Escritores discordam do “acordo” (em actualização)


Pedro Correia,

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Acredito que os portugueses ainda se pronunciarão em referendo sobre o chamado “acordo ortográfico” de 1990, vigente desde 2011 no país oficial mas votado ao desprezo pelo país real. A esmagadora maioria dos portugueses não sabe escrever em acordês nem está interessada nisso.

Enquanto o referendo não se realiza, a opinião sobre o AO90 é emitida pelos nossos escritores – os mais qualificados utentes do idioma de Camões, Vieira, Camilo, Aquilino e Nemésio. Na sua esmagadora maioria, recusam exterminar as supostas consoantes mudas, recusando a ortografia acordística.

Interrogo-me: como é possível impor regras ortográficas que os escritores rejeitam em número tão expressivo?

São autores de várias gerações, diferentes tendências políticas e diversos estilos literários. Mas com este ponto em comum.

Aqui deixo os nomes deles, por ordem alfabética, prometendo alargar a lista à medida que alguém me for assinalando omissões – o que agradeço desde já:

 

Abel Barros Baptista

Abel Neves

Adília Lopes

Afonso Cruz

Afonso Reis Cabral

Agustina Bessa-Luís

Alexandre Borges

Alice Brito

A. M. Pires Cabral

Ana Casaca

Ana Cássia Rebelo

Ana Cristina Silva

Ana Isabel Buescu

Ana Luísa Amaral

Ana Margarida Carvalho

Ana Marques Gastão

Ana Paula Inácio

Ana Teresa Pereira

Ana Vidal

Ana Zanatti

André Gago

António Carlos Cortez

António Barahona da Fonseca

António Barreto

António Borges Coelho

António Cabrita

António Costa Santos

António de Macedo

António Emiliano

António Feijó

António Guerreiro

António Lobo Antunes

António Louçã

António Manuel Venda

António Modesto Navarro

António Salvado

António Tavares

António Victorino d’ Almeida

Armando Silva Carvalho

Arnaldo Saraiva

Artur Portela

Baptista-Bastos

Beatriz Hierro Lopes

Bernardo Pires de Lima

Bruno Vieira Amaral

Carla Hilário Quevedo

Carlos Campaniço

Carlos Fiolhais

Carlos Querido

Casimiro de Brito

Célia Correia Loureiro

César Alexandre Afonso

Clara Pinto Correia

Cláudia R. Sampaio

Cristina Carvalho

Daniel Jonas

David Machado

David Soares

Deana Barroqueiro

Desidério Murcho

Diogo Freitas do Amaral

Diogo Ramada Curto

Dulce Maria Cardoso

Eduardo Cintra Torres

Eduardo Lourenço

Eduardo Pitta

Ernesto Rodrigues

Eugénia de Vasconcellos

Eugénio Lisboa

Fausta Cardoso Pereira

Fernando Alvim

Fernando Dacosta

Fernando Echevarria

Fernando Paulo Baptista

Fernando Pinto do Amaral

Fernando Venâncio

Filipa Leal

Filipe Nunes Vicente

Filipe Verde

Francisco Moita Flores

Francisco Salgueiro

Frederico Lourenço

Frederico Pedreira

Gabriela Ruivo Trindade

Gastão Cruz

Gonçalo Cadilhe

Gonçalo M. Tavares

Helena Malheiro

Helena Sacadura Cabral

Henrique Manuel Bento Fialho

Hélia Correia

Inês Botelho

Inês Dias

Inês Fonseca Santos

Inês Lourenço

Inês Pedrosa

Irene Flunser Pimentel

Isabel da Nóbrega

Isabel Pires de Lima

Ivone Mendes da Silva

Jaime Nogueira Pinto

Jaime Rocha

João Barrento

João Céu e Silva

João David Pinto Correia

João de Melo

João Lobo Antunes

João Luís Barreto Guimarães

João Miguel Fernandes Jorge

João Morgado

João Paulo Sousa

João Pedro George

João Pedro Mésseder

João Pedro Marques

João Pereira Coutinho

João Ricardo Pedro

João Tordo

Joaquim Letria

Joaquim Magalhães de Castro

Joaquim Pessoa

Joel Neto 

Jorge Araújo

Jorge Buescu

Jorge Morais Barbosa

