidade de tudo. A área do jornalismo é uma das mais responsáveis pelo estado miserável em que comparativamente está Portugal.

    Qual foi o jornal português que falou do Taharrush?
    Os jornalistas deixaram de se preocupar com as mulheres?
    Não. Nunca se preocuparam com elas, são só usadas quando conveniente. Pois são políticos de esquerda antes de serem jornalistas.

  2. É evidente que a Suécia não pode receber em cada ano 150 mil pessoas (1,5% da sua população)

    Tendo em conta a muito baixa densidade populacional (menos de 25 habitantes por quilómetro quadrado) da Suécia, isso não me parece totalmente evidente.

    1. Tem que ver com a qualidade das pessoas.

      Boa parte dos imigrantes são pessoas que contribuiram para o desastre que é a sua cultura e civilização.
      São violentamente sexistas vêem as mulheres como p*tas, anti-semitas, anti ocidentais.

  3. Em 2015, a Europa recebeu mais de 1 milhão de pessoas

    Isso deve equivaler mais ou menos ao défice demográfico europeu, ou seja, ao número de bebés que falta nascer para que a população europeia se mantenha estável. As contas são fáceis de fazer: com 500 milhões de pessoas que vivem em média até aos 80 anos de idade, são necessários 500/80 = 6 milhões de bebés a nascer anualmente. Mas a população europeia apenas consegue produzir cerca de 75% dos bebés de que necessita, ou seja, faltam 25% de bebés, que é precisamente 1,5 milhões deles. De onde, o milhão de migrantes que a Europa recebeu em 2015 nem sequer deve chegar para repôr a população!

  4. 1 milhão de pessoas, que têm de ser alojadas, alimentadas e integradas na sociedade

    Todos os anos nascem na Europa 4,5 milhões de bebés que têm que ser alojados, alimentados e educados. E que não são suficientes para repôr a população. E que demoram 20 anos ou mais até se tornarem produtivos. Portanto, receber mais um milhão de pessoas por ano até parece ser um bom negócio: estabiliza-se a população e poupa-se imenso em custos de educação, pois é muito mais fácil e rápido educar um migrante já adulto do que educar uma criança desde nascença.

  5. Olhando para o que foi proposto, logo no inicio da avalanche : criar nos países de origem gabinetes de emigração legal da UE, vejo que tinah poupado muito sofrimento, quebrado os denates aos traficantes e vemos agora muita despesa . inutil e improdutiva. Basta ver o que se está disposto a gastar, com policia, bombeiros, equipas diversas…com os refugiados de Calais, e se recusa gastar seja o que for em os ajudar; anglosaxonisses, que ajudaram a guerra, até deitarem as mãos ao petroleo e dpois fecharam a torneira da “ajuda”.

  6. Vamos fazer um ponto da situação.

    “A proporção de refugiados é metade do total de pessoas que entraram nas fronteiras europeias “

    “Em 2015, a Europa recebeu mais de 1 milhão de pessoas, que têm de ser alojadas, alimentadas e integradas na sociedade.”

    Para resolver essa crise a Europa propõe-se receber através de um programa proposto pela Alemanha cerca 800 000 pessoas, das quais efetivamente recebeu umas 4000 até agora, não sem grandes protestos e rasgar de vestes.

    Porque é que não dizem aos refugiados para se deitarem ao mar em vez de estarem com hipocrisias?

    Claro que a solução não é fácil nem pode ser neutra para todos os envolvidos, mas a solução europeia para um problema é discuti-lo até à exaustão e seguidamente não fazer nada.

    1. Foi a cultura dos refugiados que tornou os seus países inhabitáveis.
      Logo só têm de emigar para países com a sua cultura.

      Certamente haverá milhares nos que vêm que serão boas pessoas mas é impossível escolher.

      Concordo claro com a sua ultima frase.

  7. a dificuldade em integrar altas percentagens de gente com uma cultura distinta

    Será mais correto falar de falta de vontade do que de dificuldade.

    Os Estados Unidos recebem todos os anos milhões de americanos latinos, de chineses, de indianos, e não se queixam de qualquer dificuldade em integrá-los.

