PSD: A RENOVAÇÃO QUE FALTA
Manuela Ferreira Leite deverá convidar Pedro Passos Coelho, seu adversário interno, a integrar as listas do PSD para a Assembleia da República. Tem o meu aplauso: é um gesto de abrangência política que convém saudar, por muito que isso exaspere alguns dos seus conselheiros, mais apostados na fractura interna enquanto convivem amenamente com adversários do partido fora e dentro dos estúdios televisivos. Mas a presidente do PSD, se quer renovar as listas de candidatos sociais-democratas, pode desde já excluir aqueles que não cumpriram os seus mais elementares deveres parlamentares na legislatura que agora termina, tornando-se os campeões das faltas no hemiciclo de São Bento. E cito cinco nomes: Carlos Páscoa Gonçalves, José Cesário, Virgílio Costa, Mário David e Aguiar Branco.
A renovação deve começar por aqui.


Tudo isso é elementar para as pessoas comuns, compadre. Os estrategas estão excluídos dos comuns mortais, claro.
Contabilizar faltas justificadas a deputados eleitos pela emigração, seria o mesmo que defender que uma vez eleitos, não devem voltar a por os pés junto de quem os elegeu. Existe a meu ver um problema de contabilização, ou eventualmente de justificação de faltas…
Esse é um problema estrutural da Assembleia da República que não foi solucionado em sucessivas ‘reformas’ parlamentares. É chocante o sistema de faltas, nomeadamente a justificação de faltas por ‘trabalho político’ que não o é de facto. E é chocante a a falta de cuprimento, por parte de vários deputados, dos seus mais elementares deveres. E ainda mais chocante é a possiblidade de um dos mais faltosos, sem justificação possível, encabeçar o segundo principal distrito eleitoral do País.
O facto de se faltar às sessões não quer, só por si, dizer que se está a faltar ao cumprimento dos deveres parlamentares.
De facto, um parlamentar tem também a obrigação de trabalhar em comissões parlamentares, contactar as pessoas do seu distrito eleitoral (pois que deve dar voz a esse distrito), contactar os simpatizantes do seu partido em geral (pois que deve dar voz a eles), etc. Todas essas obrigações podem, por vezes, implicar a ausência a uma ou outra sessão.
Não basta, portanto, verificar que os deputados faltaram às sessões – é preciso também saber que justificações deram para essas faltas, e se essas justificações foram verdadeiras ou não.
Isso compete aos serviços da Assembleia da República e ao próprio presidente deste órgão verificar. Os eleitores, pelo seu lado, têm o direito – e direi mesmo o dever – de escrutinar os seus eleitos. Que eu saiba Aguiar Branco e Virgílio Costa não foram eleitos por nenhum círculo da emigração.
Se há assunto incómodo é este. Que melga que tu és :))
Melgas ao poder, já!
Algumas melgas usam barba.