Valoriza-se muito o acesso à cultura no seio familiar para justificar as desigualdades que existem à partida entre crianças em idade escolar e nunca se discute o acesso a competências funcionais que, mais que os livros, são determinantes para a sua evolução.
Agora que tanta importância se atribui à inteligência emocional, algo que se determina muito precocemente na vida, devíamos estudar melhor esse campo para perceber porque é que alguns aplicam com êxito nas relações que estabelecem com os outros os princípios que defendem os livros de auto-ajuda sem alguma vez os terem consultado e outros se afogam nessa literatura, em sessões de psicoterapia, pílulas da felicidade e sabe-se lá que mais sem nunca alcançarem os efeitos desejados.
A prova de que motivações para alcançarem o sucesso não faltam a estes falhados é que o negócio dos livros de “aprenda-você-mesmo-a-ser-o-máximo” é um negócio de milhões. A conclusão que muitos tiram depois de anos de psis, prozacs e leituras do género é que a dificuldade não está em assimilar a teoria, mas em levá-la à prática com autenticidade. Não há nada mais patético do que ver um triste a tentar ser engraçado ou um tímido a dar-se ares de predador. A autenticidade fareja-se.
Não é preciso ensinar a crianças da pré-primária quem são os líderes naturais da turma. Os traços de personalidade identificam-se na primeira infância. Nascemos com tendências comportamentais genéticas que rapidamente desenvolvemos ou atrofiamos conforme o teatrinho familiar em que nos achamos inseridos. O optimismo, o pessimismo, o sentido de humor, a autoconfiança, a insegurança, a coragem, o medo, a violência, a inveja ensinam-se. E são esses ensinamentos que ficam, que nos ficam para a vida. Nestes tempos de facebook constatamos invariavelmente que pessoas que não víamos há décadas “não mudaram nada” e é a essa massa de pizza que nos referimos, não aos ingredientes que lhes juntaram ao longo dos anos.
Tal como as diferenças de acesso à cultura, também estes diversos níveis de acesso precoce à alegria, à tristeza, ao medo, à confiança, etc, deviam ser estudados para não se cometerem tantas injustiças na avaliação que fazemos dos outros. Quando não existia tanta pressão para sermos iguais na resiliência, optimismo, pro-actividade e competitividade, os falhados ao menos podiam levar uma vida mais sossegada. As diferenças aceitavam-se com naturalidade e conviviam bem. Não duvido de que o aumento exponencial de casos de depressão que se verifica nos últimos anos no mundo ocidental tem a ver com o sentimento de exclusão que a “felicidade” orwelliana inspira nos que por natureza não são tudo o que hoje se deve ser, ou pelo menos parecer.
Há dias encontrei na net a reprodução online de uma entrevista que a conceituada professora de Neurologia Teresa Paiva deu em 2010, à revista das Selecções do Reader’s Digest. Não duvido que se deve à sua formação científica e longa experiência profissional ter falado de si e do seu sucesso nos seguintes termos:
“Como não me fiz a mim própria, como não me escolhi, não tenho uma particular vaidade de dizer que sou assim ou assado. Não sei se devemos ficar muito orgulhosos por ter feito uma coisa; no fundo temos essa potencialidade. Esta humildade é importante tê-la”.
Pois. Quanto mais se estuda o cérebro, mais se percebe até que ponto o “hardware” e o “software” se condicionam mutuamente. Onde começa e acaba o verdadeiro mérito de se ser assim ou assado é certamente uma das questões que ficam no ar para quem mergulha nesta área do conhecimento.
Ela disse “humildade”? Aí está uma palavra proscrita. Deviam dizer-lhe que na novilíngua orwelliana é um conceito que não existe.


Para os adultos os jornalistas são os novos padres que nos dizem como nos devemos comportar.
Para as crianças temos todos da escola obrigatória totalitária com objectivo de promover a igualdade, logo não admira que a diferença não seja tolerada e a moral seja única.
Uma criança que é melhor a trabalhar com as mãos que com um papel está lixada à partida, uma criança que esteja bem mais desenvolvida é travada, etc etc.
Está lixada à partida e à chegada. É que, na maior parte dos casos, o trabalho manual tem menor remuneração.
Eu vejo pedreiros e serralheiros a serem mais bem pagos que muitos com curso universitários. E não são pessoas com grande arte que apreciem especialmente o seu trabalho. Coisa que se vê pela qualidade.
Se o fizessem com gosto ainda estariam melhor.
Só o desejo da maioiria burguesa em transformar-se em aristocracia e o seu narcisismo romântico tornou possível este desprezo pelo trabalho manual – ou melhor trabalho misto, porque na maior parte dos casos é preciso tanto de intelecto como de jeito.
Romantismo é a reacção(a Esquerda dirá “politicas alternativas”) ao Renascimento.
Todos querem ser aristocratas por isso desprezam pensar em dinheiro, contas de merceeiro dizem.
Só pensam em servir os outros umas horas numa ONG que podem por na lapela.
Pensarem em fabricarem produtos que interessem/sirvam aos outros é um anátema, é comercial, mercantil e por isso desprezível.
Os produtos têm também de funcionar e isso é um problema para quem vê o mundo apenas sob prisma político, onde basta a vontade para as coisas supostamente acontecerem. Desenhar 7 vezes uma peça porque falha é um sacrifício. A realidade é para ser domada pela vontade política. E para isso basta um discurso.
Portugal e a sua desindustrialização – ou industrialização falhada – é muito explicada pela sobrevalorização da Política ou seja pelos jornalistas.
