Verdades inconvenientes em tempo de renovação dos votos


Sérgio de Almeida Correia,

“O rating da República que estava no lixo antes da chegada do “Messias”, no lixo ficou. A dívida pública, nuns lastimáveis 93,4% do PIB em 2010, está hoje, depois da terapêutica, nos 128,9% do produto. E o défice, alfa e ómega de toda a narrativa, não é líquido, de acordo com todas as instituições internacionais, que cumpra o objetivo de ficar abaixo dos 3%. Mas há as taxas de juro em mínimos históricos, dizem-nos em jeito de medalha no currículo. Pois, mas convém explicar que, mesmo aí, o mérito não é do médico mas do “canhão Draghi” e da intervenção do Banco Central Europeu.” – Nuno Saraiva, DN, 17/05/2015

0 comentários em “Verdades inconvenientes em tempo de renovação dos votos”

  1. Por acaso, se bem percebi, a continuação a nível de lixo deve-se precisamente a haver eleições este ano e as agências de rating não se fiarem de que haja renovação de votos…

  2. Verdades inconvenientes? Incrível. Incrível mesmo.
    Sem a terapêutica seria bem superior. O crescimento da dívida está estancado. Como é que ainda se discute isto!? Um estado falido só pode proceder a medidas de austeridade/consolidação orçamental seja na despesa ou na receita.
    Mas esperavam o quê? Que não crescesse? Só na brincadeira. O que interessa ver é se o ritmo abrandou, parou e as perspectivas são para uma redução paulatina.
    Portugal foi o país que entre 2010-2014 procedeu à maior consolidação orçamental da UE. Incrível mesmo. Não está garantido, diz ele.
    Juros mínimos? Compare com 2007, as taxas podem ser históricas mas o risco está lá. O risco implícito da dívida portuguesa é mais alto do que em 2007, em relação à Alemanha ou tendo em conta a taxa de referência do BCE.

    Vender o peixe de que isto tudo é resultado do BCE, que não era preciso uma consolidação das contas é tão falso como dizer o oposto. O citado, dito como está, não passa de informações banais, desprovidas de qualquer contexto. No caso da bazuca tremendamente falso: “misguided ghosts”. Trivialidade, pura trivialidade. Será estupidez ou má fé?

    E há tanta coisa para criticar neste governo. Mas, isso, aos “opinion-makers” da situação não interessa.

    1. O aumento do crescimento da dívida neste último ano, surpreendeu-me.

      Em valores absolutos, a dívida variou assim nos últimos anos:

      2014 – 217 mil milhões (+ 13 mil milhões face a 2013)
      2013 – 204 mil milhões (+ 10 mil milhões face a 2012)
      2012 – 194 mil milhões

      Portanto, após esta sucessiva política de contenção, e apesar da muito proclamada baixa do défice, a dívida continuar a aumentar, e o que surpreende, a aumentar mais do que no ano anterior.

      É claro que os comentadores avençados podem pintar as coisas como quiserem, podem tentar iludir o assunto.
      No entanto, isto mostra o Total Falhanço da Política Económica deste Governo.

      Já tinha falado sobre isso há uns meses…

      http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/profetas-da-nossa-terra-65-7057465?thread=56883001

      1. Não sei responder é isso. Não sei se é uma razão de “stock”, se calhar convém analisar sempre os dois dados, para entender melhor a questão. E quanto a metáfora médicas, não me parecem ter muito efeito. São coisas diferentes.

        1. Pois, a classificação da contabilidade é variável, consoante a vontade do freguês, e por isso as contas vão sendo feitas e refeitas… ainda hoje se mexe no fecho das contas de 2013.

          Para colocar um ponto de referência, devemos ir buscar à mesma fonte, na mesma data, neste caso o boletim do IGCP, sendo a entidade responsável, serviu o efeito.

          Seria perfeitamente possível colocar rúbricas de um lado e diferir despesas para outro.
          Surpreendeu-me, porque pensei que isso iria ser feito, e foi feito no caso BES – Novo Banco.
          No entanto, não escondendo o suficiente, apareceram umas contas miseráveis, prejudiciais à própria narrativa governamental.
          Ou seja, é um caso de dupla incompetência.

