Na primeira pessoa


Sérgio de Almeida Correia,

Vale a pena ler este testemunho. Nada do que ele diz é novidade para quem estuda estas coisas, mas não deixa de ser o depoimento triste e amargurado de quem acompanhou a subida ao poder do PSD. Podia ter sido com o PS ou com qualquer outro. Exemplos desses não faltam. Este saiu como entrou. Não mudou a cerviz. Alguns saíram e já estão de volta, com os bolsos mais pesados e cagança redobrada. São os sem-vergonha. E depois há os outros que estão onde sempre estiveram. Junto à manjedoura, à espera do feno. São estes que temo que nunca de lá hão-de sair. E no fim o que fica? A promoção do Licor Beirão. Para desgraça deste país.

0 comentários em “Na primeira pessoa”

  1. Li o “testemunho”, por curiosidade. É verdade que a “tralha” muitas vezes impede as verdadeiras e necessária mudanças. Mas este caso é escandaloso. Não sendo novidade, é demasiado para uma pessoa só… O sistema é bem mais forte do que se pensa.

  2. Três comentários.

    1) Quando nos perguntarem o que fizemos aos fundos europeus, fruto da solidariedade voluntária (obtidos através de negociações e sem chantagens) dos nosso parceiros, lembrem-se deste exemplo para perceberem como são aplicados.

    2) Agora é só multiplicar por cerca de 5000 organismos públicos e empresas públicas (o que se passa na CGD, por exemplo?). Conclusão: precisamos de um Estado ainda maior para acomodar os desgraçados dos boys que mesmo assim não são escolhidos.

    3) É um exemplo claro da responsabilidade do FMI, do BCE, de Angela Merkel, … na situação a que chegámos. A culpa é dos outros.

  3. “Junto à manjedoura, à espera do feno.”

    Com sorte e com a ajuda dos partidos à esquerda, a manjedoura certamente aumentará brevemente (“mais Estado”). Não precisam de esperar sentados.

  4. É a democracia de alguns instalados no lado de cá !

    P.S. – O Licor Beirão é a minha bebida espirituosa preferida (sem ironia)

  5. “Podia ter sido com o PS ou com qualquer outro.”

    Para corroborar a sua frase: um partido acabo de criar, de onde esperávamos uma atitude ética diferente, e já tem os vícios todos.

    “Depois de investigar o caso, a Comissão concluiu que dos 54 sobrescritos recebidos, 46 foram enviados da mesma estação de Correios, à mesma hora. A Comissão de Ética decidiu anular estes votos e pediu à Comissão Eleitoral uma recontagem.”
    http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=4658828

  6. Concluindo os meus últimos comentários.

    Poder-se-ia pensar que um aumento das estruturas do Estado não conduziria necessariamente a mais oportunidades para a corrupção, o nepotismo, o amiguismo, … se fossem outros os protagonistas (fora do tradicional arco da governação: PS, PSD, CDS). O exemplo das eleições no Livre demonstra que não: nem mesmo um partido que acabou de nascer e cujos membros mais proeminentes podem até constituir exemplos de ética democrática evita vícios antigos.

    Conclusão: independentemente dos protagonistas no poder, quanto maior o Estado maior a manjedoura e quem está de fora “que se lixe”.

  7. Na mesma onda recomendo a entrevista do C.Cunha a RTP informação- antigo ministro do preso 44. Um exemplo de serenidade e opiniões solidas.

  8. Não conhecia o poder dos chefes de gabinete. É um poder à parte. Comunicam todos uns com os outros.

    Yes, Minister!

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