Desempenho uma profissão que exige um curso universitário. Diga-me onde é que um pedreiro (basta enviar-me o endereço de e-mail) ganha mais que eu, que eu mudo já.
Não se faça engraçado há muitas pessoas com cursos universitários a ganharem menos de 1000 euros.
Os jornalistas, com todos os seus defeitos, fazem-lhe muita falta, deixe-se lá de histórias. Às vezes não fazem melhor porque não os deixam ou não ensinam como deve ser (no caso dos mais jovens).
Esta nova cultura foi importada dos states, de um modelo de sociedade profundamente liberal, tal e qual como o Lucky gosta.
Os “States” o centro do Marxismo mundial? do “eduquez” ? da paranóia da regulação para tudo?
Vá ler algum jornal Americano e veja onde encontra LIberalismo(Libertarianism), em meios de grande difusão? Encontra um artigo no Wall Street Journal a espaços, na Forbes e pouco mais. Tudo o resto é Socialismo para todos: Grupos Vítima, ONG’s , Empresas, Bancos.
O Estado em tudo.
É para isso que existem os Jornais, para convencerem as pessoas que a política – ou seja necessidade de escolha sobre os mais diversos assuntos- é precisa e como escolha única que elimina todas as outras opções todos têm de se conformar. Não há lugar objecção de consciência. Política é a eliminação da escolha.
É uma das razões para a queda na criação de empresas nos EUA . Com taxas inferiores a vários países.
Não quero ser mau mas este post é….ridículo.
Pois primeiro vai assentar todo o alongar do texto, mais concretamente nas capacidades e incapacidades humanas, no “Nascemos com tendências comportamentais genéticas que rapidamente desenvolvemos ou atrofiamos conforme o teatrinho familiar em que nos achamos inseridos.” Admitindo que ao nível genético estamos “lixados” e que não o podemos mudar, apenas moldar conforme somos ensinados. Porém, esta opinião emite uma falácia ao contrariar esse mesmo argumento base negando os “prozacs” e “em sessões de psicoterapia” como tratamento para um problema correlacionado com o ADN e com os balanços e falta de balanços químicos no cérebro que estão obviamente ligados ao ADN e à experiência de vida. Vamos ser claros e distintos: se temos uma solução química defeituosa e a queremos mudar então vamos mudá-la através de outras reações químicas (os ditos “prozacs”); pois, também as ditas “sessões de psicoterapia” funcionam enquanto forma de clarear a mente do paciente e guiá-lo, passando então à medicação (sendo esta recomendada por quem guia as ditas sessões) em conjunção com as sessões.
Não obstante concordar com a crítica à literatura do “self-help”, devo desconstruir esta opinião aqui apresentada e pedir menos “irritação” porque é isso o que o autor (a autora) está a fazer, na verdade, está a disparar para todas as direções encontradas tentando demonstrar uma base mínima e não certa ou pouco certa de conhecimento factual.
Pressinto, honestamente, uma clara necessidade de quem escreveu isto de contrariar “algo” ou alguém. Os tiros foram disparados para Orwell, para a pseudo-literatura do “self-help”, para as sessões de psicoterapia, e para os “prozacs”….
Atentamente,
Orwell. (Claro que não, apenas outro pateta.)
Pois, eu entendi este texto como um conselho aos patetas para não perderem tempo a ler patetices. Porque ser pateta nada tem de mal, mas ninguém deixará de ser pateta por chamar aos outros patetas, apenas deambulará numa peripatetice pegada.
Os balanços químicos do cérebro dizem tanto sobre o funcionamento do pensamento como a salinidade diz sobre as espécies de peixes que existem nessa água. Sabe que demasiado sal mata todos, e ausência de sal mata alguns, pelo convém ter salinidades normalizadas. Resume-se a isso.
O que o ADN condiciona sobre o pensamento é sabido desde o momento em que se separaram gémeos… ou seja, sabe-se que o ADN humano permite desenvolver pensamento humano, e pouco mais que isso, tirando alguns tiques e outras disposições semelhantes nos gémeos, que nada têm de racionalidade.
Outro aspecto assinalável do texto é a crítica implícita ao “self-made man”, postura muito comum nos tempos correntes. Porque, o self-made man é homem auto-gerado, como um deus, não nasceu de coisíssima nenhuma, fez-se a si mesmo do nada, contra tudo e contra todos.
E isso é tão pateta, que nem lembra aos mais patetas, mas lembra a muitos que recusam ser patetas. Felizmente, esse não é o caso do Pateta.
Há-de dizer-me quais são as pílulas e os tratamentos de psicoterapia que transformam a timidez em ousadia, a falta de sentido de humor em veia de humorista e por aí fora. A psicoterapia e os psicofármacos podem ajudar a estabelecer equilíbrios (por exemplo, reduzir a ansiedade, combater a tendência para a depressão) mas não mudam perfis psicológicos. Isso seria mais coisa do domínio da alquimia, não lhe parece? med/consumo-de-ansioliticos-triplicou-em-p ortugal)
Sou crítica em relação aos livros de auto-ajuda, que na minha opinião só ajudam (financeiramente) quem os escreve, mas nunca pus em causa aqueles tratamentos. No máximo terei reservas em relação à prescrição e consumo excessivos de psicofármacos (segundo o Infarmed o consumo destes medicamentos triplicou durante a última década – http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/infar
Às vezes estes comentários ficam fora do sítio, vá-se lá saber porquê. Esta resposta é para o Pateta, evidentemente.