Fernando Ruas
Eis a prova viva de que na política nem tudo são agruras, canseiras e desgostos, ao contrário do que alguns alegam. Basta olhar o rosto prazenteiro deste social-democrata de velha cepa para se perceber que dele emana a calma personificada. Uma impressão reforçada pela farta cabeleira que exibe, sem ali reluzir um só fio de prata.
Com este visual quase inalterado, Fernando Ruas foi galgando sucessivos patamares na vida pública: presidente da Câmara Municipal de Viseu (1989-2013), deputado, presidente da Mesa do Congresso do partido laranja, presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses. Sempre com o mesmo sorriso rasgado de quem está de boas relações com a vida.
Há dois anos, por impossibilidade legal de acumulação de novos mandatos autárquicos, deixou de figurar como líder da guarda avançada do Cavaquistão. O primeiro-ministro indicou-o em 2014 para as listas de candidatos do PSD ao Parlamento Europeu, em lugar elegível. Escassos meses antes, por mera casualidade, Ruas declarara em tom peremptório numa sessão pública: “Não conheço ninguém no PSD com o sentido de Estado de Passos Coelho.”
De Viseu para Bruxelas, o salto foi enorme. Não haverá outros na carreira deste economista de 66 anos, nascido sob o signo Capricórnio e que hoje reclama ser a “voz do interior” na eurocâmara? Se fizer falta um “verdadeiro representante do País real” como candidato à Presidência da República ele chega-se à frente. Com a destreza revelada quando se integrou nos Rangers de Lamego durante o serviço militar, a disponibilidade de que deu provas no seu feudo beirão e o desassombro que não deixaria de manifestar em nova declaração pública sobre o líder do partido.
Sem perder o sorriso. Nem ganhar um cabelo branco.
Prós – Animaria Belém, instalando no vetusto edifício presidencial uma versão lisboeta do Palácio do Gelo, que durante o seu mandato autárquico começou a aquecer as noites viseenses. Os portugueses voltariam a ter alguém com sotaque da boa e velha Beira na Presidência, após dois alfacinhas e um algarvio, mantendo-se assim uma antiquíssima tradição do solo pátrio: Portugal não é o mesmo sem um beirão a mandar.
Contras – É o último resistente na política portuguesa à anacrónica moda do bigode, que até os presidentes do México e os jogadores do Benfica deixaram de usar. O apelido dele induz em erro: em vez de Ruas devia chamar-se Rotundas, Fernando Rotundas. Reza a lenda que inaugurou 127 em Viseu, a mais contornável das cidades portuguesas.

![2014-11-07-ruas[1].jpg 2014-11-07-ruas[1].jpg](http://1.fotos.web.sapo.io/i/Bb5111dd5/18469091_fYnfM.jpeg)
Ainda gostava de saber como é que fará para se deslocar pelo menos uma vez por semana de Viseu para Bruxelas (e volta, claro). Se calhar, pede boleias a camionistas…
A propósito (não propriamente de Ruas, que prima pela ausência desses painéis), ainda gostava de saber quais os esgotantes trabalhos que os srs. deputados oropeus desenvolvem lá pelas Oropas, trabalhos esses que lhes permitem estar constantemente nas nossas tvs a debater, com completo conhecimento de causa, acontecimentos passados em Portugal (seja na AR, seja noutros palcos quaisquer). Agora, até reparei que o sr. deputado europeu Diogo Feio deu em profissional de exibição da sua lustrosa careca em programas de comentários futebolísticos, que, como se sabe, muito carecem de comentadores!!!
Mas lá que umas dúzias de rotundas ficavam bem nos jardins do Palácio de Belém – e tudo à volta -, lá isso é verdade. Mas dizem que se ganha muito mais a labutar em Bruxelas que em Belém. A não ser que também optasse pela reforma, caso a investigar.
Aquela praça defronte do Palácio está mesmo a pedir ser transformada em rotunda. Ou duas ou três. Cabem lá várias.
a “voz do interior” na eurocâmara
Sendo que para todos os seus interlocutores na eurocâmara Viseu é uma cidade quase litoral, situando-se mais ou menos à mesma distência do mar que Bruxelas e certamente a muito menor distância do que Estrasburgo.
Se ele fôra de Valladolid ou Bratislava, compreender-se-ia que fosse a “voz do interior”. Agora, de Viseu…
Valhadolid, valha-o Deus!
Valhadolide, valha-o Deus!
É um pulinho, de Madride a Valhalolide. Quase todo o caminho à beira-mar.
Fernando Ruas irá voltar a Viseu novamente como autarca, sem dúvida.