          Quanto às metáforas, é costume dizer-se:
          – quem com ferro fere, com ferro é ferido

          As metáforas podem ajudar, mas entendo que as comparações médicas possam parecer despropositadas, mas não fui eu que puxei o assunto:

          Passos compara a sua governação a um processo de cura de uma doença. “O objetivo é vencer a doença, não perguntar se as pessoas durante o processo têm febre ou têm dor ou se gostam do xarope”, disse.

          http://observador.pt/2015/05/12/objetivo-vencer-doenca-nao-perguntar-as-pessoas-dor-diz-passos/

          ver também

          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/lalalandia-1-7373872

          1. Não conheço esse assunto a fundo, sou um leigo interessado. Mas, por exemplo, este mês baixou cerca de 7,3 mil milhões… No final do ano poderemos avaliar.
            Ah pois claro… mas isso foi ele. E eu sou eu. Aliás, neste momento por mim não seria líder do PSD. Não querendo de todo demonizar a pessoa. É uma questão de moral e uma questão política: a prática passada não condiz com o “programa” político apregoado. E como prova a citação… metáforas médicas…

  3. O sr Saraiva é tão mas tão ignorante que ignora a) que a dívida é expressa em % do PIB e ele decresceu entre 2010 e hoje b) Que o governo foi obrigado a alterar o perímetro orçamental, fazendo constar o que estava metido por debaixo do tapete. Não há pachorra para tamanha ignorância ou má-fé.

  4. Sim, uma simples contradição da narrativa são os números da dívida.

    Usando o paralelo médico que Passos se apressou a fazer, a situação ilustra-se desta forma relacionando a dívida com o colestrol (LDL):

    – O paciente detecta um colestrol alto que passou de 132 para 151.
    – Percebe que o médico anterior é um charlatão.
    – Encontra novo médico noutra clínica, que propõe uma dieta suave, com sucesso garantido ao fim de três anos.
    – O novo médico entra em funções, e contraria as promessas dadas antes, sob argumento do estado crítico do doente.
    – No início de 2012 faz novas análises e vê afinal que aumentou para 174.
    – O novo médico argumenta que é culpa da medicação anterior, mas irá mudar.
    – O paciente aceita a contra gosto.
    – Mais restrições à dieta, com o mesmo argumento.
    – No início de 2013 novas análises, e o colestrol sobe ainda mais para 194.
    – O médico diz-lhe que é um piegas, que não percebe o bem que lhe estão a fazer, e que em 2014 verá as melhorias previstas.
    – No início de 2014 novas análises, o colestrol passa a 204.
    – O paciente argumenta que não houve nenhumas melhorias, e continua a piorar. Questiona a eurodose de banha-da-cobra que já era usada pelo médico anterior, e que o novo médico insiste em manter.
    – O médico diz que só agora passaram 3 anos, e que a situação era muito grave. Afinal o anterior médico era um criminoso. O plano tem que passar a 8 anos. Não há alternativas.
    – Chegamos a 2015, o colestrol atingiu o valor recorde de 214.
    – O médico argumenta que está melhor, muito mais magro, e já se vêm sinais de saúde. Não pode desistir agora. Começou com 90Kg e agora com 50Kg tem uma leveza invejável.
    – O paciente vê que o vizinho grego, farto das duas clínicas habituais, decidiu ir a um homeopata, com a promessa do fim da eurodose de banha-da-cobra.
    – No entanto, o vizinho grego fica em apuros. O homeopata contestava a eurodose de banha-da-cobra apenas porque queria aplicar mais.
    – Está na altura de escolher novo médico. O anterior está preso, e o sucessor, anterior colaborador, diz-lhe que nunca devia ter mudado de clínica. Agora para além de ter colesterol alto, está magríssimo. Mostra-lhe que uns bolinhos de soja que resolvem o problema da magreza. O colestrol tem que viver com ele, e com a banha-da-cobra.
    – O actual médico diz-lhe que magreza nunca fez mal a ninguém. Aqueles bolinhos são novo perigo… o que precisa mesmo são de mais 4 anos de Regime.
    – Então e o colesterol que já vai em 214? Não era isso que prometera tratar?
    – O colesterol não interessa nada, porque a banha-da-cobra é que dá boa nutrição. O que tem que continuar é a emagrecer!
    – Então e alternativas?
    – Mas que alternativas, não vê que todos os médicos são da mesma Escola?
    – Que escola?
    – Ora, ora. A Escola da Banha-da-Cobra, com o alto patrocínio Bruxelense.

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