    O Brasil tem o maior número no mundo de pessoas de etnia japonesa a seguir ao Japão. E da mesma forma tem o maior número de libaneses a seguir ao Líbano, de ucranianos a seguir à Ucrânia, de italianos a seguir à Itália, e o segundo maior número de alemães a seguir à Alemanha. E ninguém no Brasil se queixa de ser difícil integrar essa gente toda de tão díspares origens.

    É claro que, se no país de acolhimento, as pessoas são sempre apontadas a dedo como “trabalhadores convidados” ou como “pés negros”, não admira que jamais venham a ser integradas. Não é por dificuldade, é por má vontade.

      1. Precisamente mas com o Luís Lavoura é uma realidade paralela. A imigração latina para os EUA tem aumentado o crime – e não só o Crime nos EUA também o tem no México.

    1. Diz-me lá ó Lavourinha: e o Brasil, com essa abertura toda, está bem? Não tens desgosto de ser sempre do contra?

  8. No ano passado, pelo início da chamada crise dos refugiados alertei que em breve se enterraria a compaixão!!
    A coisa está em crescendo. Em breve veremos estados a denunciar a convenção de 51, pois que histericamente há um uníssono que insiste na sua aplicação sem a haver lido. Eis o esplendor da infantilidade.

  9. A despropósito : ainda alguém se recorda de Anders Breivik e dos rios de tinta pulhìticamente correctíssimos que se escreveram sobre o homem e “as suas circunstâncias” ( como o assunto toca a todos, e de que maneira!, um cheirinho ibérico vem mesmo a matar) ?…
    Na verdade, a publicidadezinha (ideológica) redigida que, cá na paróquia, passa por notícias . nunca permitirá ao indígena do monturo à beira mar plantado entender o que se passa além – Caia…

  10. Caro Luis Naves.
    Luis Lavoura tem direito a passar por alto o facto de a realidade -dezenas de anos de migrações islâmicas- ter demonstrado a dificuldade, senão a incapacidade de aculturação de estes imigrantes em Países europeus de tradição cristã. Mas pior, os resultados adversos que têm surgido com a 2ª geração, ao mais pequeno dissabor.

    Mas escrever sobre as expulsões na Suecia sem falar do “menino” imigrante de 15 anos que esfaqueou e matou, na Suecia, com extrema violência, a jovem de 22 anos, filha de imigrantes libaneses, que tomava conta dos “meninos” …

  11. É tudo muito lindo quando é noutro país.
    Quando tocar ao nosso, a generosidade e compreensão reduz-se num ápice.

    E na democracia vota-se…

    As fronteiras não nasceram por acaso.
    Nem as portas das nossas casas.

  12. A questão também é económica, Luís, ou essencialmente económica. Repare que a Itália está com um grave problema bancário. Um pouco mais de 200 MIL Milhões de Euros é o valor do crédito malparado apurado no colo da banca italiana. Crédito de retorno duvidoso, ou de baixa qualidade, o montante situa-se acima dos 160 MIL MILHÔES. Se deitarmos mais uns pozinhos chegaremos aos 400 MIL MILHÔES, valor do resgate a que deve ser submetida a banca italiana.
    Perguntaremos: Qual a razão para que esta situação seja tão pouco divulgada na UE? Qual o motivo por só agora se começar a revelar tal situação? O que levou o BCE a só recentemente ter pedido valores seguros sobre tal situação?
    Porque convinha encobrir perante a situação que a Grécia, Irlanda, Espanha e também Portugal viviam.

    Perante isto, convém perguntar: qual a solidez da banca Francesa e Alemã no contexto europeu e mundial?
    A quem se deve acudir primeiro? Quantos pobres europeus não podem ser migrantes por causa da situação económica que se vive?
    Se milhões de cidadãos europeus têm de ser preteridos, que condições políticas e materiais objectivas existem para que outros sejam acolhidos?

    Concluindo, os cidadãos europeus, os preteridos, e aqueles outros migrantes são as vitimas de uma política que se joga no contexto das grandes potências; e que a Europa, com mais incidência sobre o UK e a França no aspecto militar, não é inocente.

    Pretende-se resolver uma questão global com nenhuns recursos locais. Finge-se que se mata uma mosca com uma bala de canhão e, afinal, não existem nem munições nem canhões para a abater.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *