Como se forma um governo (1).


Luís Menezes Leitão,

O Bloco de Esquerda revela quatros dos temas sobre os quais chegou a acordo com PS e PCP, para a formação de um governo estável: aborto, adopção, exames do primeiro ciclo e a entrega de hospitais às misericórdias. Numa sessão pública do partido, ontem à noite, Catarina Martins revelou ainda que vai contestar o tratado orçamental e que se fosse governo nacionalizava as empresas que foram privatizadas.

 

Parece assim que as reuniões técnicas entre o PS e o Bloco de Esquerda chegaram a bom porto e temos finalmente um acordo de governo. Calculo que esse acordo deve estar expresso nos cadernos e nos papéis que se vêem em cima da mesa e que demonstram que houve um trabalho exaustivo de muitas horas, que levou a que tudo tivesse sido discutido e acordado ao pormenor, como se vê pelo brilhante resultado alcançado.

 

Havendo acordo sobre o aborto, a adopção, os exames do primeiro ciclo, e a entrega de hopitais às misericórdias estão obviamente preenchidas todas as condições para que o governo possa imediatamente tomar posse e governar em paz e estabilidade durante quatro anos. Quanto ao tratado orçamental e à nacionalização das empresas privatizadas, são obviamente questões menores, a discutir futuramente em sede de conselho de ministros, quando o Bloco de Esquerda apresentar as suas propostas. Relativamente ao euro e aos limites do défice e da dívida, trata-se de assuntos que nem sequer merecem qualquer discussão. O importante é acabar rapidamente com a austeridade, que tem destruído o país, e irá naturalmente surgir o orçamento expansionista, que todos desejam.

 

De facto, com tão magnífico acordo de governo, para que é que Cavaco Silva há-de indigitar Passos Coelho primeiro-ministro? É uma verdadeira perda de tempo, quando o país está impaciente para que comece o espectáculo anunciado. Venha o governo estável da maioria de esquerda e depressa. Parece-me que ainda nos vamos divertir muito com ele. 

0 comentários em “Como se forma um governo (1).”

  1. Se estas ideias lunáticas do BE vingarem na desmedida ambição do Costa, é desta que a TAP vai ter o seu melhor ano comercial no transporte de Portugueses daqui para fora.

  2. Não será o PSD que está a empurrar o PS para um compromisso à esquerda?

    Se este PSD tivesse consciencia que tinha perdido as eleições não cairia nestes erros.

    Perdeu as eleições porque agremiou tudo à direita e não foi suficiente. É claro que depois disto não consegue ir buscar nada à esquerda do PS. No passado já conseguiu ter acordo com o BE e PCP para fazer cair Sócrates.

    Quem venceu as eleições foi o PS porque só o PS é que pode permitir acordos de governo. O resto das contas de 1ª classe, são contas de quem insiste em ser burro ou tem dôr de cotovelo.

    O problema do PS é que não venceu sozinho e precisa de acordo, ou à esquerda ou à direita. Aconteceria o mesmo se tivesse tido mais deputados que o PSD, mas não tivesse maioria absolura.

    O PSD é que está a ser intransigente em não aceitar Costa como primeiro-ministro e está a empurrar o PS para acordo à esquerda.

    É natural que o PSD não entendam ainda que perderam as eleições, e por isso é mesmo melhor deixar que formem governo, para ver se algum dia percebem.

  3. A azia é tramada, é só melões a incharem !

    Ainda que com pouca legitimidade moral (devido a António Costa) o governo que se forme com apoio do BE e PCP terá sempre a lei do seu lado, querer á força toda ignorar isto não é sério, como diz Jerónimo de Sousa estalou o verniz democrático a muita gente.

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