Os bons exemplos da Finlândia


Sérgio de Almeida Correia,

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O Presidente da República, Cavaco Silva, queria que Portugal seguisse o bom exemplo finlandês. Pedro Reis, aquele guru que foi presidente da AICEP e entretanto se mudou para o BCP Capital, dizia que a Finlândia é um país “que teve que sair de situações complicadas e reconstruiu uma economia e atingiu patamares de sofisticação que são uma referência para o que p[o]demos fazer em Portugal“. Três anos depois de ter reconstruído a economia e atingido esses “patamares de sofisticação”, a Finlândia está à beira da saída do Euro, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros diz que nunca deviam ter entrado nesse clube, a União Europeia aponta o país como aquele que será o mais fraco em 2017, com um crescimento que será, vergonhosamente, metade do grego, e o seu governo prepara-se para, “à boa maneira socialista”, distribuir dinheiro pelo povo, em cacau sonante: 800 Euros por mês a cada cidadão. Para quem tanto criticava as políticas sociais da esquerda e a política de distribuição de rendimentos a “ociosos”, não há nada como ver estes exemplos que nos chegam do conservadorismo liberal, nacionalista e xenófobo.

Como há dias dizia o Presidente da República, “a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia“. E a estupidez, acrescento eu.

27 comentários em “Os bons exemplos da Finlândia”

  1. a Finlândia está à beira da saída do Euro

    Isto é um grande exagero. A Finlândia prepara-se para levar a cabo um referendo sobre o assunto, mas nem é certo que a maioria do povo vá querer sair do euro, nem (muito menos) que o Estado possa fazer a vontade a uma tal maioria, caso ela exista.

  2. Lá diz o ditado: pela boca morre o peixe.

    Alguém ainda se lembra do odioso episódio contado por Passos Coelho ainda ele andava pela oposição, supostamente passado com um finlandês, àcerca de um almoço e de quem o iria pagar?

    1. Desse episódio sobram dois comentários:

      1) o feito por Ferreira Fernandes, com a constatação que alguém devera ter perguntado a Passos Coelho: «E o senhor para onde mandou o finlandês?».

      2) o episódio foi uma fabricação absoluta. Deveria ser claro para qualquer um que foi uma invenção para querer passar uma mensagem. E foi comidinha por todos (inclusivamente por mim que só pensei na coisa uns tempos mais tarde).

  3. Se a Finlândia com metade da população portuguesa tem praticamente o dobro do nosso PIB per capita é um fracasso, então o que diremos aqui do nosso jardim à beira-mar?
    A Finlândia distribui dinheiro pela população porque, apesar de tudo, cria riqueza para isso. Pedir dinheiro emprestado para distribuir pela população e pelas corporações dominantes como os socialistas andam a fazer desde 1995 é o caminho que nos tem levado ao estado em que estamos: nos últimos 15 anos crescemos a uma média de 0,7% ao ano e temos uma divida (estado+empresas+familias) de 800 mil milhões para pagar. Porreiro, pá! viva o socialismo e os inteligentes socialistas.
    De resto, tudo serve para escarnecer de uns por isto e de outros por aquilo. O Pedro Reis, p. ex., é um criminoso por ter arranjado emprego num banco. O tipo devia era andar na estiva, que é onde pertencem os gurus que acham que países como a Finlândia são exemplos a seguir.

      1. Corporações dominantes incluem esses que refere, as empresas publicas, a CGTP e, entre outros, muitos outros, as empresas de obras publicas amigas.
        O(a) sr(a) anónimo(a) não tem nome, ou anda fugido(a) à policia?

    1. E o Pedro reis a que se refere é aquele que fez o programa de governo de Passos Coelho e que na altura se reuniu com os Banqueiros (os do Bes e Banif incluídos) e que quis entregar o estado social da Rés Publica aos interesses estabelecidos. As famílias das pessoas que tem morrido nos hospitais porque são apenas um custo na sebenta do merceeiro que tem de ser cortado para ir pagar a jogatana da alta finança agradecem.

  4. Vai muito bem organizado o seu texto, SAC.

    A questão sobre os 800,00 que se pretende garantir aos cidadãos finlandeses, na realidade visa contrariar a recessão que já se vinha a desenhar nesse país e que tive oportunidade de referir num diálogo com o JAA, que não soube ler a realidade que se formava quer na Finlândia quer na UE quer no mundo.
    Aliás, nenhum economista de serviço neste país, com raras excepções, onde se inclui Louçã, mostrou saber o que dizia e tampouco que percebia de economia. Nem os ditos patrões, nem os politiqueiros da coligação entretanto extinta, nem o PR, nem os doutos nada doutos que pululam pelos ecrãs da nação sabiam o que diziam. E a realidade hoje vivida demonstra que nunca souberam o que faziam.

