«A vida no Estado Islâmico é dura; a Sharia é aplicada sem restrições e o desprezo dos seus preceitos é severamente punido. As mulheres só podem abandonar a cidade ou povoação em que vivem com o consentimento escrito de um parente macho; o álcool e o tabaco estão proibidos, o que tem causado um certo mal-estar entre os combatentes estrangeiros, que vêm da Europa ou de Estados seculares do mundo islâmico. Apesar das necessidades políticas aconselharem uma maior abertura, os mentores do ISIS, que seguem o rigor dos wahabitas e dos salafitas, aplicam a Sharia, a Lei de Deus, de forma estrita e sem palitivos.
Para tudo há normas e preceitos. No Estado Islâmico os ladrões sofrem a amputação dos membros – corte da mão direita e da perna esquerda; os que cometem adultério, se forem casados, são apedrejados até à morte e para os seus parceiros solteiros estão previstas cem chicotadas seguidas de deportação. A traição, a blasfémia e a “espionagem para os infiéis” também são punidas com a pena de morte, bem como a homossexualidade – dois homossexuais foram precipitados de um edifício de 30 metros, em Raqqa, e a condenação assentava num precedente jurídico: o gesto justiceiro do califa Ali, que precipitara do alto de um minarete um homem que se “libertara do desejo de uma maneira proibida”.»
Jaime Nogueira Pinto, O Islão e o Ocidente, p. 251
Ed. D. Quixote, 2015

![1507-1[1].jpg 1507-1[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/Bcd0915e2/19116643_4Y9JH.jpeg)
Leitura de férias, em Agosto passado. Lembrança de Natal, este Natal, para dois dos mais jovens – jovens adultos – da família.
Bem merece ser lido (mas é apenas a minha opinião).
Costa
Foi um dos melhores livros que li este ano. Tenciono voltar a falar dele aqui.
Pedro,
desculpe fugir ao assunto, mas…
…afinal, PODEMOS!…
Fuja à vontade, João.
A vida no Estado Islâmico é dura
(1) Eu gostava de saber como pode Jaime Nogueira Pinto afirmar isto tão perentoriamente, quando ele nunca viveu no Estado Islâmico.
(2) O que li em fontes geralmente bem informadas é que a maior parte das pessoas que vivem no Estado Islâmico até o consideram vantajoso em relação à situação anterior, dado que pagam impostos mais baixos e mais fiáveis, a corrupção é menor e a governação é mais eficiente.
“(…) fontes geralmente bem informadas (…)”. Ora aqui está uma sólida, clara e lapidar fundamentação ao pretender questionar, demonstrando a validade do oposto, a fundamentação do autor.
Reconforta, ler estas coisas.
Costa
A fonte em questão é a revista The Economist.
Vê? Não custa nada invocar a fonte. Sempre dá credibilidade, meu caro. Já agora com algum detalhe mais, por exemplo o número ou data da mesma. E talvez contextualizar um pouco, quem sabe?
É que “mutatis mutandis” (e de que maneira!), no “antigo regime”, como por cá se chama benevolamente ao período autoritário mais vulgarmente conhecido como o “fascismo” (um clamoroso erro, à luz da mais objectiva análise da chamada ciência política, mas enfim…), também se calhar havia coisas de que muito boa gente, de muito boa fé, sentirá a nostalgia. E não são criminosos por isso.
São capazes de lhe dizer que se saía à noite sem qualquer receio, que nunca se trancava a porta de casa ou do carro. Que havia “respeito”. Que o escudo valia que se fartava em Espanha e em todo o lado. Seguramente que os impostos eram bem mais baixos e legislação fiscal bem mais estável (como você escreve: impostos “mais fiáveis”). Tudo o que você quiser que reflicta uma sensação de segurança, ou de devida punição dos criminosos e protecção do cidadão cumpridor, por este dias tão vacilante – para usar de um eufemismo – entre nós…
E todavia, caro Lavoura (sem, felizmente, sequer uma remota semelhança com as práticas do tal “estado islâmico” e daí o latinismo acima), a que custo…
Costa
Foi na edição da semana passada ou de há duas semanas. Não mais que isso. Tinham um artigo sobre a forma como as fontes de financiamento do Estado Islâmico estão a secar.
As pessoas comparam sempre com aquilo que conhecem e de que têm experiência. Os habitantes do Estado Islâmico comparam-no favoravelmente com a corrupção e insegurança dos regimes sírio ou iraquiano anteriores. Não o comparam com a Europa democrática. Os habitantes do Portugal salazarista comparavam Portugal com a Europa democrática (que estava perto e conheciam através dos emigrantes) e não gostavam do que viam.
É tudo uma questão de expetativas. Os iraquianos e sírios já consideram um grande progresso terem segurança, estabilidade e um governo pouco corrupto.
Li este livro no corrente ano, uma magnífica obra que muito além da denúncia dos casos descritos no post e mostra a história das relações mundo árabe/islâmico versos ocidente/cristão ou laico, para dar a ententer muitos dos problemas atuais não só dentro dos estados predominantemente de povos islâmicos e o resto do mundo, sobretudo laico. Grande livro
Grande livro sim, Carlos. Sem a menor dúvida.