Jorge Sousa Braga

José António Barreiros

José Augusto França

José Barata Moura

José do Carmo Francisco

José Fanha

José Gil

José Jorge Letria

José Manuel Saraiva

José Mário Silva

José Miguel Silva

José Navarro de Andrade

José Pacheco Pereira

José Rentes de Carvalho

José Riço Direitinho

José Viale Moutinho

Júlio Machado Vaz

Lídia Jorge

Lourenço Pereira Coutinho

Luís Carmelo

Luís Filipe Castro Mendes

Luís Manuel Mateus

Luís Naves

Luís Quintais

Luísa Costa Gomes

Luísa Ferreira Nunes

Luiz Fagundes Duarte

Manuel Alegre

Manuel Arouca

Manuel da Silva Ramos

Manuel de Freitas

Manuel Gusmão

Manuel Jorge Marmelo

Manuel Tomás

Manuel Villaverde Cabral

Marcello Duarte Mathias

Margarida Acciaiuoli

Margarida Fonseca Santos

Margarida Palma

Margarida Rebelo Pinto

Maria Alzira Seixo

Maria de Fátima Bonifácio

Maria do Carmo Vieira

Maria do Rosário Pedreira

Maria Filomena Molder

Maria Filomena Mónica

Maria Helena Serôdio

Maria João Lopo de Carvalho

Maria Manuel Viana

Maria Saraiva de Menezes

Maria Teresa Horta

Maria Velho da Costa

Maria Vitalina Leal de Matos

Mariana Inverno

Mário Cláudio

Mário de Carvalho

Mário Zambujal

Marlene Ferraz

Miguel Cardoso

Miguel Esteves Cardoso

Miguel Gullander

Miguel Real

Miguel Sousa Tavares

Miguel Tamen

Nuno Amado

Nuno Camarneiro

Nuno Costa Santos

Nuno Júdice

Nuno Lobo Antunes

Nuno Markl

Nuno Rogeiro

Octávio dos Santos

Orlando Leite

Patrícia Baltazar

Patrícia Reis

Paula Morão

Paulo Castilho

Paulo da Costa Domingos

Paulo Guinote

Paulo Moreiras

Paulo Tunhas

Pedro Almeida Vieira

Pedro Barroso

Pedro Chagas Freitas

Pedro Eiras

Pedro Guilherme-Moreira

Pedro Marta Santos

Pedro Medina Ribeiro

Pedro Mexia

Pedro Paixão

Pedro Sena-Lino

Pedro Tamen

Porfírio Silva

Possidónio Cachapa

Rafael Augusto

Raquel Nobre Guerra

Raquel Ochoa

Renata Portas

Ricardo Adolfo

Ricardo António Alves

Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Paes Mamede

Rita Ferro

Rodrigo Guedes de Carvalho

Rosa Maria Martelo

Rosa Oliveira

Rui Ângelo Araújo

Rui Cardoso Martins

Rui Cóias

Rui Herbon

Rui Manuel Amaral

Rui Pires Cabral

Rui Ramos

Rui Vieira Nery

Rute Silva Correia

Ruy Ventura

Sarah Adamopoulos

Sérgio Godinho

Soledade Martinho Costa

Susana Gaião Mota

Sylvia Beirute

Tatiana Faia

Teolinda Gersão

Teresa Salema Cadete

Teresa Veiga

Tiago Cavaco

Tiago Patrício

Tiago Rebelo

Tiago Salazar

Valério Romão

Valter Hugo Mãe

Vasco Luís Curado

Vasco Pulido Valente

Vítor Aguiar e Silva

Vítor Oliveira Jorge

Yvette Centeno

 

Texto originalmente publicado a 7 de Maio.

A lista foi muito ampliada, mencionando agora 260 nomes

0 comentários em “Escritores discordam do “acordo” (em actualização)”

  1. Miguel Real (ainda que pseudónimo). Suponho que a lista considere apenas, naturalmente, aqueles ainda entre nós. Por dias, nela não caberá Paulo Varela Gomes.

    Costa

      1. Caro Pedro:
        O José Pacheco Pereira publicou hoje um artigo de fôlego sobre o Aborto Ortográfico no jornal Público.
        Vale a pena lê-lo.
        Embora seja pérolas a porcos em relação aos poderes públicos que podiam deitá-lo para o caixote do lixo da pequena História, assim como para os crentes da nova igreja acordista.

          1. Não leio há muitos anos esse jornal, onde dizem vigorar uma feroz ditadura acordística, Antonieta. Do Miguel Real conheço os livros – e nesses não encontrei consoantes mutiladas.

