(Getty Images)
Ele podia nada ter feito, ignorar o que se estava a passar por não ser, aparentemente, nada com ele. Podia ter enterrado a cabeça na areia e seguir em frente. Até podia ter feito como outros que, entre nós, elogiaram e elogiam os jagunços, os caciques, empreendedores e facilitadores de negócios dos respectivos partidos, a sua entourage, a canalha, protegendo-a até à medula. Ele, ao invés, procurou separar águas, proteger a instituição que representa, preservar a respeitabilidade da Monarquia perante os seus súbditos. Optou pelo caminho mais difícil, por aquele que lhe pode trazer mais incómodos, maior desconforto pessoal. Porém, fez aquilo que a sua consciência e as exigências do cargo lhe impunham. Não vacilou.
Já o elogiei antes, volto a fazê-lo hoje. Porque nenhuma República, nenhum homem sério, à direita, ao centro ou à esquerda, pode ficar indiferente ao seu gesto de retirar à irmã o título de Duquesa de Palma, que lhe fora atribuído pelo seu antecessor. Os exemplos têm de vir de cima. Ele leva-o à letra. Até por isso é de aplaudir a sua coragem e o carácter de que uma vez mais dá mostras na condução dos assuntos do Estado. Como republicano que sou volto a tirar-lhe o chapéu.


Manuel Valls usou um avião oficial para viajar até Berlim. Objectivo: ver a final da Liga dos Campeões, que teve lugar no sábado, e que opôs os italianos da Juventus aos espanhóis do Barcelona, com a vitória a pertencer à equipa de Messi (3-1). Os franceses descobriram e a polémica está a afetar a imagem do primeiro-ministro francês.
De acordo com o El País, nesse dia Manuel Valls estava em Poitiers, a cerca de 300 quilómetros de Paris, para participar no Congresso do Partido Socialista. De seguida, entrou no Falcon e seguiu diretamente para Berlim, com dois dos seus filhos, ficou a saber-se mais tarde. Nascido em Barcelona, o político francês é adepto assumido do Barcelona.
Primeiro, Manuel Valls tentou justificar a viagem com uma reunião oficial com a UEFA, que aquele organismo depois desmentiu. Depois, esclareceu que o encontro era com o presidente da UEFA, o francês Michel Platini, versão confirmada pelo próprio e pelo presidente francês, François Hollande. Por fim, pediu compreensão pelo cansaço e lembrou a necessidade de um momento de descontração.
A imagem do primeiro-ministro, defensor da transparência dos políticos, tem sofrido com o estalar da polémica. A oposição já exigiu um pedido de desculpas público e o reembolso dos custos da viagem. Valls disse que vai pagar 2.500 euros para compensar os cofres do Estado, valor que corresponderia ao custo de três bilhetes de avião para a capital alemã. No entanto, a imprensa estima que, no total, a viagem de Falcon entre Paris e Poitiers para trazer os filhos do primeiro-ministro, e depois os trajetos Poitiers – Berlim – Paris tenham um custo de 20 mil euros.
A superioridade da chefia de estado hereditária sobre a chefia de estado electiva…!
Pois… veja-se a recente condecoração por cá concedida.
Há-de ser ética republicana. À portuguesa.
Costa
Uma análise correcta.
Deixe-me tirar também o chapéu à sua postura. Como monárquico, é muito raro ler (ou ouvir) um elogio vido do lado republicano.
Deixe-me tirar também o chapéu à sua postura. Como monárquico, é muito raro ler (ou ouvir) um elogio vindo do lado republicano.
Já antes – muito antes – tinha dado a entender que “com ele não contassem”.
Ao que parece a aliança de noivado da (então futura) Princesa Letizia foram oferta do (então) Duque de Palma.
Reza a história que Iñaki iria passar pela ourivesaria para fazer a recolha e terá insistido que seriam prenda sua. Pago. Com um cartão de escândalo Noos.
Quando (até) esta história veio à luz a Princesa Letizia, pura e simplesmente, deixou de usar a aliança de noivado. Nunca mais se viu…
http://www.elmundo.es/loc/2014/01/09/52c da85c268e3e702e8b4583.html
Isto sim é que é exemplo e é rei , a propaganda republicana que é me lhor do que a monarquia , ou seja, isso de ser eleitos pelo povo dá o que esta dar.
É a ética monárquica.
primeiro : conheço o titulo da noticia, e nada mais, e também nada sei sobre o, acho, rei. Mas o Sergio parece conhecer, e nessa medida terá propriedade para elogiar o caracter do rei. Fora isso, nao sei se o fez por imposiçao das circunstancias, se nao seria muito mais problematico nao o fazer.
Também aplaudo a atitude deste monarca. Oxalá se mantenha sempre assim!
A titulo de curiosidade… a mãe dele, a rainha Sofia, é grega. Porque a referência? Apenas por causa das má línguas que acham que na Espanha e na Grécia não há bons exemplos.
E se fosse cá em Portugal?
Os espanhóis sempre foram “juan-carlistas” antes de serem monárquicos, por razões que se percebem se tivermos acompanhado e conhecermos bem a História do país quando passou da ditadura para a democracia (viverem lá familiares próximos também ajuda, mas já nem vou por aí).
Mas Juan-Carlos não se portou nada bem e aquilo desatou a tremer, como se sabe.
Com mais de metade dos cidadãos a quererem um referendo sobre o assunto, mesmo admitindo que para muitos seja para legitimar a situação actual pois Filipe está bem visto, é natural que o actual rei não possa dar abébias de nenhum tipo, o futuro não se avizinha fácil e este caso da irmã e do cunhado é crítico (o “El Mundo” tem ao longo dos tempos feito o relato dos acontecimentos ao pormenor).
Como nota final e como leio por toda a parte que a nossa PR custa mais que a Casa Real espanhola, aqui vai um artigo de hoje do “El Mundo” a explicar “quem paga o quê”:
http://www.elmundo.es/loc/2015/06/13/557 afaae46163f284e8b458d.html
Bom Post com peso e medida.
A monarquia tem algumas vantagens. E um homem com espinha é uma mais valia em qualquer cargo.
Um mau PR é um desastre substituível.
Um mau Rei é um imbróglio.