Acredito que os portugueses ainda se pronunciarão em referendo sobre o chamado “acordo ortográfico” de 1990, vigente desde 2011 no país oficial mas votado ao desprezo pelo país real. A esmagadora maioria dos portugueses não sabe escrever em acordês nem está interessada nisso.
Enquanto o referendo não se realiza, a opinião sobre o AO90 é emitida pelos nossos escritores – os mais qualificados utentes do idioma de Camões, Vieira, Camilo, Aquilino e Nemésio. Na sua esmagadora maioria, recusam exterminar as supostas consoantes mudas, recusando a ortografia acordística.
Interrogo-me: como é possível impor regras ortográficas que os escritores rejeitam em número tão expressivo?
São autores de várias gerações, diferentes tendências políticas e diversos estilos literários. Mas com este ponto em comum.
Aqui deixo os nomes deles, por ordem alfabética, prometendo alargar a lista à medida que alguém me for assinalando omissões – o que agradeço desde já:
Abel Barros Baptista
Abel Neves
Adília Lopes
Afonso Cruz
Afonso Reis Cabral
Agustina Bessa-Luís
Alexandre Borges
Alice Brito
A. M. Pires Cabral
Ana Casaca
Ana Cássia Rebelo
Ana Cristina Silva
Ana Isabel Buescu
Ana Luísa Amaral
Ana Margarida Carvalho
Ana Marques Gastão
Ana Paula Inácio
Ana Teresa Pereira
Ana Vidal
Ana Zanatti
André Gago
António Carlos Cortez
António Barahona da Fonseca
António Barreto
António Borges Coelho
António Cabrita
António Costa Santos
António de Macedo
António Emiliano
António Feijó
António Guerreiro
António Lobo Antunes
António Louçã
António Manuel Venda
António Modesto Navarro
António Salvado
António Tavares
António Victorino d’ Almeida
Armando Silva Carvalho
Arnaldo Saraiva
Artur Portela
Baptista-Bastos
Beatriz Hierro Lopes
Bernardo Pires de Lima
Bruno Vieira Amaral
Carla Hilário Quevedo
Carlos Campaniço
Carlos Fiolhais
Carlos Querido
Casimiro de Brito
Célia Correia Loureiro
César Alexandre Afonso
Clara Pinto Correia
Cláudia R. Sampaio
Cristina Carvalho
Daniel Jonas
David Machado
David Soares
Deana Barroqueiro
Desidério Murcho
Diogo Freitas do Amaral
Diogo Ramada Curto
Dulce Maria Cardoso
Eduardo Cintra Torres
Eduardo Lourenço
Eduardo Pitta
Ernesto Rodrigues
Eugénia de Vasconcellos
Eugénio Lisboa
Fausta Cardoso Pereira
Fernando Alvim
Fernando Dacosta
Fernando Echevarria
Fernando Paulo Baptista
Fernando Pinto do Amaral
Fernando Venâncio
Filipa Leal
Filipe Nunes Vicente
Filipe Verde
Francisco Moita Flores
Francisco Salgueiro
Frederico Lourenço
Frederico Pedreira
Gabriela Ruivo Trindade
Gastão Cruz
Gonçalo Cadilhe
Gonçalo M. Tavares
Helena Malheiro
Helena Sacadura Cabral
Henrique Manuel Bento Fialho
Hélia Correia
Inês Botelho
Inês Dias
Inês Fonseca Santos
Inês Lourenço
Inês Pedrosa
Irene Flunser Pimentel
Isabel da Nóbrega
Isabel Pires de Lima
Ivone Mendes da Silva
Jaime Nogueira Pinto
Jaime Rocha
João Barrento
João Céu e Silva
João David Pinto Correia
João de Melo
João Lobo Antunes
João Luís Barreto Guimarães
João Miguel Fernandes Jorge
João Morgado
João Paulo Sousa
João Pedro George
João Pedro Mésseder
João Pedro Marques
João Pereira Coutinho
João Ricardo Pedro
João Tordo
Joaquim Letria
Joaquim Magalhães de Castro
Joaquim Pessoa
Joel Neto
Jorge Araújo
Jorge Buescu
Jorge Morais Barbosa
Jorge Sousa Braga
José António Barreiros
José Augusto França
José Barata Moura
José do Carmo Francisco
José Fanha
José Gil
José Jorge Letria
José Manuel Saraiva
José Mário Silva
José Miguel Silva
José Navarro de Andrade
