Presidenciais (13)


Pedro Correia,

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Debate Henrique Neto-Marcelo Rebelo de Sousa

 

Estes debates decidem-se muitas vezes em função das expectativas. Sendo assim, Henrique Neto pode dar-se por satisfeito pela sua prestação no frente-a-frente de ontem na SIC Notícias que marcou a estreia de Marcelo Rebelo de Sousa nesta série de confrontos a dois nos canais informativos.

Marcelo chegou ao estúdio com um sorriso rasgado e terminou o debate quase irritado com as sucessivas farpas que o empresário da Marinha Grande lhe dirigiu. Neto, em constante piscar de olho ao eleitorado de esquerda, deu até a entender que corre a Belém para evitar a eleição do antigo líder do PSD. Jogando ao ataque, acusou-o de trair os amigos, “fabricar factos políticos” e escrever cartas elogiosas a Marcello Caetano antes do 25 de Abril. “Eu vivi a oposição ao antigo regime. Quando estava a apanhar pancada na avenida principal de Aveiro, o senhor professor escrevia uma carta ao então presidente do Conselho a aconselhá-lo a ser mais duro e a dar mais pancada, provavelmente.”

Condicionou Marcelo, que recordou ter viabilizado três orçamentos de António Guterres quando Neto era deputado do PS: “O actual Presidente da República e os barões do partido [PSD] estiveram nessa altura contra mim.” O professor chegou até a puxar de credenciais antifascistas: “Tive ficha na PIDE e os meus artigos no Expresso eram cortados pela censura.”

A diferença entre ambos, acentuou o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, “é que o senhor está zangado e eu não: eu acredito nos portugueses”. Neto, que começou o debate de cara muito séria, já então se dava ao luxo de sorrir.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Neto  – «Marcelo Rebelo de Sousa é parte do sistema. Mais talvez do que qualquer outra pessoa, teve um poder enorme neste país, que é o poder da televisão.»

Marcelo – «As pessoas conhecem-me. Sou escrutinado há 40 anos.»

Neto  – «Com as suas qualidades e a sua inteligência, o senhor podia ter mudado o destino do País.»

Marcelo – «Votem no candidato Henrique Neto, votem em qualquer um, mas votem.»

 

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O melhor:

– Henrique Neto aproveitou para pescar votos em várias águas. A seu ver, “a televisão fabrica ministros e Presidentes da República que são, na prática, Berlusconis e José Sócrates.”

– Posta em causa a sua isenção como comentador televisivo, o ex-presidente do PSD não hesitou em avivar memórias: “Saí de uma televisão por pressão de um governo do meu partido e [noutra ocasião] o líder do meu partido pediu a minha cabeça.”

O pior:

– Marcelo exagerou nos elogios iniciais ao seu opositor, na aparente tentativa – afinal frustrada – de lhe amaciar o discurso.

– O empresário esqueceu-se de pôr algum travão na demagogia: “Eu vejo todos os dias pessoas da classe média, de mão estendida, a pedir envergonhadamente ajuda na rua.”

0 comentários em “Presidenciais (13)”

  1. Estão bem um para o outro.

    Duas raposas de rabo pelado.
    Muitos anos a virar frangos.

    Curiosamente não se falou na ota, essa ex-prioridade estratégica…

  2. por aqui ainda não se percebeu que ganha a falta de civismo e de incapacidade para entender que a eleição não é para presidente duma junta de freguesia

  3. Não ouvi, mas o discurso antifascista tem sempre prejudicado quem abusa dele.

    O manhoso do Soares em campanha nunca fazia uso desse discurso.

    Ganhou sempre.

    Só perdeu com Cavaco, mas porque era já um velhadas.

    O Neto já era!

  4. Achei interessante comparar a produção de uma cadeira de um curso, 25.000 alunos, pagos pelo erário público e pelas propinas dos próprios, alunos que “passaram” por mim (não é que “aprederam” comigo), com a produção de empregos e riqueza pelo privado.
    Brilhante.
    Há coisas que um funcionário publico, mesmo que possuidor de uma inteligência assombrosa, nunca há-de perceber.

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