Depois de tantas bravatas, referendos, e discursos demagógicos, Tsipras acabou por se render à dura realidade, aceitando para a Grécia condições muito piores do que aquelas que tinha há seis meses. Graças ao Syriza, a Grécia deixou praticamente de ser um Estado soberano, não passando agora de um protectorado europeu, sendo obrigada a criar um fundo com os bens do seu Estado, que fica afecto como garantia aos credores. E o que choca é que esta alternativa é bem capaz de ser a menos má pois, se este acordo não fosse aceite, a Grécia seria obrigada a abandonar o euro, declarar a bancarrota e afundar-se numa inflação galopante.
Mas esta terrível situação por que os gregos agora passam, devido à irresponsabilidade do governo que elegeram, deveria servir de lição para os partidos de esquerda que em Portugal defendem políticas semelhantes, como desde sempre o Bloco de Esquerda e agora o PS de António Costa. É que quem quer defender o alívio da austeridade tem que estar preparado desde o início para propor aos eleitores a saída do euro, como aliás já o fazem o PCP e o MRPP. Porque dentro do euro não é possível qualquer fuga às suas regras, nem os outros Estados-membros aceitarão que permaneça no clube quem não as quer cumprir. E perante esta evidência não vale a pena contrapor a soberania nacional, e a vontade democrática do povo expressa num referendo convocado à pressão. É que só é soberano quem não precisa do dinheiro dos outros. Quem precisa, mais vale deixar-se de bravatas disparatadas. Porque corre-se o risco de às entradas de leão se seguirem as saídas de sendeiro. Como foi agora o caso do Syriza.

E, no entanto, nem os próprios gregos querem ouvir de falar de abandonar o Euro e o próprio Tsipras bem frisou que o referendo que desencantou e às três pancadas convocou não tinha absolutamente nada que ver com essa questão.
Parece que por aqui as análises a esta situação dividem-se em dois tipos:
Um: o governo grego não cedeu e diz que tem linhas vermelhas que não quer passar – são uns palhaços que não querem negociar.
Dois: o governo grego falhou porque cedeu e passou as próprias linhas vermelhas – são uns palhaços.
Explique lá como é que propostas que o Eurogrupo apresentou como definitivas há duas semana, de repente se tornaram inaceitáveis para o Eurogrupo e tiveram de se mais violentas. Foram imperativos económicos ou políticos que levaram a isto?
Há mais narrativas para além da sua. 4/vitorias-derrotas-tsipras/
E bem mais plurais, isentas (de fanatismo ideológico) e com mais adesão à realidade.
http://economiainfo.com/edicoes/2015/07/1
Esta não, isto já ultrapassa tudo. O syriza, o culpado da Grécia estar como está? Onde estão aqueles que puseram a Grécia neste estado? Já foram punidos? As regras não iguais para todos porque se assim fosse, a Holanda, com uma dívida astronómica, mas que está no segredo dos deuses e ninguém fala nela, também teria de ter regras, a Itália… Isto deverá servir de exemplo do que queremos e se formos pela sua lógica, os Países deixam de ser soberanos e passam a ser cobaias dos outros. Não apele ao voto nos mesmos porque isso não é sério e não vaie a pena haver votos e gastar-se dinheiro com governos cá, se não mandam nada. Onde estão as regras das Troika que não viram que o banco de Portugal, desde 2011, gastou 2,1 milhões em viaturas, onde estão as regras e a crise aqui? Entre viver assim e viver sem o euro, a diferença é pouca ou nenhuma, logo perante as suas afirmações entre sermos lacaios de exploradores que sejamos lacaios de nós mesmos. Pobres, mas com dignidade e não humilhados.
Acho que se equivocou ao escrever o que escreveu, não se diz a verdade aos néscios dos Tugas, tem de fazer o trabalho pela calada.
Fugiu-lhe a pena para a Verdade, é pena que muitos não tenham essa frontalidade e se refugiem em palavras ou ataques de carácter para levarem a sua avante, quais migueis de vasconcelos.
“As dívidas não são para pagar” – como berrava o animal feroz? Mas esta Grécia que já teve um perdão de dívida de 400 mil milhões de euros, não tem capacidade sequer para cobrar impostos nem faz a ponta dum corno… quer continuar a parasitar o suar de quem trabalha? Isto é tão difícil de entender?
A Alemanha já teve não sei quantos perdões. Diga como vai a Grécia pagar e nós, aquilo que é impagável. Nós também estamos com uma dívida astronómica que depois de tantos sacrifícios aumentou. Imagine se não tivéssemos sido bem espremidos, onde estava a nossa dívida!…