José Pacheco Pereira
José Rentes de Carvalho
José Riço Direitinho
José Viale Moutinho
Júlio Machado Vaz
Lídia Jorge
Lourenço Pereira Coutinho
Luís Carmelo
Luís Filipe Castro Mendes
Luís Manuel Mateus
Luís Naves
Luís Quintais
Luísa Costa Gomes
Luísa Ferreira Nunes
Luiz Fagundes Duarte
Manuel Alegre
Manuel Arouca
Manuel da Silva Ramos
Manuel de Freitas
Manuel Gusmão
Manuel Jorge Marmelo
Manuel Tomás
Manuel Villaverde Cabral
Marcello Duarte Mathias
Margarida Acciaiuoli
Margarida Fonseca Santos
Margarida Palma
Margarida Rebelo Pinto
Maria Alzira Seixo
Maria de Fátima Bonifácio
Maria do Carmo Vieira
Maria do Rosário Pedreira
Maria Filomena Molder
Maria Filomena Mónica
Maria Helena Serôdio
Maria João Lopo de Carvalho
Maria Manuel Viana
Maria Saraiva de Menezes
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Maria Vitalina Leal de Matos
Mariana Inverno
Mário Cláudio
Mário de Carvalho
Mário Zambujal
Marlene Ferraz
Miguel Cardoso
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Gullander
Miguel Real
Miguel Sousa Tavares
Miguel Tamen
Nuno Amado
Nuno Camarneiro
Nuno Costa Santos
Nuno Júdice
Nuno Lobo Antunes
Nuno Markl
Nuno Rogeiro
Octávio dos Santos
Orlando Leite
Patrícia Baltazar
Patrícia Reis
Paula Morão
Paulo Castilho
Paulo da Costa Domingos
Paulo Guinote
Paulo Moreiras
Paulo Tunhas
Pedro Almeida Vieira
Pedro Barroso
Pedro Chagas Freitas
Pedro Eiras
Pedro Guilherme-Moreira
Pedro Marta Santos
Pedro Medina Ribeiro
Pedro Mexia
Pedro Paixão
Pedro Sena-Lino
Pedro Tamen
Porfírio Silva
Possidónio Cachapa
Rafael Augusto
Raquel Nobre Guerra
Raquel Ochoa
Renata Portas
Ricardo Adolfo
Ricardo António Alves
Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Paes Mamede
Rita Ferro
Rodrigo Guedes de Carvalho
Rosa Maria Martelo
Rosa Oliveira
Rui Ângelo Araújo
Rui Cardoso Martins
Rui Cóias
Rui Herbon
Rui Manuel Amaral
Rui Pires Cabral
Rui Ramos
Rui Vieira Nery
Rute Silva Correia
Ruy Ventura
Sarah Adamopoulos
Sérgio Godinho
Soledade Martinho Costa
Susana Gaião Mota
Sylvia Beirute
Tatiana Faia
Teolinda Gersão
Teresa Salema Cadete
Teresa Veiga
Tiago Cavaco
Tiago Patrício
Tiago Rebelo
Tiago Salazar
Valério Romão
Valter Hugo Mãe
Vasco Luís Curado
Vasco Pulido Valente
Vítor Aguiar e Silva
Vítor Oliveira Jorge
Yvette Centeno
Texto originalmente publicado a 7 de Maio.
A lista foi muito ampliada, mencionando agora 260 nomes

![17196719_e7v7g[1].jpg 17196719_e7v7g[1].jpg](http://5.fotos.web.sapo.io/i/B8a08ec7b/19579901_Iztdv.jpeg)
Miguel Real (ainda que pseudónimo). Suponho que a lista considere apenas, naturalmente, aqueles ainda entre nós. Por dias, nela não caberá Paulo Varela Gomes.
Costa
Tenho muita pena que o Paulo Varela Gomes – que sempre considerei um grande escritor – já não se encontre entre nós. Por todos os motivos. Incluindo este.
Caro Pedro:
O José Pacheco Pereira publicou hoje um artigo de fôlego sobre o Aborto Ortográfico no jornal Público.
Vale a pena lê-lo.
Embora seja pérolas a porcos em relação aos poderes públicos que podiam deitá-lo para o caixote do lixo da pequena História, assim como para os crentes da nova igreja acordista.
Lerei esse artigo com atenção. Obrigado pela dica.
Miguel Real não é contra o acordo.
Realmente?
Pedro, nos livros não sei, mas no JL o Miguel Real escreve em “abortês”.
🙂 Antonieta
Não leio há muitos anos esse jornal, onde dizem vigorar uma feroz ditadura acordística, Antonieta. Do Miguel Real conheço os livros – e nesses não encontrei consoantes mutiladas.