    A seguinte informação é de Agosto:
    http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11802498/French-economy-grinds-to-a-halt-as-German-growth-disappoints.html

    Mas voltemos à questão dos 800,00 que se pretende garantir a todos os cidadãos finlandeses. Repare que a Alemanha instituiu o salário mínimo nacional. E foi precisamente com a definição deste mínimo que pôde gerar mais de 345 mil empregos.
    Significa isto que a política que o nada douto Schauble anda a querer implementar na restante Europa visa tão somente garantir o seu superavit, através do aumento da dívida dos outros, por forma a que exista o relançamento do consumo interno na Alemanha como medida compensatória nas quebras da exportação e na diminuição de receitas por esta via quer na quantidade dos produtos a exportar quer nos preços que serão praticados.

    Tivemos desde finais de 2008 um grupo de criminosos a pretender regular o mundo em matéria económica e financeira; e junto a estes, meninos a cheirar a cueiros muito convencidos e presunçosos.
    Como na Europa e no mundo está a ocorrer o que sempre previ, e que convosco partilhei nestes anos de convívio que tive aqui no DO, a saída final ou será o caos completo, por via da casmurrice dos ditos “pragmáticos”, ou um novo renascimento, por via dos ideológicos conhecedores das realidades e verdadeiramente especialistas em economia que sabem ser feita por pessoas e não por números que nem os “pragmáticos” entendem ou até mesmo ousam materializar a não ser através de conversetas e figurinos projectados em mal sonhadas folhas de cálculo.

    Desejo-vos umas festas felizes, com espírito verdadeiramente cristão, e um Ano Novo pleno de forças e vincadas ideologias para combater a ignorância e o genocídio economicista que tem vindo a ser perpetrado.
    O mundo e a Vida pertencem aos que são capazes de sonhar e pragmaticamente perseguir tal sonho: o de Bondade, Misericórdia, Justiça que liberta e não a que condena e é tão merdosamente propagada pelos justiceiros, mas também a Partilha de uma qualquer Túnica que se veste e despe para confortar os que vão nus, isto é, os que dizem ser pragmáticos não ideológicos.

    1. Em 2007, a despesa pública da Finlândia rondava os 47% do PIB. Agora anda acima dos 58% – nunca tendo sido tão elevada, nem mesmo em 2009-2010. Constitui de facto uma grande surpresa que a economia esteja asfixiada. No euro, só a França tem um valor similar; no mesmo período, a Áustria passou de 49% para 52% – pico de 54% em 2009 – e a Holanda de 42,5% para 46% – pico de 48% em 2010, sendo que se prevê uma descida para a casa dos 44% em 2015. Fora do euro, a Suécia passou de 48% para 50% e a Dinamarca, que atingiu os 58% em 2012 (tinha 49,5% em 2007), já está a descer o valor – com alguma insatisfação local, certamente atribuível ao euro -, prevendo-se que este fique na casa dos 54% em 2015.

      1. Meu caro JAA, saúdo-o. Mas os dados que refere necessitam uma reflexão. Até a Suécia já estava em recessão antes mesmo da Finlândia.
        Os dados que actualmente são postados como figurino vão ao encontro do que ocorreu com as intervenções dos técnicos terceiro-mundistas do FMI, mas não só, nos países latino-americanos. Isto é, a ordem era compressão que posteriormente originou falsos números optimistas que negligenciaram o aumento da pobreza e os custos sociais directos e indirectos que daí resultaram.

        Já agora, em 2008:
        http://www.ft.com/cms/s/0/0101da20-bd43-11dd-bba1-0000779fd18c.html#axzz3veGK9CEz
        http://www.wsws.org/en/articles/2008/11/swed-n08.html

        Em 2009, algumas medidas:
        http://www.eurofound.europa.eu/observatories/emcc/comparative-information/national-contributions/tackling-the-recession-sweden

        Mas podemos abreviar números e centrá-los num só quadro para compreender que os números que refere não são nada promissores. Aqui tem o GDP de 1993-2015:
        http://www.tradingeconomics.com/sweden/gdp-growth

        Abraço

        1. Precisamente: se a Suécia, com políticas mais sensatas – e sem o euro, que tantos julgam ultra-hiper-maligno – não cresce espectacularmente, por que razão haveria de crescer a Finlândia? Os vasos comunicantes de uma economia globalizada não permitem folgas a quem tem despesa pública destes níveis – e, ainda por cima, altos níveis de endividamento, público e privado.
          Você, como tantos outros (no Japão fazem-no há mais de duas décadas, sem grande oposição de figuras tipo-Schauble), continua a achar possível evitar o inevitável. Só o adia, de caminho amplificando as consequências negativas.

          1. Meu caro, parece-me que está responder a outros e não ao meu comentário. Eu só disse que o JAA fez uma má avaliação da situação na Finlândia, na UE e no mundo.
            Fui eu que lhe disse que estava equivocado relativamente à Finlândia e a outros temas. Esqueça o euro.
            A questão é simples: o que afirmei, aconteceu. E não há outra saída para além da inversão de algumas medidas tomadas. Mais ainda, e registe, vem aí o aumento dos combustíveis, do crude. E vem aí porque a Arábia Saudita já se capacitou que o investimento que tem vindo a fazer no armamento, para prosseguir um sonho impossível, redunda em enorme prejuízo com a entrada determinada da Rússia na Síria e no médio oriente. Precisa de aumentar receitas e levará outros a fazer o mesmo.
            Perante aquele cenário, que obrigará a um esforço adicional a nível mundial, seria de todo absurdo manter a asfixia económica levada a efeito quer pela UE quer pelo FMI, com esta última instituição a revelar sempre posições contraditórias.

