António Guterres, que figurava no topo da lista dos desejados do PS para as próximas presidenciais, fez um original manguito em inglês, com uma frase soprada a um órgão de informação estrangeiro, a Euronews: «Sempre disse que não sou candidato a candidato.» [Fica a tradução, sob a minha responsabilidade, para quem não domina o idioma de William Shakespeare e Francis Underwood]
Para os pacóvios de cá ouvirem e baixarem as orelhas: eis um esclarecedor sinal dos tempos. One more for the road.

![Frank[1].png Frank[1].png](http://5.fotos.web.sapo.io/i/B4314a148/18250430_vlNYm.png)
Em que lugar da lista dos desejados estaria o das barbas brancas? Ou jazeria na arca do PREC?
I beg your pardon?
Proponho que seja obrigatório para se poder votar que se tenha visto todos os episodios do House of Cards.
Curso intensivo de ciência política.
Se bem me lembro foi ainda no tempo de Guterres que escrevi isto:
-Sociedade Portuguesa hoje
Analfabetismo funcional; in(cultura)/ignorância; apatia cívica/irresponsabilidade; ilusão/aparato/ostentação; irracionalidade/inversão de valores; indigência mental/anestesia colectiva; ensino postiço e inconsequente; autoridade tolhida e envergonhada; justiça sinuosa e selectiva; responsabilidades diluídas e baralhadas; mediocridades perfiladas e promovidas; capacidades trituradas e proscritas; sofisma institucionalizado.
-Quês e porquês
Maleita atávica e condicionamento manipulado pelos poderes instalados; negligência paralisante no dever de participação; vício embriagante na desculpa cómoda do dedo acusador sempre em riste. Culpar D. Sebastião, o padeiro da esquina ou dirigentes de ocasião é nossa mestria e sina nossa. Culpados somos todos nós, acomodados na obsessão estéril de celestiais direitos. Também é com a nossa apatia pelos valores de intervenção e cidadania, que somos conduzidos repetidamente para o conhecido pantanal. Os nossos governantes são o reflexo e extensão da gente que somos, mas valha a verdade em escala cujo grau de refinamento, incapacidade e subversão de interesses colectivos ultrapassa os limites da decência. Que o actual 1º ministro em vez de esbracejar governe e em vez de iludir assente, invertendo essa carga em desequilíbrio e remetendo para as calendas a política de feirola de contrafeitos.
-Receituário extraviado
Cabe cultivar que ao cidadão comum não deve competir apenas votar ciclicamente em deputados acorrentados pela disciplina partidária. Na sociedade como nos bancos da escola, acautelar conceitos/aulas de civismo e cidadania, o que é liberdade, democracia, educação e compostura. A televisão pública como veículo que molda, não pode servir só para futebol, novelas e propaganda oficial. Não basta compor a rama, é preciso cavar a terra e aconchegar os tomates. Por hora o circo ameaça continuar, mas que o tempo (grande mestre) se encarregue de nos despertar enquanto é tempo. A nós, suporte colectivo de tragédias e façanhas, competirá sobretudo intervir responsável e interessadamente no que a todos diz respeito, não concedendo carta branca ao desbarato para o traçado do caminho, ao círculo restrito de políticos abengalados.
“Cabe cultivar que ao cidadão comum não deve competir apenas votar ciclicamente em deputados acorrentados pela disciplina partidária.”
Totalmente de acordo com esta frase.
Isto mostra o que de melhor temos na sociedade portuguesa. Usaram a política para subirem o trampolim e ascenderem ao topo. Uma vez no topo, não estão mais disponíveis, para servirem aqueles que um dia por ignorância os fizeram subir na vida. Temos o que merecemos………
Como se diz “pântano” em inglês?
Cá para mim, o Francis Underwood é um menino comparando com o Aníbal Silva e, com toda a certeza, o virtual legado daquele é muito menos tóxico do que o real legado deste.
O medo guarda a vinha, como ensinava a minha avó. Faz bem em manter o anonimato, não vá “Aníbal Silva” empurrá-lo para a linha do metro, como fez o “menos tóxico” Underwood, que depois disso ficou conhecido pela alcunha de Underground.
Pelo que nos conta a sua Avó nada tinha de pacóvia, suspeito até que saberia muito bem distinguir a importância do que muito nos afecta a realidade versus uma qualquer romanceada cena virtual por muito aliciante que seja.
Também a mim me intoxica muito mais a realidade que o virtual, por isso, e nos lugares virtuais em que a minha participação é objecto de censura/prévia moderação, não vejo razão para assumir uma identidade que não seja virtual, embora com um cheirinho de romance aqui e ali, pois então.
Sinta-se à vontade no seu anonimato. Nada tenho a objectar a isso. Mas é injusto falar em censura num espaço como este.