          2. Apenas o compro ocasionalmente, quando o tema de capa me interessa mesmo muito.
            Penso que o Pedro tem razão quando fala em feroz ditadura acordística, porquanto reparei que todos os textos estão em acordês, mesmo os de alguns escritores aqui listados e que escrevem os seus livros correctamente.
            Lamentável…
            🙂 Antonieta

          3. Não entendo como é que um jornal feito por intelectuais e dirigido a intelectuais, em vez de estimular a liberdade, impõe o dogma. Isso foi um dos motivos que me levaram há vários anos a deixar de ler essa publicação. O mesmo aconteceu, imagino, com muita gente.

    1. Publicar três livros em três anos não faz de mim um escritor, meu amigo. Não confundamos as coisas. Mas tenho a certeza de que faltam aqui nomes importantes. Esta lista vai manter-se aberta por isso mesmo.
      Um abraço. E apesar da chuva lá estarei logo em Alvalade.

  2. Aqui ficam mais três nomes para acrescentar à lista:
    Teresa Veiga
    Dulce Maria Cardoso
    Gabriela Ruivo Trindade.
    🙂 Antonieta

          1. É um prazer colaborar, Pedro.
            E lá vai mais um trio:
            Adília Lopes
            André Gago
            Luísa Ferreira Nunes
            🙂 Antonieta

          2. Eu continuo à pesca aqui nos meus livros e já encontrei mais:
            Pedro Paixão
            Ferreira Fernandes
            Rita Redshoes
            Carlos Vaz Marques, se considerarmos os prefácios e os livros de entrevistas.
            🙂 Antonieta

  3. Margarida Rebelo Pinto e Miguel Sousa Tavares são escritores?
    Talvez se considerarmos que são capazes do acto de escrever.
    Nem todos os que escrevem são escritores.
    Esses dois, na minha opinião, não o são.
    Serão uns escrevinhadores, mais ou menos, (in)competentes de crónicas manhosas mas não mais do que isso.

  4. Fazer um referendo, agora que os pobres dos alunos são penalizados nos testes e nos exames?! Que uns “erros de acordês” podem influenciar a entrada num curso superior?! Ainda estou para ver como vão ser corrigidos os exames de português este ano. País desgraçado onde já não chegava a divisão entre jovens e velhos; funcionários públicos e privados; empregados e desempregados…agora, também temos os “obrigados” a escrever em acordês e os “facultativos…

    1. Os alunos escrevem em várias grafias – a mais frequente das quais é a grafia de telemóvel. Com tantas alterações curriculares e pedagógicas, em cada ano lectivo que passa, fazer reverter a grafia oficial seria a mais defensável e a menos penosa. Aliás eles sabem escrever até na grafia anterior à da anterior: ou seja, anterior à de 1911. A equivalente à das palavras inglesas como “pharmacy” ou “science”, mantidas na língua mais falada e mais escrita do planeta.

    1. O João Ricardo Pedro já cá está.
      (E o João Morgado, na recomendação de livro, imediatamente abaixo).
      Obrigado de qualquer modo pela achega, Ana. Continuam a faltar bastantes mais, tenho a certeza.

      1. Pedro Correia, o JRS optou pelo AO no último livro.
        De nada, sempre em luta pela nossa língua!

  5. Boa tarde.
    Tenho a certeza, basta ver a página de Facebook do escritor, que José Luís Peixoto segue o AO90, por muito triste que isso me deixe. Quanto ao José Rodrigues dos Santos, embora sem certezas, creio lembrar-me de recentemente ter ouvido que o seu último livro segue o AO90…

  6. José Rodrigues dos Santos e José Luís Peixoto, por exemplo, sempre se mostraram favoráveis ao acordo, embora possam não o aplicar nos seus livros. O autor da publicação tem de decidir qual dos planos quer aplicar à lista.

      1. E onde está essa evidência? «Escritores discordam do “acordo”», e depois vai-se ver e afinal é só porque não o aplicam nos seus livros? Ainda se tiverem uma nota a indicá-lo expressamente… Todos os da lista têm, garante isso? É que muitos são grandes defensores do acordo. Que baralhada.

