Não sei quantos anos após a praga começar a alastrar, possuo finalmente um livro editado segundo o Acordo Ortográfico. Ofereceram-mo e não tive coragem para o recusar nem, depois, para o deitar fora. Coloquei-o num cantinho da estante, junto a outros. Inicialmente senti receio de que eles o ostracizassem mas agora estou convencido de que nada acontecerá: os livros são tolerantes (mesmo aqueles cujo conteúdo não o é). Procurei agir com normalidade (até o folheei durante uns instantes) mas desconfio que ele percebeu que nunca o lerei.
Intruso
escafandro,

Percebo perfeitamente. Passei já pelo mesmo. Antes, durante e depois.
Azar de quem recebe muitos presentes… 🙂
Lixo. São cópias. Os meus foram direitinhos pª o lixo. Até um que me custou 35 euros. Só reparei no cocozão da ortografia quando cheguei a casa mas mesmo assim não houve piedade.
Não tenho coragem. Eles não têm culpa. A culpa é sempre humana.
Não, a culpa é do invertebrado submisso que se rendeu ao AO e que o utilizou. O objecto de culto a que alude nunca se concretizou realmente.
Como eu te entendo. Sou menos tolerante, ponho-os na fila de trás, escondidos, na esperança de que lhes falte o ar…
Eu sabia que havia de existir uma veiazinha maldosa nesse corpo… 🙂