Uma Câmara Municipal deste nosso paraíso de perfil atlântico assumiu o desafio de celebrar em grande a quadra natalícia. Ideias, projectos, brainstormings e, tudo somado, manda-se vir, de paragens distantes e nevadas, duas renas. Das verdadeiras, com os respetivos chifres e tudo. Tudo correndo como planeado, os cervídeos desfilariam em parada triunfal pelas ruas da pequena cidade, puxando um trenó onde estaria principescamente instalado o Claudino, exímio entornador de copos de três, aqui em vezes de Pai Natal. E o Presidente da Câmara ali estaria, da varanda concelhia, a observar tudo com ar bonacheirão, como quem diz que se divirta o meu querido povo. O problema é que o estupor do Rudolfo, que a sermos sinceros nem tinha nariz vermelho e nem Rudolfo se chamava, foi de bater a bota na véspera do grandioso desfile. Esticou o pernil, se é que me entendem. Vai daí, reunião do executivo municipal no meio de grandessíssima urgência. Vereadores desesperados, crises, chiliques, desmaios. Tentou-se de tudo. Uma rena só puxa o trenó? Testes feitos conclui-se que não. No último ano, o Claudino levou o papel a sério e não há rena desacompanhada que puxe o veículo abundado com semelhante barriga. No meio do desespero, um milagre (não é este precisamente o tempo propício à eclosão de todo o tipo de deslumbramentos e maravilhas?): um Vereador vê a luz como se fosse uma estrela a mostrar a todos o caminho. Não há par de renas, substituem-se por cavalos. Então e a rena que sobra? Não tiramos partido dela? Tiramos, pois. Antes do desfile de trenó puxado por cavalos, o Pai Natal dá um passeio na Praça do Município com a rena pela mão. Faça-se assim então. E fez-se. Volta a pé com a multidão em delírio. Fosse toureiro o Pai Natal e teria saído em ombros com as duas orelhas e o rabo do animal. Menos mal que não é, que para desgraça já bem basta a morte do Rudolfo que afinal não o era. Há rostos felizes de Vereadores, com as bochechas vermelhas de entusiasmo e vá, também de alívio, porque houve ali momentos em que se temeu o pior. Há um Presidente da Câmara bonacheirão à varanda: safou-se de boa o Vereador Pires que se lembrou de trazer o estupor das renas. Passemos então ao desfile. O Claudino instalado. Os cavalos a postos. Povo, Veradores e Presidente a saborear o triunfo. Que iniciem a marcha os cavalos. E iniciam. E macacos me mordam se não tem chovido. E os mesmos macacos continuem a morder-me se os cavalos não escorregam e não tropeçam e não caem perante o olhar abismado do Povo, dos Vereadores e do Presidente. Temos então cavalos com ferimentos ligeiros e orgulhos com ferimentos profundos. Cancele-se o evento depressa que vem vento. Feliz Natal, Feliz Natal, Feliz Natal vamos todos para casa que se faz tarde. E pronto, foi isto. Bem sei que não é Dickens, mas concederão que é triste. Em contrapartida, é verdade e aconteceu assim, dando de barato que quem conta um conto, acrescenta um ponto. Com um bocadinho de sorte e paciência talvez encontrem no Google alguma evidência dos factos. Apenas um conselho: procurem por Natal, desfile, mas não procurem com renas no plural.
Conto de Natal
Rui Rocha,

ecolosão?!
Eia cum caneco… Corrigido no post. Obrigado e Bom Natal!
Município que se pareça com este… e, com rena? Só estou a ver um, com Comboio Rena de Natal, composto por locomotiva e quatro carruagens, com uma lotação de 16 lugares e, “movido a eco-diesel” (aqui, apenas copiei a publicidade e isto, de eco-diesel… deixou-me curiosa, presumo que seja movido a biodiesel e a EcoDiesel seja, apenas, o nome de uma das empresas que produz esse tipo de combustível) mas, continuando… também tem, uma árvore de Natal com 25 metros de altura e 12 metros de diâmetro, Globo de natal, “uma estrutura insuflável que receberá visitantes para uma fotografia que terá como fundo pequenas bolas de esferovite, fazendo lembrar flocos de neve” (eu aqui, em vez de fotografias, poria… selfies… para modernizar a coisa lol), animação de rua com música, palhaços, duendes, sinos … sem faltar uma Casa do Pai Natal de portas abertas… realmente, não sei se, este, conseguirá superar… o da rena viva e cavalos… 😉
E não há pinga por ali além do aconchego do Claudino?
O nosso venerando já desejou as Boas Festas?Como não tenho tv.
Se for Natal então que o viva feliz.