Os argumentos irracionais tornam difícil a discussão sobre a Grécia, mas convém não esquecer alguns factos. A crise das dívidas soberanas começou em 2009, quando Atenas reconheceu que o seu défice era muito superior ao anunciado. Até aí, a Europa tinha resistido à turbulência financeira melhor do que os EUA. Nos anos seguintes, ao contrário de outros resgatados, a Grécia nunca conseguiu aplicar as reformas exigidas pelos sucessivos programas. Ao todo, recebeu 240 mil milhões de euros em ajudas externas, mais 100 mil milhões de perdão de dívida, mas estes créditos de 35 mil euros per capita não foram suficientes. A economia ruiu, o sistema partidário desmoronou-se e os problemas crónicos nunca foram resolvidos.
Falharam socialistas, tecnocratas e conservadores. Basta um exemplo: a Grécia é ainda, de longe, o país europeu que maior proporção de riqueza gasta em pensões, 17,5% do PIB, muito acima dos 13,8% da média na zona euro. Portugal, com um problema de sustentabilidade do sistema de pensões, gasta 14,8%. O tema, aliás, inviabilizou o acordo entre credores europeus e governo grego, este último agora chefiado por um partido de esquerda que prometeu ao eleitorado acabar com a austeridade. O executivo de Alexis Tsipras, apoiado pelos radicais do Syriza e por um partido da extrema-direita, fez promessas populistas que só poderia cumprir saindo da zona euro, algo que o povo grego recusa.
Nos meses de impasse, o superávite primário volatilizou-se e as receitas de impostos afundaram. Agora, qualquer cedência será inviabilizada pela ala radical do partido. Os europeus não vão ceder, pois se o fizerem terão a Grécia a exigir o terceiro resgate com mínimo de concessões e, dentro de anos, estarão a negociar o quarto resgate nas mesmas condições desfavoráveis. O eleitorado dos países credores jamais aceitará pagar a conta. Por isso, a Grécia está sem liquidez, à beira do incumprimento; os bancos têm a corda na garganta, pois as pessoas tentam retirar os depósitos e preferem guardar o dinheiro debaixo do colchão. Reverter as reformas leva ao dracma e ao isolamento.
Desde o dia em que foi eleito, Tsipras jogou todas as fichas no medo de um efeito dominó que arrastaria a periferia vulnerável. Para obter dinheiro sem fazer concessões, o primeiro-ministro pensou que a simples perspectiva da bancarrota grega levaria Portugal e Espanha na voragem dos mercados, ou seja, apostou na desgraça dos parceiros, o que é inédito na UE. Esta estratégia tinha pés de barro e o efeito dominó será mais político do que financeiro, pelo menos assim pensam os credores. Em resumo, este parece ser o fim da linha para as ilusões de quem não quiser cumprir o Tratado Orçamental.


«Em todo o caso, é impossível levar a sério a palavra daquela gente. Pelo seu lado, a União Europeia tem uma longa tradição de acomodamentos de última hora, que não significam exactamente resolução dos problemas, mas antes adiamento de efectivas soluções. Tudo é possível. Tudo? Nem tudo. Mesmo que um acordo seja obtido, é quase certo que o Syriza não o cumprirá, como o afirmam, de resto, vários elementos dessa festiva associação.»
Paulo Tunhas, no Observador
Das estepes as facilidades terão também de ser pagas.E o vermelho oriente põe condições para se instalar.Ninguém cumpre promessas eleitorais de terceiros,zela
apenas pelos seus interesses impondo.As promessas vão ser cumpridas enchendo os bolsos dos pobres pensionistas e funcionários públicos de maços de notas sem valor,no princípio toda a gente fica contente.
Quando créditos no valor de 35 mil euros ‘per capita’ não são suficientes para levantar uma economia, algo vai muito mal. Não reconhecer isto é próprio das avestruzes, que passam o tempo com a cabeça debaixo do chão.
Convém ir além da narrativa da Troika. 8/escolha-gregos-desmistificada/
«A escolha dos gregos desmistificada»
http://economiainfo.com/edicoes/2015/06/1
Meu caro Luís,
parece-me que se esquece que o povo português também pediu a demissão do presente governo. O que aconteceu? Será legítimo pensar que deseja para a Grécia o que não quer ver aplicado em Portugal?
Já sei, vai responder que a extrema-direita portuguesa que faz uma coligação também à revelia da consulta popular, que na altura acreditava votar num partido do centro, tem um estatuto diferente em matéria democrática do dos gregos.
Será que alguém recusou um referendo à entrada de Portugal no euro?
Será assim tão legitimo negar atitudes em Portugal que se desejam sejam postas em prática pelos gregos?
Já ouviu falar na Fannie Mae e Freddie Mac?
Conhece a lista de bancos que entraram em ruptura nos EUA? nk_failures_in_the_United_States_(2008%E 2%80%93present)
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_ba
Conhece estes números? nomy/the-true-cost-of-the-bank-bailout/3 309/
http://www.pbs.org/wnet/need-to-know/eco
Sabe por acaso quanto está a custar aos contribuintes europeus o resgate de sua banca?
O que me diz a estas notícias?: uga-de-depositos-leva-bce-a-aumentar-out ra-vez-emprestimos-de-emergencia_221512.h tml
http://economico.sapo.pt/noticias/grecia-f
http://economico.sapo.pt/noticias/tsipra s-e-putin-fecham-acordo-de-2000-milhoes-p ara-prolongar-gasoduto-russo_221557.html
Será que não andam por aí a meter a cabeça na areia como a avestruz?
Vento fale lá da Fannie Mae e do Freddie Mac para ver se ainda tem algum contacto com a realidade.
Instituições, digamos PPP para os políticos Americano fazerem Socialismo desbregado comprando todo o lixo de crédito porque é preciso que todos tenham acesso ao crédito mesmo que o não possam pagar. Socialismo créditicio portanto.
Não foi só para pobres – o socialismo é sempre para a classe média e média alta senão não há votos –
Depois vá lá ver quem avisou para os sarilhos da Fannie e do Freddie a tempo. Não vai gostar.
Se o que conhece da Fannie Mae e Freddie Mac é o que leu depois de eu ter escrito, só revela que anda muito presunçoso e fraco em argumentos.
Mas adiante, vindo de si é caso para dizer que mantém sua coerente k7.
Mas aguardo mais comentários ao aspecto geral de meu comentário para me pronunciar.
Não me leve a mal, eu estou à espera de argumentos inteligentes. Mesmo que errados, inteligentes. O diálogo pode ser estabelecido de forma inteligente mesmo na diferença. Você só é igual a si mesmo, neste particular. Portanto, basta-se a si mesmo. Mas não é o único. Há também outros tipos de engenharia por aqui.
As coisas ameaçam ficar trapalhonas…
A que se resumiria o “sucesso governamental”, não havendo um “falhanço grego”?
Agarrar bem esta narrativa Nestum, que as eleições estão à porta.
Não é inedito na UE(falta o não), pois Portugal só entrou depois dum chantagem do governo de Atenas que lhe rendeu mais uns euritos. Trinta e cinco mil euros por cada grego é obra. Se houver comprador eu vendo o meu a um louçã ou galamba que o queira.