Apenas o compro ocasionalmente, quando o tema de capa me interessa mesmo muito.
Penso que o Pedro tem razão quando fala em feroz ditadura acordística, porquanto reparei que todos os textos estão em acordês, mesmo os de alguns escritores aqui listados e que escrevem os seus livros correctamente.
Lamentável…
🙂 Antonieta
Não entendo como é que um jornal feito por intelectuais e dirigido a intelectuais, em vez de estimular a liberdade, impõe o dogma. Isso foi um dos motivos que me levaram há vários anos a deixar de ler essa publicação. O mesmo aconteceu, imagino, com muita gente.
E que tal inserir o escritor Pedro Correia também nesta lista?
Publicar três livros em três anos não faz de mim um escritor, meu amigo. Não confundamos as coisas. Mas tenho a certeza de que faltam aqui nomes importantes. Esta lista vai manter-se aberta por isso mesmo.
Um abraço. E apesar da chuva lá estarei logo em Alvalade.
Semântica, meu amigo, pura semântica!
E também lá estarei em Alvalade!
Esperemos fazer a festa – hoje e amanhã.
Saudações Leoninas.
Aqui ficam mais três nomes para acrescentar à lista:
Teresa Veiga
Dulce Maria Cardoso
Gabriela Ruivo Trindade.
🙂 Antonieta
Viva, Antonieta. Seja bem-reaparecida.
E aqui vão mais três:
Rui Ângelo Araújo
Eduardo Pitta
Manuel Jorge Marmelo
🙂 Antonieta
Muito obrigado pela sua preciosa colaboração, Antonieta. Uma vez mais.
É um prazer colaborar, Pedro.
E lá vai mais um trio:
Adília Lopes
André Gago
Luísa Ferreira Nunes
🙂 Antonieta
Obrigado, Antonieta. Confesso que já tinha indagado pela Adília, mas sem sucesso.
Eu continuo à pesca aqui nos meus livros e já encontrei mais:
Pedro Paixão
Ferreira Fernandes
Rita Redshoes
Carlos Vaz Marques, se considerarmos os prefácios e os livros de entrevistas.
🙂 Antonieta
Pedro Paixão: tinha-me esquecido dele. Obrigado, Antonieta.
Margarida Rebelo Pinto e Miguel Sousa Tavares são escritores?
Talvez se considerarmos que são capazes do acto de escrever.
Nem todos os que escrevem são escritores.
Esses dois, na minha opinião, não o são.
Serão uns escrevinhadores, mais ou menos, (in)competentes de crónicas manhosas mas não mais do que isso.
Sim, são escritores.
“Everyone is conservative about what he knows best.”
Robert Conquest
Ena!
Não era uma critica era um elogio.
Não digo que não. É uma boa frase.
Vou tatuar esta no meu peito, pá. Tenho de ver se tenho espaço.
Arrasa qualquer um.
Fazer um referendo, agora que os pobres dos alunos são penalizados nos testes e nos exames?! Que uns “erros de acordês” podem influenciar a entrada num curso superior?! Ainda estou para ver como vão ser corrigidos os exames de português este ano. País desgraçado onde já não chegava a divisão entre jovens e velhos; funcionários públicos e privados; empregados e desempregados…agora, também temos os “obrigados” a escrever em acordês e os “facultativos…
Os alunos escrevem em várias grafias – a mais frequente das quais é a grafia de telemóvel. Com tantas alterações curriculares e pedagógicas, em cada ano lectivo que passa, fazer reverter a grafia oficial seria a mais defensável e a menos penosa. Aliás eles sabem escrever até na grafia anterior à da anterior: ou seja, anterior à de 1911. A equivalente à das palavras inglesas como “pharmacy” ou “science”, mantidas na língua mais falada e mais escrita do planeta.
Ana Cristina Silva, Cristina Carvalho, João Morgado, João Ricardo Pedro.
O João Ricardo Pedro já cá está.
(E o João Morgado, na recomendação de livro, imediatamente abaixo).
Obrigado de qualquer modo pela achega, Ana. Continuam a faltar bastantes mais, tenho a certeza.
Pedro Correia, o JRS optou pelo AO no último livro.
De nada, sempre em luta pela nossa língua!
Nuno Markl, Gonçalo Cadilhe, Maria Filomena Molder, Tiago Rebelo
Nenhum deles podia faltar, Ana.
Nuno Markl, Rodrigo Guedes de Carvalho, Carla Hilário Quevedo, Paulo Castilho
Boa tarde.
