Presidenciáveis (28)


Pedro Correia,

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Paulo de Morais

 

Há quem sonhe com um justiceiro em Belém. E ninguém merece mais este rótulo do que o vice-presidente da associação cívica Transparência e Integridade, Paulo de Morais, que em 2001 Rui Rio arrancou a uma pacata existência como docente de Estatística e Matemática ao torná-lo seu efémero braço direito na Câmara Municipal do Porto, com os pelouros da habitação e urbanismo.

Este minhoto de 51 anos, signo Capricórnio, não tardou a trocar a Avenida dos Aliados pelos ecrãs televisivos e pelas colunas dos jornais, onde vai expressando o seu imenso nojo por quase tudo quanto mexe na política. 

É um discurso muito sintonizado com o ar do tempo. Ajuda a captar audiências e agrada a muita gente disposta a “pôr fim a esta bandalheira” – seja lá o que isso for.

 

Prós – Tem a pose grave e o gesto solene de quem se dispõe a qualquer sacrifício para regenerar o País. Mantém lugar cativo no Correio da Manhã, tanto na versão televisiva como na edição em papel.

 

Contra – A sua retórica cruza por vezes em excesso o discurso do taxista com a prédica do tele-evangelista. Em certos momentos abusa do odor a santidade: chega a ser cansativo ver tanta virtude concentrada numa pessoa só.

0 comentários em “Presidenciáveis (28)”

  1. Concordo com os “contras”. Inicialmente, apreciei (e continuo a concordar com) a sua denúncia dos deputados que o são de manhã e se tornam advogados de grandes escritórios à tarde, mas também vim a concluir que enferma de um espírito justicialista levado a um extremo arrepiante, além de um ego descomunal. Aprendi com a vida a desconfiar (para não dizer a sentir horror) de gente assim.

    Nunca levará o meu voto.

  2. Este Sr intitula-se há anos vice-presidente de uma associação de transparência e integridade. Alguém sabe quem é o presidente desta associação? Tem um comportamento muito Frei Tomás…

      1. Claro que Medina Carreira não é taxista. Ele é o guru dos taxistas.
        Foi ministro das Finanças há muitos, muitos anos. Creio que há três décadas. As Finanças portuguesas já mudaram muito desde então.

  3. Muita gente disposta a “pôr fim a esta bandalheira” preocupa-se normalmente com a bandalheira “dos outros”, porque a própria tem sempre óptimas justificações.

    E o mais grave é que esse espírito é transversal à sociedade e a todas as classes sócio-económicas…

    1. Essa tese conduz fatalmente ao monopólio da actividade política por parte dos políticos profissionais (o PCP, por exemplo, já a pratica: grande parte dos deputados comunistas são funcionários do partido). Por ironia, alguns dos defensores de tal tese costumam insurgir-se também contra a profissionalização da política, o que os leva a mergulhar bem fundo na Quadratura do Círculo.

  4. Arranjo um tempinho para este… LOL!
    Este “presidenciáveis” é mais uma lista de “televisionáveis”…

    Bom, mas a política deve ser o único palco em que as putas podem acusar as virgens de não serem cu-rompidas.
    Só numa sociedade sodomizada, em que dar o cú por um tostão é moeda de troca, é que pode ser mal visto denunciar a corrupção.

    Que eu saiba, Paulo Morais tem resistido à prova do algodão, e por isso acho muito bem que haja alguém que tenha coragem para avançar explicitamente com nomes e denúncias substanciadas.
    https://www.youtube.com/watch?v=ENKjHro2uFo

    Não é pelo facto de não serem ilegais que as práticas institucionais não são uma total bandalheira moral. Afinal, só por manifesta incompetência cometeria ilegalidades quem as legisla.

    Quanto à sua candidatura política, o Pedro tem razão… o personagem é cansativo, monótono… falta-lhe carisma. Descreve um crime abominável na AR com o mesmo entusiasmo com que come um pastel de Belém.
    Nisso é bastante diferente de Marinho Pinto, seu colega na CM-TV.
    (Não deixa de ser curioso que Marinho Pinto, especialmente depois do resultado das Europeias, tenha sido remetido para a CM-TV… mas isso é outra conversa da nossa “democracia televisionada”.)

    Quanto à bandalheira… que bandalheira?
    Estes sucessivos escândalos políticos e financeiros são o quê?
    São o pouco que transborda de um tacho do regime cheio de tachos.

    Será agora politicamente incorrecto denunciar a política incorrecta?
    É claro que o BE e o PCP também, de vez em vez, denunciavam uns casos, mas depois foram consequentes com isso, ou deixaram as coisas cair no esquecimento?
    Há ou não há uma implantada podridão moral na legislação e administração política?

    Bom, mas é natural que a resposta do lamaçal seja atirar lama contra quem não está sujo. No entanto, não deixa de ser uma total nojeira de sabujos.

    1. O seu comentário dá pano para mangas, daMaia. Podia destacar vários trechos. Mas fico-me por este, que me parece certeiro e sugestivo:
      «Não deixa de ser curioso que Marinho Pinto, especialmente depois do resultado das Europeias, tenha sido remetido para a CM-TV… mas isso é outra conversa da nossa “democracia televisionada”.)»

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