        1. Qual é o critério para avaliar se um escritor segue ou não o AO90 senão o da ortografia que adopta nos livros e/ou nos textos publicados na imprensa e/ou nos manifestos e nas petições que assinou contra o dito “acordo”?
          Mais cristalino do que isto é impossível. Daqui se infere que baralhado anda você. Tão baralhado aliás que nem se identifica para além das iniciais JC. Querem dizer o quê? Jesus Cristo? Juventude Centrista? Jornal do Comércio? Francamente, gosto pouco de dialogar com iniciais.

          1. É o Jaquim da Conquilha, já podemos dialogar assim? Deixe-se disso. O senhor infere que os autores, por não aplicarem o acordo nos seus livros, são contra. Não é de todo assim, como já vimos anteriormente. Induz quem aqui vier em erro. Se o autor incluir uma nota em que recusa expressamente o acordo, tudo bem, se não o fizer, tendo opiniões expressas a favor, tudo mal, lamento. Não é assim que se presta um serviço à meritoria causa anti-AO. É jornalista, deveria ter mais cuidado e rigor naquilo que escreve.

  7. Dom Diniz
    Fernão Lopes
    Sá de Miranda
    Luís de Camões
    Manuel Barbosa du Bocage
    Camilo de Castelo Branco
    Eça de Queiróz
    Fernando Pessoa
    Mário de Sá-Carneiro

      1. Só tenho pena de já não poder incluir aqui o Manuel António Pina e o Vasco Graça Moura e o Dinis Machado. E ainda Maria Lúcia Lepecki e Urbano Tavares Rodrigues e Antonio Tabucchi – todos opositores declarados do AO90.

          1. E Tabucchi teria sofrido a dobrar uma vez que os italianos também não não se poupam a mutilar a sua própria ortografia de acordo com a ditadura da fala ignorante sobre o étimo.

            Tabucchi foi um bom amigo de Portugal, é pena ter partido tão cedo.

  8. Fernando Venâncio, Paulo Guinote, David Machado, Nuno Rogeiro, Ana Cássia Rebelo, Pedro Seromenho, César Alexandre Afonso, Cesário Borga, Júlio Machado Vaz, Miguel Támen.

    1. O comentário é meu, estupidamente esqueci-me de me identificar. Todos estes autores que referi já foram publicados e têm a obra à venda na Wook, por exemplo. Além de terem sido publicitados no blogue https://portuguesdefacto.wordpress.com/, onde o acordês não entra por fazer mal à saude da nossa língua 🙂

  9. Tenho vários livros publicados, todos sem usar o acordo ortográfico. A excepção são os manuais escolares, onde sou obrigado por lei a usar a malfadada ortografia. E o meu próximo livro, que está no prelo, não segue o acordo ortográfico.

    Bem haja pela publicação desta lista.

  10. Quando se escrevia PHarmácia… co PH

    Eça disse: “Não vou em acordos… continuarei a escrever pharmácia…”!!!

    1. Alguns dão urras à aproximação entre a escrita e a fonética, considerando isso um sintoma de “progresso”. Enquanto recorrem diariamente ao inglês, o idioma mais falado e mais escrito do mundo – em que escrita e fonética divergem irremediavelmente.

  11. Reproduzo:
    Madalena Homem Cardoso escreveu: “Essa lista tem graves incorrecções… Inês Pedrosa, que sempre se posicionou contra o AO, disse que não pôde dizer que não a 6 mil euros (ou 10 mil, já não sei ao certo) e permitiu a re-edição em “acordês” do seu livro de maior sucesso, destinada às BIBLIOTECAS ESCOLARES. Outro caso, muito mais grave, é José Jorge Letria:
    https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/autores-infantojuvenis-colaboracionismo-ortografico-1710801?page=-1“
    (in: https://www.facebook.com/groups/emaccao/permalink/1136845319694173/?comment_id=1136855443026494&comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R0%22%7D)

    1. Não costumo comentar – nem comentarei – o diz que disse. Dispenso opiniões em segunda mão quando este blogue tem comentários abertos e acolhe portanto opiniões em primeira mão.
      E muitas têm aparecido aqui, entre ontem e hoje.

      Se há “graves incorrecções” na lista, não as descortino. Pelo contrário, os únicos nomes que vejo mencionados são de escritores que já tomaram inúmeras posições contra o AO90 e têm obras, até recém-editadas, escritas em português correcto.

      O ponto é este. Não enveredo por polémicas laterais que em nada me interessam e desviam a atenção do essencial: a lista dos escritores que rejeitam o AO90 é incomparavelmente maior do que o número daqueles que a ele se submetem de forma acrítica.
      Quem milita contra o “acordo” deve ter a preocupação de somar, não de subtrair.

