Presidenciáveis (15)


Pedro Correia,

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António Guterres

 

Depois de mim virá quem de mim bom fará. O contestadíssimo António Guterres já deve ter pensado muitas vezes neste provérbio popular que certamente conhece bem desde a infância passada na aldeia das Donas, perto do Fundão. Um provérbio que se adequa na perfeição a muitos titulares de cargos políticos, recordados com alguma nostalgia uns anos após abandonarem os cargos. Talvez por isso, não falta hoje no PS quem defenda a candidatura à Presidência da República do antigo secretário-geral do PS, primeiro-ministro entre 1995 e 2002. Guterres, de 65 anos e signo Touro, conseguirá resistir a tais apelos?

 

Prós – O ar bonacheirão, o espírito dialogante, o alto cargo internacional que desempenha actualmente (alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados). O seu perfeito domínio da língua inglesa, que em nada se confunde com “inglês técnico”. Angelina Jolie, de quem é amigo, poderia fazer campanha ao lado dele.

 

Contras – Abandonou o poder quando o PS dispunha de 50% dos lugares no Parlamento invocando um pretexto irrisório (derrota tangencial numas autárquicas). O discurso do “pântano” que então proferiu leva a que muitos ainda lhe roguem pragas – fora do PS e dentro do próprio partido que liderou entre 1992 e 2002. O célebre “diálogo” guterrista tornou-se sinónimo de passividade e frouxidão.

0 comentários em “Presidenciáveis (15)”

  1. Este leva o meu….

    Pela experiencia acumulada em suprir as necessidades básicas alimentares (e outras) dos povos ….

    O Presidente certo para coordenar uma eventual 2ª leva de “retornados”…
    Olá, Angola!

  2. Não foi um grande primeiro-ministro? Claro que não.

    Mas é uma pessoa brilhante. Não andou a afirmar que era engenheiro sem o ser: completou o curso do Técnico com classificações de topo. E é obviamente um sujeito bem formado.

    O seu perfil, os contactos internacionais que vem mantendo, falar inglês e francês (pelo menos) fluentemente, já ter sucedido uma vez a Cavaco (e — pelo menos nos primeiros tempos — sentiu-se uma agradável mudança), tornam-no, a meu ver, um presidenciável muito consistente.

    Parece não estar nisso muito interessado, e compreendo-o bem: dado o seu perfil, sentir-se-á realizado nas funções que desempenha.

    E, quanto às declarações sobre o “pântano”, na minha modesta opinião, foram bastante distorcidas: ele não afirmou que Portugal estava à beira do pântano, como por aí se diz.

    Resumindo, é o sexto da lista em que admitiria votar.

      1. O problema é que desses seis (onde se incluem por exemplo António Barreto, Oliveira Martins, Jaime Gama) parte são apenas “presidenciáveis” e não se vê que se tornem candidatos.

  3. Agora o Sr. fez-me rir.
    Não me fez rir de si. Fez-me rir em relação ao “Pântano” que é mais ou menos idêntica á tal conta da percentagem, já aqui referida.
    Quando Collor de Mello foi eleito no Brasil também proferiu um discurso idêntico.
    Mais ou menos isto:… ” O Brasil estava á beira do abismo. Comigo, deu um passo em frente.”
    Por amor de Deus, por ser bilingue ou poliglota não o torna menos corrupto que o Sócrates, Constâncio, Barroso, Soares entre outros.
    Engraçado que quando foi ordenada a prisão de Sócrates, todos eles se apressaram a visitá-lo por….”SOLIDARIEDADE”…, presumo.
    Ou terá sido para lhe deixar um aviso ?
    Gostava eu que por uma vez na vida, alguem tivesse a coragem de não defender quem ao longo de tantos anos nos tem feito tanto mal.

  4. P. Correia encetou, catalogando esta série de presidenciáveis, um interessante projecto com claros méritos.

    Seria possível alvitrar alguns “presidenciáveis” com almas políticas menos sectárias, menos poluídas partidariamente?.

    Por escolha própria um homem de partido … é isso, um homem com uma visão política parcelar, partidária, da sociedade.
    Em candidaturas à Presidência da República “ex-partidocratas” deveriam ter a hombridade de se abster. Porquê?.