Tenho a certeza, basta ver a página de Facebook do escritor, que José Luís Peixoto segue o AO90, por muito triste que isso me deixe. Quanto ao José Rodrigues dos Santos, embora sem certezas, creio lembrar-me de recentemente ter ouvido que o seu último livro segue o AO90…
Não tenho FB, portanto sigo apenas o critério dos livros.
E dos blogues, quando existem.
José Rodrigues dos Santos e José Luís Peixoto, por exemplo, sempre se mostraram favoráveis ao acordo, embora possam não o aplicar nos seus livros. O autor da publicação tem de decidir qual dos planos quer aplicar à lista.
O critério é o que os autores usam nos livros, como é evidente.
E onde está essa evidência? «Escritores discordam do “acordo”», e depois vai-se ver e afinal é só porque não o aplicam nos seus livros? Ainda se tiverem uma nota a indicá-lo expressamente… Todos os da lista têm, garante isso? É que muitos são grandes defensores do acordo. Que baralhada.
Qual é o critério para avaliar se um escritor segue ou não o AO90 senão o da ortografia que adopta nos livros e/ou nos textos publicados na imprensa e/ou nos manifestos e nas petições que assinou contra o dito “acordo”?
Mais cristalino do que isto é impossível. Daqui se infere que baralhado anda você. Tão baralhado aliás que nem se identifica para além das iniciais JC. Querem dizer o quê? Jesus Cristo? Juventude Centrista? Jornal do Comércio? Francamente, gosto pouco de dialogar com iniciais.
É o Jaquim da Conquilha, já podemos dialogar assim? Deixe-se disso. O senhor infere que os autores, por não aplicarem o acordo nos seus livros, são contra. Não é de todo assim, como já vimos anteriormente. Induz quem aqui vier em erro. Se o autor incluir uma nota em que recusa expressamente o acordo, tudo bem, se não o fizer, tendo opiniões expressas a favor, tudo mal, lamento. Não é assim que se presta um serviço à meritoria causa anti-AO. É jornalista, deveria ter mais cuidado e rigor naquilo que escreve.
Quatro e trinta e três da matina, conquilha? Essa insónia está má. Conta carneiros, pá.
Outro, Rui Zink está sempre a mandar bicadas aos opositores ao acordo.
Interessa-me os livros, não as bicadas nem os bitaites.
Dom Diniz
Fernão Lopes
Sá de Miranda
Luís de Camões
Manuel Barbosa du Bocage
Camilo de Castelo Branco
Eça de Queiróz
Fernando Pessoa
Mário de Sá-Carneiro
E mil outros. Vergílio Ferreira, por exemplo, está a ser reeditado pela Quetzal em pré-acordês. Como ele gostaria.
Só tenho pena de já não poder incluir aqui o Manuel António Pina e o Vasco Graça Moura e o Dinis Machado. E ainda Maria Lúcia Lepecki e Urbano Tavares Rodrigues e Antonio Tabucchi – todos opositores declarados do AO90.
Sem dúvida.
E o professor Vitorino Magalhães Godinho. E o Eduardo Prado Coelho. Só para mencionar mais dois, infelizmente já desaparecidos.
E Tabucchi teria sofrido a dobrar uma vez que os italianos também não não se poupam a mutilar a sua própria ortografia de acordo com a ditadura da fala ignorante sobre o étimo.
Tabucchi foi um bom amigo de Portugal, é pena ter partido tão cedo.
Subscrevo as suas palavras. Foi um grande amigo de Portugal e da língua portuguesa (passe o pleonasmo).
Fernando Venâncio, Paulo Guinote, David Machado, Nuno Rogeiro, Ana Cássia Rebelo, Pedro Seromenho, César Alexandre Afonso, Cesário Borga, Júlio Machado Vaz, Miguel Támen.
Não conheço alguns desses autores, mas agradeço-lhe na mesma.
O comentário é meu, estupidamente esqueci-me de me identificar. Todos estes autores que referi já foram publicados e têm a obra à venda na Wook, por exemplo. Além de terem sido publicitados no blogue https://portuguesdefacto.wordpress.com/, onde o acordês não entra por fazer mal à saude da nossa língua 🙂
Muito bem, Ana. Aliás, e não por acaso, o Português de Facto figura na barra lateral aqui no DELITO.
Tenho vários livros publicados, todos sem usar o acordo ortográfico. A excepção são os manuais escolares, onde sou obrigado por lei a usar a malfadada ortografia. E o meu próximo livro, que está no prelo, não segue o acordo ortográfico.
Bem haja pela publicação desta lista.
