«A beleza do Universo é notável. E o seu gigantismo, sobretudo, é assombroso. Centenas de biliões de galáxias, cada uma das quais formada por biliões de estrelas, algumas delas situadas a biliões de anos-luz – centenas de biliões de biliões de quilómetros. E à escala de um bilião de anos-luz começa a constituir-se uma ordem: os aglomerados de galáxias separam-se para formar um grafo labiríntico. Faça uma exposição destes factos científicos a cem pessoas encontradas ao acaso na rua: quantas terão o arrojo de dizer que tudo isso foi criado por acaso? Tanto mais que o Universo é relativamente jovem – quinze biliões de anos, no máximo. É o célebre argumento do macaco dactilógrafo: de quanto tempo precisaria um chimpanzé, a bater ao acaso no teclado de uma máquina de escrever, para reescrever a obra de Shakespeare? De quanto tempo precisaria um cego acaso para reconstruir o Universo? Certamente muito mais do que quinze biliões de anos.»
Michel Houellebecq, Submissão (2015), p. 222
Ed. Alfaguara, Lisboa, 2015. Tradução de Carlos Vieira da Silva

![submi[1].jpg submi[1].jpg](http://9.fotos.web.sapo.io/i/B3f042487/18940954_aO91z.jpeg)
Do ponto de vista probabilístico discordo em absoluto. O que tem probabilidade muito pequena ou até zero, pode acontecer.
Um exemplo simples. Suponhamos que há biliões de acontecimentos possíveis todos com igual probabilidade, portanto cada um com probabilidade baixíssima. Sai um. O que saiu tinha probabilidade baixíssima mas aconteceu.
Depois do Big Bang o que quer que acontecesse teria de ter probabilidade baixíssima. Mas aconteceu.
Um livro que já pensei ler e embora num cenário distinto, Portugal também não está livre de se ver com uma situação política extrema.
Gostei muito. É um dos melhores livros de antecipação política que tenho lido.
“Faça uma exposição destes factos científicos a cem pessoas encontradas ao acaso na rua: quantas terão o arrojo de dizer que tudo isso foi criado por acaso? ” Se antes de Galileu se perguntasse, não a cem mas a mil, pessoas escolhidas ao acaso quantas teriam o arrojo de dizer que o Sol não andava à roda da Terra?