    Nunca poderá ser visto como isento o exercício da Presidência por um ex-partidocrata.
    A “outra metade” do eleitorado (e a enorme abstenção) nunca apoiam as decisões de um Presidente com semelhante pecado original.
    Candidaturas partidocráticas não são democraticamente saudáveis. E são muito pouco didáticas, por muito que os partidos proponentes (ou eufemisticamente apoiantes) tentem adoçar a pílula.

    É, tem sido sempre, e será, uma fonte de desprestígio para a Presidência da República.

    1. Sr. Barbosa:
      Ler comentários imbecis como o seu não faz mal à saúde?
      No estado em que está o SNS eu abstinha-me de os fazer em prol da comunidade.

  5. Que se deixe lá estar.Havendo dinheiro dos outros para fazer caridades e não o metendo ao bolso já não é nada mau nos dias que correm.Tem isso a favor.
    Mas cá? Encheu o governo de um escol de estadistas abrilhantado pelo maior pensador político da actualidade infelizmente encarcerado.Prometeu isto e aquilo,cumpriu,e quando as continhas do estado começaram a dar de si ameaçando a continuação do bodo,sentiu-se atascado e pirou-se.Deixou o tal escol que nos levaria aos píncaros da felicidade e da dívida,pública e privada.Orgulha-se ainda de tal.Pois que fique aonde está,não causará mais danos.

  6. M. S. quererá dizer Mário Soares ? Ou será que é Movimento Socialista ?
    Eu ainda tenho nome e identifico-me.
    Talvez lhe tenha tocado na ferida. Terá sido isso Sr. M. S. ?

    1. Guterres tinha maioria clara no Parlamento. Só não tinha maioria absoluta monopartidária: faltava-lhe um deputado. Mas esse voto suplementar surgiu, sempre que necessário. Pelo preço de uma fábrica de queijo em Ponte de Lima.
      Abraço deste seu admirador.

      1. E afinal a fábrica nem se fez,parece-me.Os tais do Limiano deram à sola para outras paragens.Corrijam-me se estiver enganado.

  7. Meu Caro: como é que se tem uma “maioria clara” sem maioria? Estive em dois governos Guterres. No primeiro com menos votos que as oposições somadas. No segundo com igual número de votos ao das oposições somadas. Nem você imagina como as coisas foram difíceis! O “caso limiano” e o seu preço são a prova evidente disso.

    1. Meu caro Embaixador: governos sem maioria absoluta monopartidária é o que mais existe nessa Europa fora, como bem sabe. Ainda recentemente a excelente série televisiva dinamarquesa ‘Borgen’ nos demonstrou isso: a política, em democracia, é uma negociação permanente. Com amigos, aliados, adversários e até inimigos.
      Julgo que em Portugal os chamados partidos do “arco da governação” (expressão detestável) andaram demasiado tempo mal habituados nesta matéria. ‘The winner takes it all’: apostavam nisto ou recusavam tudo o resto.
      Conheci de muito perto o período que menciona por vários motivos. Desde logo porque o acompanhei ao pormenor, dia a dia, enquanto jornalista profissional de um dos principais diários portugueses. Como em regra acontece, à medida que o tempo passa, os problemas dessa época pareciam quase irrisórios em comparação com os actuais.
      É verdade que Guterres foi muito injustiçado e abandonou o poder, sob o pretexto de uma derrota tangencial nas autárquicas (algo normalíssimo em democracia), sentindo-se profundamente amargurado. Mas a verdade, como ambos sabemos, é que as principais dificuldades – ao menor pretexto, incluindo o da sua crença religiosa – vieram-lhe do interior do PS, não do exterior. Juntos ou em separado, PSD e CDS acabaram sempre por lhe viabilizar os orçamentos.
      Algum aparelho socialista é que jamais lhe deu tréguas.
      Valia a pena narrar a história desses tempos tão conturbados e de uma certa pulsão autofágica que pareceu ter-se apoderado então do PS.

      Um abraço.

      (Naturalmente, não podendo ser insensível ao seu reparo, alterei o texto)

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