Eu não sou o teu nome
Casámos há seis anos. Todos os dias penso em ti.
Carmen ouve-se e, na devolução do silêncio, sente que se perde como uma criança que larga a mão quente da mãe. Ainda pensa que pode o dia ser interrompido por outro som; aguarda. Ruídos da casa de banho, passos no andar de cima; fecha os olhos e deixa-se imaginar o barulho infernal da cidade condensado numa tortura que é só sua. Apenas sua.
Carmen.
Não pode perceber como o seu rosto chegou até ali. Por princípio evita os espelhos. Hoje não é um dia como os outros, qualquer outro dia em que consegue, apesar de tudo, consegue esquecer a solidão, a tristeza dos olhos… Como era que tu dizias?
Olhos de caramelo.

![2015-06-19-Eu-nao-sou-o-teu-nome-1[1].jpg 2015-06-19-Eu-nao-sou-o-teu-nome-1[1].jpg](http://4.fotos.web.sapo.io/i/Bec0634d8/18586800_lQOyZ.jpeg)
Um texto bonito de se ler. “Olhos de caramelo”, expressão deliciosa.
Obrigada, Patrícia. Uma pessoa também precisa de quem escreva assim, tranquilamente.