            No entanto, uma vez que você aparenta conhecer muito bem minhas posições, agradeço que as enuncie e demonstre os erros que nelas encontra e/ou encontrou.

          2. “Eu só disse que o JAA fez uma má avaliação da situação na Finlândia”

            É perfeitamente possível (ao contrário do que parece suceder com tanta gente, o meu dom da infalibilidade é altamente falível) mas, sobre a Finlândia, mantenho o que escrevi:

            http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-finlandia-entao-7317485

            Quanto às melhores soluções para a economia mundial, veremos. Tendências não são resultados.

            Bom 2016.

          3. O problema é esse, JAA. É as pessoas fazerem de suas opiniões cartórios de cartomancias para alinhar com as medidas daqueles de quem são fãs. Por isto mesmo referem os dons da não infalibilidade quando os resultados são negros, ao invés de terem posto ao serviço os elementares dons da racionalidade.

            E eu já vou lá mais acima comentar o seu último post.

    2. “E foi precisamente com a definição deste mínimo que pôde gerar mais de 345 mil empregos.”

      Haha. Sabe o que é a expressão apesar de?

      1. Você continua lento de raciocínio, apesar de tentar ser mais rápido que a sua própria sombra. E repete o que lê sem analisar. E vejo que andou a ler o Económico. “Apesar de” significa algo muito simples: significa que não vem nenhum mal para a economia portuguesa e europeia apesar do actual governo ter aumentado o salário mínimo.

        Como não existem coincidências, no caso alemão aplica-se o por isto mesmo. E é por isto mesmo porque se fosse por “apesar de”, como você pretende significar, não existia nenhuma razão para aumentar o salário mínimo. Seria de uma burrice tal adoptar um medida que não teria qualquer efeito.

        Você anda mal acompanhado nas suas leituras. Mas, apesar de andar mal acompanhado, tem sempre um anjo por perto que lá o encaminha para o paraíso do saber. Chegue-se, meu caro.

        1. Para si não vem mal nenhum destruir trabalho.

          trabalho dos outros que você com tanta arrogância de esquerda não tem pejo em interferir na vida dos outros.

          1. Eu sempre soube que o seu problema não é só lentidão de raciocínio. É estagnação da actividade cerebral. Você, apesar de ter parado a actividade cerebral num tempo determinado, está morto.

  5. Opinar sobre o Povo que aguentou a “Guerra de Inverno” e a “Guerra da Continuação” com “olhos” e, sobretudo, mentalidade deste portugal dos pequeninos ( para o qual o ùnico critério é o da “mercearia” e o objectivo último é garantir as esmolas eufemisticamente crismadas “fundos ” ) não se recomenda como análise mìnimamente objectiva…
    Questões de latitude…

    1. Aqui não se discute a história, nem esta justifica os erros políticos ou o que foi dito por responsáveis finlandeses sobre portugueses e gregos.
      Deve dizer isso aos amanuenses e merceeiros que nos aconselharam a seguir o exemplo finlandês e nos asseguraram a boa saúde do BES e do BANIF antes destes darem o estouro. Esses é que sempre usaram critérios de mercearia.

  6. O facto de sermos uma federação de estados não quer dizer que os outros tenham que nos sustentar ou nòs a eles, os liberalismos sociais levam a que o caminho mais fácil seja o escolhido pelos cidadãos o que leva á decadência das empresas através dos sindicatos reivindicativos de todas as benesses e nunca acautelarem as obrigações o estado social é levado a níveis incomportáveis na econumia dos estados, as despesas com prestações sociais são de tal maneira elevadas que só são com portáveis com uma produção inteiramente mecanizada e com uma nacionalização de todos os meios de produção de riqueza em que os horários de trabalho serão distribuídos pelas competências dos cidadãos e um ensino em que os alunos deixem de ser utentes e passem a ser clientes,assim como a saúde e todos os outros serviços públicos tem que ser racionalizados em todos os aspectos competência,eficácia,satisfação quer no tempo quer no resultado.

    1. E o “resgate” aos BANCOS? Então os bancos só dão lucro, o facto de termos de pagar à volta de 10 a 15 mil milhões por cada um não tem problema, porque o que está mal são os trabalhadores e as suas reivindicações, o sistema nacional de saúde e as escolas que deviam fechar e pronto, ficava tudo certo.

  7. Embora este caso seja socialismo, não há socialismo algum em distribuir dinheiro pela população quando provém de receitas que pertencem a todos:

    Algo que como é óbvio nenhum socialista fala.

    O aluguer de frequências do espectro electro-magnético: TV, Rádio etc.
    Exploração minerais em terras/mar não privadas.
    etc.

    Tudo o que é receita do pais devido ao seu território deve primeiro ir para as mãos dos portugueses e só depois taxado.

    Não deve ser receita directa do Estado.

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