Até quem o criticou (e critica) reconhece que a Cidade de Viseu está pior, servida por um ex-Secretário de Estado chutado fora do governo e que só tem mostrado marketing, ou seja muita parra e (muito) pouca uva e que tenta por todos os meios fazer esquecer a obra deixada por Ruas (e o seu executivo) ora copiando por cima ou escrevendo mesmo por cima.
Ruas é um beirão de gema e como beirão que é gosta sempre de voltar a casa e sentir o carinho dos seus e é isso que fará.
Umas rotundas fazem lá imensa falta. E terem inventado aquilo da limitação de mandatos não se admete.
E faz falta também uns túneis nas rotundas. E depois faz falta esses túneis serem embargados pelos Zés que fazem muita falta.
Faltou referir a parte de mandar o povo correr os ecologistas à pedrada. Contra quem açularia este cromo o povo a partir de Belém?
Não foram os ecologistas mas sim os inspectores do Ministério do Ambiente, na sequência de uma queixa do presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros.
Isto porque autuaram a Junta de Freguesia por causa de uma obra qualquer e não autuaram um particular por causa de uma obra igualmente feita em condições pelos vistos semelhantes (o presidente da Junta e o particular eram de “clubes” diferentes, só pode).
O facto é que o disse, nunca o devia ter dito e veio depois com desculpas esfarrapadas de que a frase era “alegórica” ou algo que tal.
Mas independentemente deste facto Viseu é uma das cidades mais agradáveis que conheço e as “127 rotundas” são um exagero e não são: ainda ontem e vindo do IP3 me pus na saída de Lamego, que lhe fica oposta, em 5 minutos se tanto graças às circulares exteriores e rotundas.
E tendo em conta a qualidade geral das estradas circundantes ainda bem que há rotundas para “travar os aceleras”, de resto essa é uma das grandes razões das rotundas a par da eliminação de cruzamentos puros.
Parece-me um bocado difícil, mas obviamente não impossível, a quem vier do IP3 pôr-se na saída de Lamego, que lhe fica oposta, e encontrar as 127 rotundas.
Suponho que qualquer pessoa que venha do IP3 e queira chegar à saída para Lamego possa passar pelas 127 rotundas, aliàs é admissível que muitos que não conheceçam a cidade acabem por passar por dezenas delas, muitas repetidas.
Têem é que ser muito teimosos e estar dispostos a perder uma semana nisso, assentando cuidadosamente aquelas por que passaram uma vez, duas vezes, três vezes e ficando assim com rotundas de Viseu para a troca.
Em compensação poderão comer muito bem em vários locais e dormir em muito simpáticos hotéis ou residenciais, é um “faça férias cá dentro” original.
E ficam a conhecer muito bem a cidade, quem realmente gosta de viajar conhece muito bem sítios específicos, ao contrário dos que só querem contar que viajaram e não conhecem nada senão o que viram através do gadget com que tiram fotos a tudo o que mexe.
Um resto de fim-de-semana alegre para si
Confesso que já fiquei com a cabeça à roda ao ler essa vossa troca de impressões.
antes a cabeça à roda que uma pedrada na cabeça instigada por este espertalhuço
E não é caso para menos!
Afinal sempre são 127 ou não?
Mas olhe que já visitei a cidade várias vezes, da última (passe a publicidade) fiquei na Pousada (cujos spa e restaurante me desiludiram um tanto).
Boa semana…
Não faço ideia de quantas são mas são muitas e admito que demasiadas.
Sou de Lisboa e há uns 25 anos comprei uma casa abandonada lá no distrito de Viseu e recuperei-a, devo ser o único lisboeta que, podendo-o fazer, comprou uma casa no campo e não na praia no início dos anos 90…
Dadas estas circunstâncias não conheço a Pousada de lá ficar mas podia ter experimentado o restaurante, é um facto.
Acontece que quem acaba por se tornar um pouco habitante local conhece tanta tasca e tasquinha que cai inevitávelmente nos sítios onde sabe com o que conta sempre.
Uma boa semana também para si
1 – As Rotundas deviam ser numeradas. para quem é de fora seria uma bênção!
2- O actual PC de facto não tem caído nas graças…. nem sei o pk!! já tem festas a oferecer binho!!
3 – Não pode fazer só percursos a pé para a Sé… o concelho é um conselho simples… faça umas caminhadas fora do centro da cidade…
4 – Se quer ficar não gaste os cartuchos todos nos primeiros anos… faça as obras todas no último ano como o antecessor. Brinquem, brinquem, mas só por o Sr. Ruas estar lá fora já se vende mais Dão!!
Bem sei. Bebi há pouco um Duque de Viseu que me soube muito bem.