  12. Caro Pedro, vejo que falta na lista alguém cujo nome comece por «O». Pelo que, com alguma imodéstia, de que peço desculpa, me ofereço para preencher a «lacuna»… 😉

    Proponho igualmente os nomes de David Soares e de Deana Barroqueiro. E faltam sem dúvida outros, que a seu tempo poderei recordar e sugerir.

  13. Pode juntar o meu nome à lista dos que não escrevem em acordês. Nos meus livros, aparece sempre na ficha técnica
    “A autora não aceita o AO 90 e a sua escrita reflecte esse facto”
    Livros publicados:
    – Notas à Sombra dos Tempos
    – Fios de Luz
    – Poemas na Densidade (sob o pseudónimo Tessa Estate)

    Obrigada.
    Mariana Inverno

  14. 10 minutos na fila dos CTT a espreitar os livros à venda e, como resultado, mais uns nomes de autores que escrevem em português: Fernando Esteves Pinto, Ana Casaca, Fernando Alvim, Luís Coelho.
    Acrescento ainda Onésimo Teotónio Almeida e Pedro Garcia Rosado.

      1. Caro Pedro, talvez eu tenha consultado livros mais antigos. Se assim é, as minhas desculpas pelo descuido. Vou tentar confirmar em edições muito recentes.

  15. Prezado Pedro Correia,

    O nome de Frederico Lourenço deveria ser retirado, pois já criticou a crítica ao ao90. É acordista, como quase toda a academia e os classicistas de Coimbra (por sujeição à determinação local ou porque participaram na coisa, como Maria Helena Rocha Pereira e seus discípulos).

    1. Meu caro Rui: há pessoas que antes criticavam o AO90 e acabaram por aderir à coisa. Pela mesma lógica, admito perfeitamente a existência de opiniões em sentido contrário. Na política registei – entre outros – o caso do eurodeputado socialista Francisco Assis, anteriormente adepto do “acordo” e que passou a assumir críticas frontais à letra e ao espírito do AO90.
      No caso do Frederico Lourenço registo estes livros de que dei nota aqui no DELITO, ambos expurgados do acordês:
      http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5849091.html
      http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/sugestao-um-livro-por-dia-7753794
      O mais recente, portanto, data de Setembro de 2015.
      Vou manter FL neste quadro de honra, portanto. A menos que ele se sinta mal acompanhado, hipótese que me custa muito a admitir.

  16. Caro Pedro:
    Enviei recentemente aos meus amigos este texto por e-mail (mais de 60 endereços, com pedido de reenvio aos seus amigos).
    Sempre ajuda a quem se quiser informar.
    «O PR, Marcelo Rebelo de Sousa, levantou recentemente a discussão sobre o Aborto Ortográfico (perdão, Acordo Ortográfico).
    Quem quiser ficar verdadeiramente informado sobre o dito, e ficar incrédulo com o seguidismo e a pressa com que o mesmo foi aprovado e posto em prática nos jornais e outros meios de comunicação, assim como nas instituições do Estado, deve ler estes três artigos.
    Cada um aborda o tema por uma perspectiva.
    Perspectiva linguística:
    «A falsa unidade ortográfica»
    Maria Regina Rocha
    Professora e Consultora do Ciberdúvidas
    http://www.publico.pt/opiniao/jornal/a-falsa-unidade-ortografica-25921941
    Perspectiva cultural:
    «Nove argumentos contra o Acordo Ortográfico de 1990»
    Manuela Torres
    Prof.ª da Faculdade de Letras de Lisboa?
    http://dererummundi.blogspot.pt/2016/05/uma-boa-reflexao-sobre-o-ao90.html
    Perspectiva jurídica:
    «O chamado “novo acordo ortográfico”: um descaso político e jurídico
    José de Faria Costa
    Francisco Ferreira de Almeida
    Professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
    http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/o-chamado-novo-acordo-ortografico-um-descaso-politico-e-juridico-2300823.html»
    (Manuel Silva)

  17. Só não percebo porque é que agora se movimentam contra o Acordo Ortográfico, não o deveriam ter feito à época, quando estava em discussão?!?!

