A falta de desteridade que há muito pulverizou as minhas esperanças de conseguir uma carreira brilhante (embora discreta) no carteirismo, bem como as dimensões minúsculas das teclas do telecomando (seguirá queixa para a Anacom), levaram a me encontrasse, impreparado como um recém-nascido (excepto pela nudez, que o Inverno chegou finalmente), a assistir ao debate de ontem entre Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa. Foi muito estranho. Não obstante sentir imediatamente uma forte vontade de mudar de canal, permaneci incapaz de o fazer, o corpo paralisado, os olhos esbugalhados e a boca semiaberta num arremedo de sorriso. Mais tarde, o cérebro já liberto por acção da publicidade (quem diria…), percebi que era afinal lógico: não passara do conhecido efeito dos reality shows. E, nessa perspectiva, a minha crítica tem de ir para Clara de Sousa. Apenas ela destoou, ficando longe de fazer esquecer Teresa Guilherme.
“A Quinta”, edição candidatos à presidência
escafandro,

Será que estes presidenciáveis ainda não perceberam que o que dizem, fazem e representam não só já não faz sentido como até é o cúmulo do ridículo, ou será que a sua aposta é a exploração obscena dos fantasmas com que continuam a paralisar o eleitorado?!
Marcelo Rebelo de Sousa esteve mal, mal, mal. Está a perder o norte e por incrível que pareça esqueceu tudo o que tem dito ao longo dos tempos, mostrando uma enorme falta de preparação para os debates. O que interessa a Marcelo é ser presidente e como ele próprio afirma, já está ganha a batalha, para quê preparar-se…