Já lá está o seu nome, meu caro. Agradeço-lhe a nota que aqui deixa e cumprimento-o calorosamente.
Muito obrigado, Pedro!
Importam-se de me acrescentar à lista? A. M. Pires Cabral
Não me importo nada, meu caro. E faço-o com todo o gosto.
J.R. do Santos parece ter-se reconvertido: t/search?q=Jos%C3%A9+Rodrigues+dos+Santo s (Fev 2014); http://www.ionline.pt/419038 (Out 2015)
http://pensamentos-vagabundos.blogspot.p
Durante anos publicou livros assinalados em escrita pré-acordística. Saiu desta lista, entraram muitos outros. Está cada vez maior.
Quando se escrevia PHarmácia… co PH
Eça disse: “Não vou em acordos… continuarei a escrever pharmácia…”!!!
Alguns dão urras à aproximação entre a escrita e a fonética, considerando isso um sintoma de “progresso”. Enquanto recorrem diariamente ao inglês, o idioma mais falado e mais escrito do mundo – em que escrita e fonética divergem irremediavelmente.
Reproduzo: oticia/autores-infantojuvenis-colaboraci onismo-ortografico-1710801?page=-1“ ccao/permalink/1136845319694173/?comment _id=1136855443026494&comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R0%22%7 D)
Madalena Homem Cardoso escreveu: “Essa lista tem graves incorrecções… Inês Pedrosa, que sempre se posicionou contra o AO, disse que não pôde dizer que não a 6 mil euros (ou 10 mil, já não sei ao certo) e permitiu a re-edição em “acordês” do seu livro de maior sucesso, destinada às BIBLIOTECAS ESCOLARES. Outro caso, muito mais grave, é José Jorge Letria:
https://www.publico.pt/culturaipsilon/n
(in: https://www.facebook.com/groups/ema
Não costumo comentar – nem comentarei – o diz que disse. Dispenso opiniões em segunda mão quando este blogue tem comentários abertos e acolhe portanto opiniões em primeira mão.
E muitas têm aparecido aqui, entre ontem e hoje.
Se há “graves incorrecções” na lista, não as descortino. Pelo contrário, os únicos nomes que vejo mencionados são de escritores que já tomaram inúmeras posições contra o AO90 e têm obras, até recém-editadas, escritas em português correcto.
O ponto é este. Não enveredo por polémicas laterais que em nada me interessam e desviam a atenção do essencial: a lista dos escritores que rejeitam o AO90 é incomparavelmente maior do que o número daqueles que a ele se submetem de forma acrítica.
Quem milita contra o “acordo” deve ter a preocupação de somar, não de subtrair.
Teresa Salema
Já incluí, Ana, graças à sua dica. Que lhe agradeço.
Não sabia que Portugal tinha tantos escritores!
Neste capitulo estamos em “ranking” mundial estaremos?
E há ainda uns poetas sobressalentes, que nem assinam o nome talvez por excesso de timidez.
Há muitos mas escrevem quase todos sobre o Ultramar. Parece que estão entalados.
Estão “dececionados”.
Caro Pedro, vejo que falta na lista alguém cujo nome comece por «O». Pelo que, com alguma imodéstia, de que peço desculpa, me ofereço para preencher a «lacuna»… 😉
Proponho igualmente os nomes de David Soares e de Deana Barroqueiro. E faltam sem dúvida outros, que a seu tempo poderei recordar e sugerir.
Fica bem preenchida a letra O, Octávio. Agradeço-lhe o trio de sugestões. Sem consoantes suprimidas.
Pode juntar o meu nome à lista dos que não escrevem em acordês. Nos meus livros, aparece sempre na ficha técnica
“A autora não aceita o AO 90 e a sua escrita reflecte esse facto”
Livros publicados:
– Notas à Sombra dos Tempos
– Fios de Luz
– Poemas na Densidade (sob o pseudónimo Tessa Estate)
Obrigada.
Mariana Inverno
Um pedido irrecusável. O seu nome acaba de integrar esta lista de verdadeiros notáveis.
Caro Pedro
Pode acrescentar Pedro Medina Ribeiro
Com os melhores cumprimentos
Deana Barroqueiro
Ficou agora acrescentado, Deana. Muito obrigado pela sugestão. E pela visita.
10 minutos na fila dos CTT a espreitar os livros à venda e, como resultado, mais uns nomes de autores que escrevem em português: Fernando Esteves Pinto, Ana Casaca, Fernando Alvim, Luís Coelho.
Acrescento ainda Onésimo Teotónio Almeida e Pedro Garcia Rosado.