    1. Os nomes aqui referidos são de pessoas que sempre mantiveram a posição que têm em relação ao AO90. Mas alguma vez o tema esteve realmente em discussão?
      Quantas vezes a Presidência da República, o Governo e o Parlamento, por exemplo, promoveram debates nesse sentido?

    1. Meu caro, essa não é a minha praia. Mas quem for adepto da causa que trate disso. Não será certamente neste blogue.
      Posso garantir-lhe que a lista é muito menor, não duvide.

      1. Não estou a duvidar – antes pelo contrário, se é importante dizê-lo. É exactamente por isso que fico estarrecido com o destaque que conhecidos “acordistas”, como o José Eduardo Agualusa, têm na comunicação social, sem que tenhamos direito ao chamado contraditório. Mas, obviamente, o Pedro Correia é que manda na sua casa…

        1. Há sempre estratégias editoriais, correspondentes a interesses comerciais, por detrás da promoção de uns quantos escritores.
          Mas naquilo que aqui me interessa não há a menor hipótese de dúvida: é esmagadora a percentagem dos escritores portugueses que rejeitam o AO90, em comparação com os que o acolhem.
          E entre os que rejeitam o acordês figuram os melhores. De Agustina a Lobo Antunes, de Lídia Jorge a Eduardo Lourenço, de Luísa Costa Gomes a Manuel Alegre, de Hélia Correia a Mário Cláudio, de Nuno Júdice a José Gil, de Rentes de Carvalho a Eugénio Lisboa, de Maria do Rosário Pedreira a Marcello Duarte Mathias, de Gastão Cruz a João Miguel Fernandes Jorge.

  18. Onde estão todos estes escritores que não dão a cara nem a voz para defender publicamente a Língua? Que não se juntam a nós, que andamos aqui a gritar, para sermos ouvidos em São Bento?

    1. Estes escritores não estão escondidos. Estão aí, cumprindo a vocação. Usando o idioma da forma que sabem melhor. Escrevendo. Em livros, jornais, revistas, blogues. Assinando manifestos, dando entrevistas, usando o direito à cidadania para se oporem ao AO90.
      Alguns não dizem nada: limitam-se a escrever. Mostrando-nos como se escreve, como se deve escrever.
      É pouco? A mim parece-me muito. A mim parecem-me muitos. A mim parecem-me cada vez mais.
      Eles não funcionam num mundo à parte. Estão no meio de nós.

      1. Ainda bem, Pedro Correia.
        Obrigada, pela sua resposta.
        Alguns deles conheço. Outros não.

        Para mim, não basta não adoptar o AO90. Tem de se lutar para que seja banido, para bem das nossas crianças que estão a ser enganadas.

        Eu, todos os dias, escrevo textos, e envio-os a uma série de entidades, governantes, políticos, sindicatos, protestando contra esta imposição ilegal e maléfica; e se todos os escritores desta lista, e os que faltam nesta lista, o fizessem também, talvez pudessem ajudar de um modo mais activo.

        Foi isto que eu pretendi dizer, mas talvez não tivesse sido compreendida.
        Temos de ser mais activos.

          1. Não sou a favor de um referendo, Pedro Correia.
            Ainda não temos um povo suficientemente esclarecido, na sua maioria, para poder responder claramente a uma pergunta, que naturalmente seria uma armadilha.

            Isto é uma questão política. E são os políticos que têm de resolvê-la racionalmente, cumprindo a Constituição da República Portuguesa, com um “empurrão” do presidente da República, que jurou defendê-la, cumpri-la e fazer cumpri-la e não está a cumprir o juramento em nenhum destes itens, no que respeita à Língua Oficial Portuguesa.

          2. Nisso discordamos, Isabel. Eu sou favorável a todas as acções que ponham fim ao AO90, incluindo um referendo. E não tenho dúvida de que a esmagadora maioria dos eleitores portugueses é contrária ao “acordo” – desde logo porque não o utilizam, não sabem utilizá-lo (basta ler o ‘Diário da República’ para se perceber isso) nem querem utilizá-lo.

          3. Discordo, precisamente porque a esmagadora maioria dos eleitores portugueses votam naquilo que o partido político da simpatia deles lhes disserem para votar. Seja bom ou mau. Se um poste estiver embrulhado na bandeira do partido, eles votam no poste.

            E prova disso é termos no governo sempre os mesmos (maus) políticos.
            E se for para as aldeias acompanhar umas eleições (como já fui) comprovará facilmente o que digo.

