Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in ‘Lição de Coisas’


Lindo!… É pena que nem todos os filhos, olhem as mães, como aquelas que um dia, lhes deram a vida. Infelizmente, há filhos que as matam nas suas vidas, antes do tempo e que as negam, perante tudo e todos.
Muito bem escolhido, Teresa.
Este poema é lindissimo. Toca-me profundamente enquanto filha!
Quero acreditar que as mães nunca morrem.
Nos filhos e filhas, dos filhos e filhas, vivem para sempre…
Só agora tenho oportunidade de agradecer-te, Teresa. Com um beijo do tamanho do mundo.