Volto a agradecer-lhe, Ana. Mas tenho as maiores dúvidas em relação ao Onésimo e ao Pedro Rosado.
Caro Pedro, talvez eu tenha consultado livros mais antigos. Se assim é, as minhas desculpas pelo descuido. Vou tentar confirmar em edições muito recentes.
Ana, só posso agradecer-lhe esta colaboração amiga. É por uma justa causa, que ambos partilhamos.
LÁGRIMAS FERIDAS autor Helder Filipe da Silva Monteiro agrimas-feridas
https://www.chiadoeditora.com/livraria/l
Fernando Paulo Baptista, Daniel Luís, Maria Saraiva de Menezes
Novamente agradeço, Ana.
Prezado Pedro Correia,
O nome de Frederico Lourenço deveria ser retirado, pois já criticou a crítica ao ao90. É acordista, como quase toda a academia e os classicistas de Coimbra (por sujeição à determinação local ou porque participaram na coisa, como Maria Helena Rocha Pereira e seus discípulos).
Meu caro Rui: há pessoas que antes criticavam o AO90 e acabaram por aderir à coisa. Pela mesma lógica, admito perfeitamente a existência de opiniões em sentido contrário. Na política registei – entre outros – o caso do eurodeputado socialista Francisco Assis, anteriormente adepto do “acordo” e que passou a assumir críticas frontais à letra e ao espírito do AO90. 49091.html gestao-um-livro-por-dia-7753794
No caso do Frederico Lourenço registo estes livros de que dei nota aqui no DELITO, ambos expurgados do acordês:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/58
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/su
O mais recente, portanto, data de Setembro de 2015.
Vou manter FL neste quadro de honra, portanto. A menos que ele se sinta mal acompanhado, hipótese que me custa muito a admitir.
Paulo Guinote, Francisco Miguel Valada, Pedro Correia.
Caro Pedro: alsa-unidade-ortografica-25921941 ma-boa-reflexao-sobre-o-ao90.html idados/interior/o-chamado-novo-acordo-or tografico-um-descaso-politico-e-juridico-2 300823.html»
Enviei recentemente aos meus amigos este texto por e-mail (mais de 60 endereços, com pedido de reenvio aos seus amigos).
Sempre ajuda a quem se quiser informar.
«O PR, Marcelo Rebelo de Sousa, levantou recentemente a discussão sobre o Aborto Ortográfico (perdão, Acordo Ortográfico).
Quem quiser ficar verdadeiramente informado sobre o dito, e ficar incrédulo com o seguidismo e a pressa com que o mesmo foi aprovado e posto em prática nos jornais e outros meios de comunicação, assim como nas instituições do Estado, deve ler estes três artigos.
Cada um aborda o tema por uma perspectiva.
Perspectiva linguística:
«A falsa unidade ortográfica»
Maria Regina Rocha
Professora e Consultora do Ciberdúvidas
http://www.publico.pt/opiniao/jornal/a-f
Perspectiva cultural:
«Nove argumentos contra o Acordo Ortográfico de 1990»
Manuela Torres
Prof.ª da Faculdade de Letras de Lisboa?
http://dererummundi.blogspot.pt/2016/05/u
Perspectiva jurídica:
«O chamado “novo acordo ortográfico”: um descaso político e jurídico
José de Faria Costa
Francisco Ferreira de Almeida
Professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/conv
(Manuel Silva)
Faz muito bem, meu caro Manuel. Até por se tratar de uma questão de cidadania.
Tal como se pronunciaram em referendo sobre a reforma de 1911…
Nessa altura não havia referendo em Portugal. Agora há.
Só não percebo porque é que agora se movimentam contra o Acordo Ortográfico, não o deveriam ter feito à época, quando estava em discussão?!?!
Os nomes aqui referidos são de pessoas que sempre mantiveram a posição que têm em relação ao AO90. Mas alguma vez o tema esteve realmente em discussão?
Quantas vezes a Presidência da República, o Governo e o Parlamento, por exemplo, promoveram debates nesse sentido?
Não seria possível elaborarem, também, uma lista de escritores “acordistas”? Para ficarmos mais alerta e os evitarmos… Cumprimentos.
Meu caro, essa não é a minha praia. Mas quem for adepto da causa que trate disso. Não será certamente neste blogue.
Posso garantir-lhe que a lista é muito menor, não duvide.
