Democracia à venezuelana


Pedro Correia,

Hugo Chavez-Nicolas Maduro-Fidel Ernesto Vasquez

 

“Para que querem chegar à Assembleia Nacional? Para negar os recursos ao povo? Eu não vou deixar.” Nos intervalos dos seus diálogos com Hugo Chávez que lhe aparece em forma de passarinho, o Presidente da Venezuela – que governa por decreto, evitando submeter-se ao escrutínio do Parlamento – mostra à comunidade internacional qual o caminho mais curto para transformar de vez o país em ditadura.

“Na Venezuela existe uma tirania arbitrária”, diz sem papas na língua o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González. Sabe do que fala: num país devastado pela crise económica, com o produto interno a cair 7% no ano em curso, até os números oficiais da inflação são considerados segredos de Estado – talvez por se supor que seja a mais elevada do mundo, podendo chegar aos 300% em 2016. No momento em que as sondagens mais credíveis dão um avanço de mais de 30 pontos percentuais nas urnas à oposição.

Este sim, é um presidente gangster. Por sinal muito aplaudido por alguns do lado de cá do Atlântico.

0 comentários em “Democracia à venezuelana”

    1. Toda a Esquerda Marxista a que devemos juntar ainda Mário Soares e o seu grupo, uma vez que a política não mudou.

      Chávez: Mário Soares muito triste com morte de um “homem bom”.

  1. O unico caso que lembro de um governo que se manteve em funções desrespeitando o parlamento eleito foi mesmo o de Vasco Gonçalves.

    Se Cavaco Silva mantiver o primeiro-ministro em gestão está a fazer o mesmo que fez Costa Gomes quando manteve Vasco Gonçalves depois das eleições de 1975.

    Esta gente que anda armada aos cucos a fazer comparações com o PREC (e que pede a continuaçõa deste governo) quer mandar areia prós olhos porque queria fazer um PREC à direira, desrespeitando o parlamento.
    Só faltava trancarem lá os deputados.

    O 25 de Novembro vem a propósito, só que é pelo respeito do parlamento, e isso tanto serve para tirar do poder comunistas ou fascistas, que não querem aceitar o resultado das eleições.

    1. Qual parlamento eleito?

      As primeiras eleições para o parlamento foram em 1976.

      As eleições de 1975 elegeram a Assembleia Constituinte, não o parlamento.

  2. Há em Portugal umas tendências venezuelanas que consistem em dizer que, sendo o presidente eleito, o parlamento tem de nomear quem ele manda. Se não o presidente manda fazer as eleições que forem precisas até o povo aprender.

    Cá como lá ouvem-se os passarinhos. cá chamam.lhe cagarras.

  3. Por cá já temos um igual a esse, até já se propõe alterar a Constituição para se manter alapado no poder. Estão aqui estão a convidar o Maduro para uma workshop numa daquelas “Universidades de Verão”.

    1. “Se chegar a acontecer essa hipótese negada, rejeitada, transmutada e sepultada [de não conseguir a vitória], estou cerebralmente, espiritualmente, politicamente e militarmente preparado para assumi-la. Lanço-me à rua com o povo. Somos milhões, um bloco compacto de revolucionários.”
      Valente revolucionário, o camarada Maduro. Diga lá se não gosta desta “democracia” musculada do homem forte venezuelano. Disposto a pôr a tropa na rua para meter os eleitores na ordem.

  4. Mais um mau exemplo da extrema-esquerda. Vendo bem, por mais que procure ainda não encontrei nenhum bom exemplo dessas esquerdas. Só mesmo o antonio costa é que verá.

    1. É espantoso ver alguma esquerda tuga defender o caudilho Maduro, que conseguiu afundar ainda mais a Venezuela do que o caudilho anterior: apesar de o país continuar a ser o maior exportador de petróleo da América Latina, tem a maior inflação do planeta e chega ao fim de 2015 com o PIB a cair 7% (outro triste recorde continental).

  5. Quando é que estes esquerdistas interiorizam que o Povo … não votou no PS BE no PCP / *+ na inseminação artificial dos Verdascas para formarem governo?

    Essa treta do camando que se elegem deputados é uma falácia.

    Haja um bloquista, pcpistas, pspistas que diga (de cor) o nome dos deputados eleitos pelos respectivos partidos! Nem os Secretários Gerais serão capazes de indicarem meia dúzia!!

    1. O Maduro, na Venezuela, manda tirar mandatos a deputados que lhe fazem oposição. Aconteceu já com quatro ou cinco.
      Gostava de saber se aqueles que aqui os aplaudem gostariam de ver isto em Portugal.

  6. Uns aplaudem, Pedro, e a gente sabe porquê há mais de 40 anos.
    Mas outros, fazendo-se de santos, vão lá dar-lhes palmadas nas costas, confraternizar e vender os “Magalhães” e tudo o mais que houver porque o dinheiro não tem ideologia e a hipocrisia fala mais alto. Nessas alturas, embora sendo cristãos, não se importam de conviver e receber o cheque que o “gangster” lhes passar. Não sei o que será pior.

    1. Eu não sei se alguém por cá conseguiu vender alguma coisa à Venezuela, Sérgio. Eles lá não têm sequer dinheiro para importar bens de consumo essenciais – a começar pelo papel higiénico.

  7. É incrível como a comunicação social portuguesa (e não só) pouco revela das vergonhas que acontecem naquele país. Muitas vezes a notícias que vêm cá para fora são, no máximo, meias verdades. Lembro-me do salário mínimo venezuelano. Idolatrado como um exemplo, seguindo a taxa de cambio oficial. O problema é que ninguém utiliza essa taxa de cambio. Atualmente o salário minimo venezuelano é de 10 euros ou coisa assim. Sim porque qualquer pessoa lá, a título individual ou comercial, se quer importar seja o que for tem de pagar em dólares e, para o conseguir, só no mercado paralelo de cambio. A desvalorização é atroz!
    Ninguém fala sobre a fome que lá se passa, a ausência da maioria dos produtos essenciais à venda que são importados (pela razão mencionada anteriormente), racionamento, etc. É o país com maior taxa de mortalidade por violência do Mundo (à frente de países em guerra…). Aquilo é a catástrofe económico-social que, por algum motivo, não é divulgado nem denunciado.

  8. Caro Anónimo a 19.11.2015 às 16:14
    Fiquei com algumas dúvidas ao ler o teu comentário e, como tal, procuro um esclarecimento.
    1. Qual é a base do AO90 que determina que “câmbio” se escreva “cambio”? A não ser, claro, que sejas tu que cambias. “Eu cambio, tu cambias, …”. Nesse caso, aquilo que escreveste não faz muito sentido.
    2. Como se deve soletrar a frase “A desvalorização é atroz!”? Quais são as vogais que soam “abertas”? Deverá ler-se à brasileira “à dèsvàlòrizàção é àtroz” ou à portugueza “â dêsvâlôrizâção é âtroz”? Ou será uma mistura das duas: “â dêsvâlôrizàção é àtroz”? Atroz, atriz, atraz… Pormenores sem importância.
    3. Qual é o género do substantivo “catástrofe”?
    És bem o exemplo de que este AO90 é uma catástrophe cultural que, por algum motivo, não é divulgada nem denunciada.
    Boas pedaladas

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