Ver o Benfica entrar em campo sem lusa alma, sem um único jogador daqueles que, sendo benfiquistas ou não, cresceram a ver o Benfica jogar e prosperar, foi uma dor de espírito. Depois de detectada esta falha, não fosse ela evidente, ver o prosseguir dos dias, o chegar de mais reforços e contar que em oito continua a não haver um único português, é a meu ver um crime.
Sim, o Benfica está a jogar bem, sim, parece estar no bom caminho. Mas até que ponto isso é tudo o que interessa? Até que ponto é saudável e desejável saber que na maioria desta época estarão menos de dois jogadores portugueses em campo?
A identidade e a cultura de um clube é o que de mais profundo e valioso ele tem, ver o Benfica como uma indústria de comissões e negociatas com empresários e clubes de todo o mundo, desligando-o daquelas que são as suas raízes, é uma forma ruinosa de gerir o clube, é delapidar o seu património, obliterar e deixar perdida no tempo a sua cultura.
Recordo que ainda há poucas décadas o Benfica jogava apenas com portugueses e que foi assim que conquistou o que de mais precioso tem no Museu do Clube. Assim se formaram ao longo de décadas dezenas de históricos que hoje alimentam as ilusões e os sonhos, a alma e a mística. Continuando desta forma em breve restará uma amálgama de nada, um clube com uma história longínqua e identidade desconhecida.
O Benfica é um clube de raízes bairristas, o clube de todos os Bairros de Portugal. O Benfica não é a Sociedade das Nações e não será assim que recuperará o respeito que um dia todos lhe tiveram.

É triste, de facto. A última equipa do Benfica que me deu gozo ver jogar (apesar de ainda ser muito novinho) tinha alguns estrangeiros de grande qualidade, como o Yuran e o Schwartz, mas a maioria do plantel, creio, continuava a ser português.
Infelizmente, esta situação é mais ou menos inevitável. Os clubes portugueses não têm dimensão para manter os craques nacionais (nem mesmo o Porto). Os próprios jogadores portugueses sonham com vôos mais altos. Por isso a nossa selecção tem estrelas no Real Madrid, no Inter, no Chelsea, e em tantos outros gigantes europeus… mas não em Portugal. Os jogadores estrangeiros que vêm para o Benfica são, no geral, ou jogadores que querem entrar na Europa e ter uma oportunidade de se mostrar nas competições europeias e assim aspirar a um lugar num “grande”, ou jogadores de grandes clubes europeus emprestados, que esperam vir cá mostrar que afinal têm lugar na sua equipa.
No fundo, é tudo um problema de dimensão. Os nossos grandes, por melhores exibições que façam na Champions (como o Porto tem feito, por muito que me custe reconhecer), continuam a ser “médios” quando comparados com os grandes de Espanha, Itália ou Inglaterra.
É um facto que os jogadores portugueses hoje querem algo mais que o nosso futebol, mas também é verdade que sempre que o Benfica andou pela alta roda do futebol europeu conseguiu segurar os seus melhores jogadores. Esta sangria só começou quando Manuel Damásio e Artur Jorge rebentaram com o que resta a de uma equipa quase campeã europeia.
Em França temos o exemplo do Lyon que os consegue segurar sem grande dificuldade, vendendo quando quer e regra geral, porque quer.
De qualquer forma o que me choca mais no Benfica é mesmo o investimento nulo que é feito na formação e nas aquisições. O nossos escalões jovens estão atolados de estrangeiros e para a equipa principal não se compram portugueses. Como criar referências assim?
Tem toda a razão, caro André. É precisamente por isso que eu gosto muito do Sá Pinto: fez ao Artur Jorge aquilo que todos os benfiquistas gostariam de ter feito…!
Claro que no Benfica a formação é um problema. Atrevo-me a dizer que, no nosso país, a única equipa que dá cartas nessa matéria é o Sporting (pelo menos, é o que o “senso comum” me diz, posso estar errado). O clube devia apostar mais nisso, sem dúvida. E preocupar-se sobretudo em ter uma gestão inteligente.
Com isto quero dizer que não adianta a cada ano prometer mundos e fundos com o novo treinador da praxe. Portanto, e independentemente dos resultados, espero que Jesus faça umas quantas épocas no Benfica (a menos, claro, que meta água em grande estilo), tendo tempo para construir uma equipa. É necessário reconhecer que o Benfica, passe o eufemismo, já viu melhores dias, e que não é de uma época para a outra que isso mudará. Claro, é também necessário que os adeptos percebam isso e apoiem o clube, mesmo nos maus momentos (que inevitavelmente surgirão).
Nunca gostei tanto de um jogador do Sporting como do Sá Pinto nesse dia. Aquele murro foi igualmente desferido por uns milhares de benfiquistas!
Parece-me que o Jorge Jesus é o homem certo para isso que disse e que é necessário. Temos de lhe dar estabilidade para poder trabalhar e desenvolver as suas ideias. De qualquer forma acho que nps trará resultados já esta época.
A avaliar pela pré-época, será mais o Sport Lisboa e Benfica Latino-americano. 😉
A gente muda para “Esporte Lisboa Y Benfica” 🙂
Eheheh. A Copa Libertadores da América para o ano é nossa. 🙂
LoL! Sem dúvida!
As coisas que vocês sabem, meus amigos…
Subscrevo na íntegra, mas dia 8 lá estarei no meu lugar de sempre a aplaudir os “estrangeiros”.
o João Tunes não gostou do que escreveu.