Não estou a duvidar – antes pelo contrário, se é importante dizê-lo. É exactamente por isso que fico estarrecido com o destaque que conhecidos “acordistas”, como o José Eduardo Agualusa, têm na comunicação social, sem que tenhamos direito ao chamado contraditório. Mas, obviamente, o Pedro Correia é que manda na sua casa…
Há sempre estratégias editoriais, correspondentes a interesses comerciais, por detrás da promoção de uns quantos escritores.
Mas naquilo que aqui me interessa não há a menor hipótese de dúvida: é esmagadora a percentagem dos escritores portugueses que rejeitam o AO90, em comparação com os que o acolhem.
E entre os que rejeitam o acordês figuram os melhores. De Agustina a Lobo Antunes, de Lídia Jorge a Eduardo Lourenço, de Luísa Costa Gomes a Manuel Alegre, de Hélia Correia a Mário Cláudio, de Nuno Júdice a José Gil, de Rentes de Carvalho a Eugénio Lisboa, de Maria do Rosário Pedreira a Marcello Duarte Mathias, de Gastão Cruz a João Miguel Fernandes Jorge.
Onde estão todos estes escritores que não dão a cara nem a voz para defender publicamente a Língua? Que não se juntam a nós, que andamos aqui a gritar, para sermos ouvidos em São Bento?
Estes escritores não estão escondidos. Estão aí, cumprindo a vocação. Usando o idioma da forma que sabem melhor. Escrevendo. Em livros, jornais, revistas, blogues. Assinando manifestos, dando entrevistas, usando o direito à cidadania para se oporem ao AO90.
Alguns não dizem nada: limitam-se a escrever. Mostrando-nos como se escreve, como se deve escrever.
É pouco? A mim parece-me muito. A mim parecem-me muitos. A mim parecem-me cada vez mais.
Eles não funcionam num mundo à parte. Estão no meio de nós.
Ainda bem, Pedro Correia.
Obrigada, pela sua resposta.
Alguns deles conheço. Outros não.
Para mim, não basta não adoptar o AO90. Tem de se lutar para que seja banido, para bem das nossas crianças que estão a ser enganadas.
Eu, todos os dias, escrevo textos, e envio-os a uma série de entidades, governantes, políticos, sindicatos, protestando contra esta imposição ilegal e maléfica; e se todos os escritores desta lista, e os que faltam nesta lista, o fizessem também, talvez pudessem ajudar de um modo mais activo.
Foi isto que eu pretendi dizer, mas talvez não tivesse sido compreendida.
Temos de ser mais activos.
Faz muito bem, Isabel. Julgo que o passo mais importante, a partir de agora, é a exigência de um referendo nacional sobre a matéria.
Não sou a favor de um referendo, Pedro Correia.
Ainda não temos um povo suficientemente esclarecido, na sua maioria, para poder responder claramente a uma pergunta, que naturalmente seria uma armadilha.
Isto é uma questão política. E são os políticos que têm de resolvê-la racionalmente, cumprindo a Constituição da República Portuguesa, com um “empurrão” do presidente da República, que jurou defendê-la, cumpri-la e fazer cumpri-la e não está a cumprir o juramento em nenhum destes itens, no que respeita à Língua Oficial Portuguesa.
Nisso discordamos, Isabel. Eu sou favorável a todas as acções que ponham fim ao AO90, incluindo um referendo. E não tenho dúvida de que a esmagadora maioria dos eleitores portugueses é contrária ao “acordo” – desde logo porque não o utilizam, não sabem utilizá-lo (basta ler o ‘Diário da República’ para se perceber isso) nem querem utilizá-lo.
Discordo, precisamente porque a esmagadora maioria dos eleitores portugueses votam naquilo que o partido político da simpatia deles lhes disserem para votar. Seja bom ou mau. Se um poste estiver embrulhado na bandeira do partido, eles votam no poste.
E prova disso é termos no governo sempre os mesmos (maus) políticos.
E se for para as aldeias acompanhar umas eleições (como já fui) comprovará facilmente o que digo.
Também sou favorável a todas as acções que possam pôr fim a este aborto ortográfico. E se isso passar também por um referendo, serei a primeira a votar.
Jamais desconfiarei da sagacidade eleitoral dos nossos compatriotas, Isabel. O problema neste caso é inverso: nunca os portugueses foram chamados a pronunciar-se sobre a questão, os políticos que enchem a boca com a palavra “povo” estiveram-se nas tintas para a opinião popular nesta matéria. E no entanto são inúmeras as evidências de rejeição clara ao AO90 no país real, como aliás tenho demonstrado no DELITO ao longo destes anos.
