Leituras


Pedro Correia,

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«Batemo-nos acompanhados, mas morremos sozinhos. Cada um tem a sua morte só para si. Faz parte dos objectos de uso pessoal, como o saco em que marcaste as tuas iniciais com tinta. Desse encontro com a morte, Nikolai, não se deve troçar. Que ela cumpra o combinado ou, finalmente, que falte ao encontro, o coração bate com mais força do que se estivéssemos apaixonados.»

Mikail Cholokov, Morreram pela Pátria, p. 45

Ed. Publicações Europa-América, 1972. Colecção Livros de Bolso Europa-América, nº 23. Tradução de Manuela de Azevedo

0 comentários em “Leituras”

  1. Do que você se foi lembrar, comprei esse livro quando era aluno do Colégio Militar, autor russo deve ter sido depois do 25A, provavelmente 1975, vou ver se o encontro.
    “…bombardeavam as trincheiras com um cuidado minucioso, muito germânico…”
    E a enfermeira que não estava interessada nos encantos, penso que do Nikolai, enquanto lhe retirava estilhaços das nádegas.
    Boa lembrança, obrigado.

    1. Boa memória, Luís Marques. É um romance marcante sobre a guerra – neste caso, a II Guerra Mundial na Rússia acossada pelos invasores alemães. Mas transcende o contexto histórico em que foi escrito. É afinal um romance sobre todas as guerras.

  2. Este livro foi editado pela Portugália em 1963, edição que meu Pai tinha.
    Eu tenho esta da Europa-América de 1972.

    Os editores russos sempre foram editados entre nós e não foi o 25 de Abril que os trouxe…

    1. Cholokov era um escritor soviético totalmente alinhado com o regime. O Nobel que lhe foi concedido destinou-se de algum modo a compensar o de 1958, atribuído ao opositor Pasternak, que enfureceu a ditadura moscovita (ao ponto de terem forçado o galardoado a recusar o prémio). Nos anos imediatos Cholokov figurou na lista dos finalistas, acabando por vencer em 1965.
      Cartilhas ideológicas à parte, era um bom escritor. Hoje está muito esquecido, tal como sucede com tantos outros ídolos literários daquele tempo.

      1. Obrigado pelo esclarecimento sobre as “compensações”, que desconhecia.

        Claro que eu queria dizer “escritores” e não “editores” e falando de russos incluo os soviéticos.

        Talvez que algumas livrarias mais “tradicionais” evitassem expô-los muito mas, como o meu caro sabe, por essa altura eu já era cliente da Livraria Barata e nos anos 60 e início dos 70 esse era um local muito especial…

        1. Muitas saborosas histórias deve ter essa livraria – sobretudo desses tempos que não vivi mas que eram férteis nelas, nem todas com final feliz. Meu caro, se algumas pessoas escrevessem memórias pessoais (cada um escolhendo a sua) sobre a Livraria Barata, que belo livro não resultaria daí…
          Fica a sugestão a quem possa ler-nos.

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