Leio isto e isto. Para avivar a memória, recordo que Vitor Bento tem do seu lado esse economista do PSD, Silva Lopes. E apetece-me, ao contrário do que é habitual, citar Paul Kruman, num texto a propósito de Espanha: So what can Spain do? It needs to become more competitive — but it can’t have a devaluation, because it’s a euro country. So the only alternative is wage cuts, which are desperately hard to achieve (and create big problems for debtors.). Krugman e Silva Lopes, gente perigosa com uma "visão neoliberal da economia" e sem "preocupações sociais". E se em vez de discutirem nomes e colarem rótulos, discutissem ideias? Seria melhor, não?
Complicadex
jorgeassuncao,

Eu sabia, vês como eu tinha razão.
O senhor Vítor Bento já teve a oportunidade de mostrar quem era.
Acho interessante a frase do Eduardo Pitta: “Como Vítor Bento não se chama Armando Vara, o pessoal tolera.” A verdade é que, queiramos ou não, parece haver uma mais do que ligeira diferença nos percursos académicos e profissionais de Armando Vara e Vitor Bento.
Exactamente, caro João Sousa.
Silva Lopes não é do PS?
Claro que é, caro Luís. Tanto é que tenho a certeza que vai votar no PS nas próximas eleições legislativas. A medida defendida por Silva Lopes (e Vitor Bento) é até bastante ‘socialista’, uma vez que pretende impedir o mercado de ajustar naturalmente e com isso evitar o aumento de desemprego esperado. Ou seja, é mesmo a preocupação social que os leva a propor tal medida.
Aproveito também para dizer que não concordo com ela. Mas não concordar, não implica que não a perceba.
Mas aqui não há nenhuma “medida”. O que Vítor Bento e Silva Lopes dizem, e em minha opinião têm razão, é que os trabalhadores portugueses devem aceitar que os seus salários desçam um pouco, sob pena de mais e mais empresas começarem a falir e, portanto, mais e mais trabalhadores ficarem no desemprego. Ao fim e ao cabo, trata-se de facto de uma opção socialista, como você bem diz: distribuir a perda de poder de compra por todos, em vez de a concentrar apenas nos desempregados. Só que, não é uma opão imposta pelo Estado – é uma opção livremente aceite pelos trabalhadores.
Foi isso mesmo que a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa defendeu, e bem: que todos os trabalhadores prescindissem do pagamento extra aos sábados, para que se pudessem preservar alguns postos de trabalho.
Caro Luís,
“Ao fim e ao cabo, trata-se de facto de uma opção socialista, como você bem diz: distribuir a perda de poder de compra por todos, em vez de a concentrar apenas nos desempregados. Só que, não é uma opção imposta pelo Estado – é uma opção livremente aceite pelos trabalhadores.”
Concordo com tudo, mas parece-me que ambos percebem e concordarão que o Estado terá papel fundamental na adopção dessa opção. Por exemplo, quando 1/5 dos trabalhadores portugueses serão funcionários públicos e estes tem 2,9% de aumento salarial neste período, o Estado está certamente a garantir que esse segmento de trabalhadores não só não suporta a crise como sai beneficiado com ela. O Estado, caro Luís, é o principal empregador português e deve ser o primeiro a dar o exemplo.