            Também sou favorável a todas as acções que possam pôr fim a este aborto ortográfico. E se isso passar também por um referendo, serei a primeira a votar.

          4. Jamais desconfiarei da sagacidade eleitoral dos nossos compatriotas, Isabel. O problema neste caso é inverso: nunca os portugueses foram chamados a pronunciar-se sobre a questão, os políticos que enchem a boca com a palavra “povo” estiveram-se nas tintas para a opinião popular nesta matéria. E no entanto são inúmeras as evidências de rejeição clara ao AO90 no país real, como aliás tenho demonstrado no DELITO ao longo destes anos.
            Há, de resto, opositores declarados ao “acordo” em todos os partidos. Não por acaso, sete dos dez candidatos presidenciais no escrutínio de Janeiro optaram pela grafia pré-AO90 nos documentos de campanha.

          5. Pois eu não me fio nos partidos, nem nos políticos, nem nos eleitores.

            Como lhes envio muitos textos, também recebo respostas, e estas vêm em “acordes”. O único partido que não escreve segundo o AO90 é o PCP. Mas este também anda muito caladinho.
            Os outros: BE, PEV, PS, PSD, CDS/PP e PAN aderiram muito facilmente ao que deviam combater.

            Aliás, Pedro Correia, não sei se já reparou que o actual governo, apesar de toda a agitação em torno desta matéria, anda muito caladinho, para o meu gosto.

            Mas a petição para o referendo já não terá o número suficiente de assinaturas para ser entregue na AR?

  19. Por não praticar, hoje, com regularidade, a Arte da Escrita na sua vertente estética, não me considero verdadeiramente um «escritor».
    Uso, contudo, com muita regularidade a escrita — e procuro usá-la com algum cuidado e rigor –, quer em livros que tenho editados, quer em artigos que vou publicando e, o que aqui releva, nessa actividade, recuso-me, com zelo militante, a usar o (des)Acorso Ortográfico a que nos querem administrativamente obrigar.
    Ficarei, portanto, muito agradado se vir o meu nome na vossa lista.
    Luis Manuel Mateus

  20. Que importa os escritores discordarem do “aborto ortográfico”, se nada fazem para o aniquilarem? Pois haja coragem::
    Façam um texto bem redigido, expressivo, e fundamentado àcerca deste “aborto ortográfico”.
    Ponham-no a circular na NET, e à consideração do pessoal anti-acordista, que são aos milhares, e que se recolha o maior número de assinaturas, aliás penso que não são necessárias, basta juntar as assinaturas já recolhidas e identificadas noutras ocasiões em petições e para o referendo. O documento elaborado será então remetido ao Tribunal Europeu de Justiça, com conhecimento ao Parlamento Europeu, e às entidades importantes do País (Presidente da República, Presidente do Parlamento, Governo, deputados com assento parlamentar, Tribunal administrativo, Supremo etc… )
    Não tenhamos ilusões, com o devido respeito pelas opiniões efectuadas em diversos blogues, que ninguém lê, andamos a perder tempo, aturando gente que não se conhece e sem escrúpulos.
    O que acham desta proposta!
    Cumprimentos

  21. Pedro Correia, sendo eu também uma autora portuguesa, que rejeita o AO90, e tem os seus livros publicados em Língua Portuguesa, talvez pudesse constar desta lista, mas isto deixo à sua consideração.

    1. Isabel, sim, numa futura lista.
      Esta está arrumada, já tem nove anos.
      Infelizmente constam dela vários (demasiados) escritores que faleceram entretanto: Agustina, Adília Lopes, António de Macedo, Armando Silva Carvalho, Artur Portela, Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Fernando Echevarria, Freitas do Amaral, Gastão Cruz, Isabel da Nóbrega, João David Pinto Correia, João Lobo Antunes, Joaquim Pessoa, José Augusto França, Luís Carmelo, Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Nuno Júdice, Paulo Tunhas, Pedro Tamen, Vítor Aguiar e Silva…
      Há também escritores que eram anti-AO90 e não figuravam nela – nem irão figurar pois entretanto faleceram também. Lembro-me, por exemplo, do Jorge Silva Melo.

      Além disso outros (poucos) converteram-se desde então ao “acordismo”. Reparo em três ou quatro: Carla Quevedo, João Céu e Silva, Luís Naves…
      São circunstâncias irrepetíveis. Haverá outra lista actualizada. Esta permanece no arquivo, intocada.

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