Uma campanha alegre.


Luís Menezes Leitão,

Não consigo resistir ao bom humor que provoca a pré-campanha de Sampaio da Nóvoa. Agora teve uma intervenção no Comedy Lisboa, que de facto pelas notícias mais parecia uma stand up comedy do que uma sessão política.

 

O candidato apresentou três ideias, qual delas a mais absurda. A primeira ideia é aproveitar “os movimentos de renovação artística” para inspirar uma mudança profunda. Segundo o candidato, “andamos o tempo todo a ouvir os mesmos, a falar com os mesmos“. Por isso, o debate público faz-se com as “ideias de sempre, um bocadinho gastas” o que deixa os portugueses “prisioneiros de um pensamento que vem de trás”. Por isso, Nóvoa defende que “é preciso chamar pessoas improváveis e grupos improváveis”. Já sabemos assim que se for eleito Presidente, Nóvoa formará um governo de improváveis. Resta saber como é que esse governo passa na Assembleia…

 

A segunda ideia resume-se numa frase: “Portugal tem tudo para ser um país diferente”. Isto de ideia não tem nada, mas é capaz de ser bem verdade. Se Nóvoa fosse eleito, Portugal seria de facto um país muito diferente, gerido pelos tais improváveis. Arrisca-se a não fica pedra sobre pedra.

 

E para demonstrar que Nóvoa nada aprendeu com a quase-bancarrota nacional, defende “investimentos estratégicos continuados, sustentados”, criticou os “últimos quatro anos” em tudo parece ter parado. “Se eu num determinado momento da minha vida venho para a política é por não aceitar esse corte na escola, na educação, nas artes, na segurança social”.

 

Aqui até os apoiantes de Nóvoa vacilaram. Uma apoiante achou que ele seria melhor candidato a primeiro-ministro. Outro apoiante, Elísio Summavielle, que fora responsável pela cultura nos tempos de Sócrates, e portanto um dos autores dos cortes que Nóvoa tanto critica, achou que ele tinha que se deixar de conversas e passar à campanha, designadamente aos outdoors. Sugeriu até que ele fosse como Soares à Marinha Grande sujeitar-se a “duas bofetadas“. Imaginar Nóvoa a ser atacado na Marinha Grande, ele que é de uma esquerda ainda mais radical que os operários que lá andam, é de facto o non sense político absoluto.

 

Mas o candidato rejeita manobras eleiçoeiras deste género e até diz: “Eu não quero a minha cara nos outdoors“. Mais vale tirá-la também dos boletins de voto.

0 comentários em “Uma campanha alegre.”

  1. Entretanto os ainda não candidatos, utilizam a sua experiência política para dar caneladas uns nos outros, por debaixo da mesa.

    Agora é o Rio que diz que vai mas afinal ainda não se decidiu.
    Isto anda bonito.

  2. Tenho andado a maturar a ideia de me candidatar à Presidência da República. Para saber a reacção do povo e aconselhar-me sobre a melhor estratégia, reuni uma task force cá no bairro que vai do pim pim do Ferrari ao piri piri bem vermelhusco. Sim, isto de ser Presidente tem a sua componente Universal.

    Para não criar traumas, apresentei-lhes não um Memorando mas uma folha de intenções para que eles escalpelizassem o conteúdo. Todos me disseram que sim.

    Nessa folhita de intenções, aproveitada de um rolo de papel higiénico reciclado, apontava também para o aspecto do marketing político. Isto é, eles sabem que eu sou o Vento, ou o cromo, ou o flatulência ou o arruaceiro ou o lapa – tudo isto apanhados que fiz por aqui no DO -. E como sabem, também propus-lhe que para esta corrida ao mais alto cargo da Nação não se trabalhasse a minha imagem facial que, por ser demasiado bela e escultural, poderia gerar alguns desmaios quer nas urnas quer durante a campanha.

    Como tal, entendi propor que a parte que deveria emergir como indicativo da política que pretendo imprimir seria precisamente o traseiro. Pois entendo que isto de gerar transformações sólidas, duradouras, amigas do ambiente com fontes energéticas alternativas, propor limpeza e fumigação, que é a base de minha proposta, tem de se centrar numa imagem simples, atractiva e que indique ao que venho.
    Obviamente que, perante os ventos de guerra que sopram em vários quadrantes, propus também a este comité que trabalhasse no Photoshop o traseiro, por forma a que se desse um indicativo militar, quiçá com algumas cores caqui, pois não fosse o Isis pensar que isto seria como limpar o cu a meninos.
    É esta a base programática que estou a desenvolver. Manter-vos-ei informados sobre qualquer upgrade.

  3. Não me perguntam, mas se os responsáveis de Novoa se candidatar me inquirissem diria que se não estão feitos com a oposição , será melhor nem o por nos boletins de voto.

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