O comentário da semana


Pedro Correia,

«Há-de chegar o dia em que vão perceber que austeridade não é um sacrifício temporário, é antes a nova realidade de um país que viveu três décadas de prosperidade artificial. Acabaram-se os fundos comunitários e agora lentamente saímos dessa artificialidade para engrenarmos na realidade.
Chamar o trauma deste choque de Austeridade, como se de um pesadelo se tratasse, só significa que ainda estamos fase da negação, mas todo este tempo ainda em negação só acontece porque os nossos políticos, e a comunicação social, exploram e usam muito bem os sentimentos das pessoas. Mas este tema por muito bom que seja esgota-se, vai acabar por perder força e com isso virá a fase da aceitação e do luto, a que se segue a fase do último adeus, do adeus àqueles foram os bons velhos tempos.
Desde há séculos que este nosso país sempre esteve habituado a ter uns bons extras para explorar. Quando se acabou com o colonialismo lá vieram os fundos comunitários, mas agora não há mais o que explorar. Agora há apenas terra para cavar e uma imensidão de manias de país desenvolvido, mas que não tem meios para as sustentar.
Querem sair da austeridade? Encarem, aceitem a realidade e mandem cortar nas manias. É assim que falidos fazem, é assim que os pobres vivem.»

 

Do nosso leitor Manuel Sidónio. A propósito deste meu texto.

7 comentários em “O comentário da semana”

  1. A Austeridade está em processo de mudar de nome.

    Começa por ser Conveniência, depois será Rigor e, no dia em que a geringonça se desfizer chamar-será Estabilidade.

  2. Fazem-me impressão aqueles que dizem que haverá sempre ricos e pobres, que serão sempre os mesmos e que ter gente a passar fome é o mesmo que não poder comer bife todos os dias.

    Porque a austeridade significa FOME, neste momento, para alguns. Se saíssem dos seus sofás talvez percebessem isso, e talvez pensassem que não é correto.

    A situação dos portugueses vem melhorando de uma forma natural há séculos. Parece que está errado, temos de voltar à idade da pedra.

    Sugiro ao autor do comentário, que sendo português, e logo sem direito a bens materiais, renuncie aos mesmos. Ou se calhar é dos que pensa que só se aplica aos outros.

  3. Que os políticos que esbanjaram sejam chamados a prestarem contas do esbanjamento que fizeram. Comecem logo pelo Cavaco Silva… e façam um ajusto de contas a valer. Não mandem é aqueles que não tiveram nada, a ver com o assunto, pagar as manias dos governantes que não governaram, desgovernaram. Os falidos pagam pelos erros cometidos, os políticos que faliram o país que paguem como os que faliram. Geralmente ou quase sempre, os políticos saem sempre bem mais abonados que quando entraram. Porque será? Gostava de saber.

  4. Não há muito mais a dizer.
    A uma redução no cartão de crédito e as meninas e meninos ricos chamam austeridade.

    Só contesto um pouco o uso da palavra pobreza para um país que consegue ganhar sustentadamente uns 17000 euros per capita. Não se é rico, mas não se é pobre.

    1. As estatísticas e as médias operam maravilhas, como se sabe: duas pessoas e um frango, costuma ser o exemplo…

      De resto, a pobreza pode ser absoluta: de verdadeira fome, de objectiva falta de alojamento, de ausência de qualquer grau de protecção ou assistência. Ou pode ser outra que não essa descrição “clássica”.

      Seria honesto procurar o seu enquadramento. Seremos sempre “ricos”, mesmo os mais pobres de nós, comparados com tantos povos no mundo. Mas é essa comparação o critério que deveremos seguir? Uma perda drástica de qualidade de vida, imposta – e sem retorno racionalmente previsível – a quem de boa fé e prudentemente alcançou certo nível de vida, não poderá significar para os afectados uma experiência de pobreza? E esse nível nem tem que ser luxuoso (e se o fosse, desde que meritório e prudente?): o modesto andar, num incaracterístico – na melhor hipótese – subúrbio, perdido para o banco e que todavia continuará a ser pago toda uma vida; o pequeno automóvel utilitário que se não consegue já manter; a água, luz ou gás cortados e que se vai escondendo das relações; o salário – pequeno – penhorado; a vergonha de nada poder ter em seu nome? O que chama você a isto: um incómodo menor?

      Costa

      Costa

      1. Somos um país pobre. Logo porque para termos uma qualidade de vida razoável, andamos completamente endividados e como se não bastasse ainda endividamos as gerações futuras, porque pura e simplesmente consumimos sempre mais do que aquilo que produzimos. Se isso não é viver com a mania que se é mais rico do que de facto se é, então ainda somos mais pobres do que eu julgo. Realmente pior que sermos pobres é termos ricos tão ricos como os ricos dos países ricos.

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