Há, de resto, opositores declarados ao “acordo” em todos os partidos. Não por acaso, sete dos dez candidatos presidenciais no escrutínio de Janeiro optaram pela grafia pré-AO90 nos documentos de campanha.
Pois eu não me fio nos partidos, nem nos políticos, nem nos eleitores.
Como lhes envio muitos textos, também recebo respostas, e estas vêm em “acordes”. O único partido que não escreve segundo o AO90 é o PCP. Mas este também anda muito caladinho.
Os outros: BE, PEV, PS, PSD, CDS/PP e PAN aderiram muito facilmente ao que deviam combater.
Aliás, Pedro Correia, não sei se já reparou que o actual governo, apesar de toda a agitação em torno desta matéria, anda muito caladinho, para o meu gosto.
Mas a petição para o referendo já não terá o número suficiente de assinaturas para ser entregue na AR?
Julgo que sim, Isabel. Não tenho acompanhado de perto a questão, mas estarei a partir de agora mais atento.
Então estaremos os dois mais atentos.
Bem-haja por este seu “Delito”.
Eu é que agradeço, Isabel. Vá aparecendo por cá. E comente sempre que quiser.
Obrigada, Pedro Correia. Aparecerei.
Gostei da harmonia deste lugar.
Ainda bem. Gostei de saber.
Por não praticar, hoje, com regularidade, a Arte da Escrita na sua vertente estética, não me considero verdadeiramente um «escritor».
Uso, contudo, com muita regularidade a escrita — e procuro usá-la com algum cuidado e rigor –, quer em livros que tenho editados, quer em artigos que vou publicando e, o que aqui releva, nessa actividade, recuso-me, com zelo militante, a usar o (des)Acorso Ortográfico a que nos querem administrativamente obrigar.
Ficarei, portanto, muito agradado se vir o meu nome na vossa lista.
Luis Manuel Mateus
Já aí está na lista, Luís. E bem acompanhado. Com todo o gosto da minha parte.
José Viale Moutinho, para acrescentar à lista… https://www.wook.pt/autor/jose-viale-mou tinho/3029
Não sabia que o Viale, meu ex-colega do DN, também era anti-AO90. Já entrou na lista.
E agradeço-lhe a referência.
Que importa os escritores discordarem do “aborto ortográfico”, se nada fazem para o aniquilarem? Pois haja coragem::
Façam um texto bem redigido, expressivo, e fundamentado àcerca deste “aborto ortográfico”.
Ponham-no a circular na NET, e à consideração do pessoal anti-acordista, que são aos milhares, e que se recolha o maior número de assinaturas, aliás penso que não são necessárias, basta juntar as assinaturas já recolhidas e identificadas noutras ocasiões em petições e para o referendo. O documento elaborado será então remetido ao Tribunal Europeu de Justiça, com conhecimento ao Parlamento Europeu, e às entidades importantes do País (Presidente da República, Presidente do Parlamento, Governo, deputados com assento parlamentar, Tribunal administrativo, Supremo etc… )
Não tenhamos ilusões, com o devido respeito pelas opiniões efectuadas em diversos blogues, que ninguém lê, andamos a perder tempo, aturando gente que não se conhece e sem escrúpulos.
O que acham desta proposta!
Cumprimentos
Gostaria mais da sua proposta se tivesse uma assinatura por baixo.
Mas retribuo com gosto os cumprimentos.
Pedro Correia, sendo eu também uma autora portuguesa, que rejeita o AO90, e tem os seus livros publicados em Língua Portuguesa, talvez pudesse constar desta lista, mas isto deixo à sua consideração.
Isabel, sim, numa futura lista.
Esta está arrumada, já tem nove anos.
Infelizmente constam dela vários (demasiados) escritores que faleceram entretanto: Agustina, Adília Lopes, António de Macedo, Armando Silva Carvalho, Artur Portela, Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Fernando Echevarria, Freitas do Amaral, Gastão Cruz, Isabel da Nóbrega, João David Pinto Correia, João Lobo Antunes, Joaquim Pessoa, José Augusto França, Luís Carmelo, Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Nuno Júdice, Paulo Tunhas, Pedro Tamen, Vítor Aguiar e Silva…
Há também escritores que eram anti-AO90 e não figuravam nela – nem irão figurar pois entretanto faleceram também. Lembro-me, por exemplo, do Jorge Silva Melo.
Além disso outros (poucos) converteram-se desde então ao “acordismo”. Reparo em três ou quatro: Carla Quevedo, João Céu e Silva, Luís Naves…
São circunstâncias irrepetíveis. Haverá outra lista actualizada. Esta permanece no arquivo, intocada.