
(à saída de um hotel, em Madrid)
Jornalista: Ronaldo, o que quer dizer aos portugueses?
Cristiano Ronaldo: Quero dizer-lhes que foi um dia inesquecível para mim e para eles, pelo menos para os que gostam de mim.
Gosto de ti, Ronaldo. Foi como ter um filho. Melhor que ter um filho.

André ri-me bastante com o seu post mas a verdade é que o display ridiculo que a imprensa portuguesa fez nos últimos dias é evidente que o Ronaldo pensa que tudo o que ele faz é absolutamente maravilhoso
Por maior destaque que tenha acho que nenhuma pessoa de bom senso diz que algo que lhe aconteceu será inesquecível para um sem número de gente que nem o conhece.
Se ele pensa assim é porque alguma coisa não está bem ali.
Para além do mais é um jogador de futebol! Será que ele não está em si?
Há dezenas de pessoas com destaques iguais e superiores que nunca disseram nada do género. E em actividades bem mais nobres. A humildade fica bem.
As actividades humanas são nobres se forem praticadas com nobreza. Não acho menos nobre jogar bem futebol (e neste bem incluo a componente estética, ética….) ou fazer outra coisa qualquer igualmente bem. Não partilho uma visão do ser humano que o divide ao meio, corpo para um lado, espírito para o outro, em que as actividades com uma forte componente corporal sejam desmerecidas em relação a outras de componente mais intelectual. Como se não fôssemos sempre uma unidade actuante, obviamente evidenciando dominantes, consoante a natureza da actividade. Nem partilho uma concepção de cultura que relegue a cultura corporal para um segundo lugar, como se se continuasse, de outras formas mais sofisticadas, a considerar pecado tudo o que ao corpo diga respeito. Quer se queira quer não, o corpo ainda é a casa que nos permite ser. Em acabando-se… rsrsr
(Ligando estas palavras a M. Jackson , porque ainda está muito presente, veja-se o texto que o Pedro Correia publicou que também falava do modo como ele ‘tratou’ o seu corpo e o quanto isso também pode dizer dele.)
mdsol , discordo em grande medida.
Adiantando que gosto muito de futebol, ao ponto de ter cativo no meu clube desde sempre e de recentemente ter criado um blog sobre ele, não considero que a arte que tem como origem o pontapé na bola tenha a nobreza de outras, na sua maioria daquelas que partem do desenvolvimento e aperfeiçoamento do intelecto.
Por outras palavras não desperta em mim a mesma admiração o escritor que me proporciona um bom livro, o arquitecto que desenha uma obra que me deixa de olhos abertos, o pintor que faz um bom quadro, ou o jogador que marca um golo, por muito que seja do meio campo e ao ângulo.
O futebol, na minha opinião, é uma indústria pura e pura. Certas artes, pela dificuldade com que se desenvolvem pelo génio que implicam despertam em mim admiração superior.
Atenção que como lhe disse sou fanático pelo meu clube e me coloco bem longe daquilo que diz o leitor Diogo uns comentários abaixo.
André:
Teria todo o gosto em continuar esta conversa consigo. Agora não tenho tempo e não queria responder-lhe a correr. Ainda assim e muito brevemente:
1) O futebol não é um jogo de pontapé na bola. Pontapear a bola é um gesto t+ecnico que não terá nenhum sentido se não for enquadrado tacticamente, quer seja tactica ‘individual’ e muito naturalmente tactica da equipa.
2) para ser um bom jogador tem de ter uma qualquer inteligência. Não tenho capacidade para discutir essa questão, mas penso que é pacífico que hoje em dia são tidos em conta vários tipos de inteligência. Um jgador pode não ter formação academica, mas isso é outra coisa. Quantos cientistas prodigiosos, filósofos ilustres, pintores extraordinários …. apresentavam déficits extraordinários de inteligência relacional por exemplo
3) A preferência pela música, ou pela literatura é perfeitamente legítima. Eu por exemplo, não percebo nada de pinura (academicamente falando) e gosto imenso, comovo-me muito e acho que aprendo muito a ver e quadros. O mesmo com a música. Identificamo-nos mais com umas coisas do que com outras, é natural. Não é que sejam superiores, tocam-nos mais por um ou outro motivo.
4) O futebol também se tornou um negócio. Mas, por isso, não deixou de ser uma prática desportiva. Esperemos que a prática ética dos negócios não acabe de vez com o desporto. Muitos dos problemas atribuídos ao futebol não são do futebol, mas do ssub sistemas sociais que com ele se interligaram.
5) Permita-me algum ‘maternalismo’: possivelmente ser fanático de um clube não ajuda a fruir o prazer do jogo pelo jogo.
Agora tenho mesmo de ir. Escrevi de carreirinha, por isso peço desde já esculpa se não lhe respondo devidamente.
;))))
Tal como a Daniela também me ri com o post . Aliás, já tinha sorrido amarelamente (?) quando ouvi e vi na TV o episódio. Mas, lamento dizer, a ‘culpa’ não é do Cristiano Ronaldo. Disso estou certa. Goste-se ou não, ele é excelente naquilo a que se dedica. E, sendo excelente, só pode ser uma inspiração. Agora… quem anda dois dias atrás dele, a ver se ele olha para cima ou para baixo, se vai à casa de banho ou atira beijinhos aos fãs, a fazer directos de Madrid com enviados especiais a falar de nada, a noticiar num jornal principal que sim, senhoras e senhores, um dos seus repórteres foi o mais requisitado e, glória das glórias, entrevistado pelo canal de um clube de futebol e promovendo o acontecimento do Real Madrid, vazio… além de gerar receitas… esses nem vontade de rir dão. Dão uma enorme vontade de chorar.
Ui, “além de gerar receitas”
Para quem ? O País ganha alguma coisa com isso ?
Claro que ganha!! Pelo menos a nível de prestígio desportivo. Mas compreendo que o Sr(a). Intelectual não saiba sequer o que é desporto. Quanto mais o que é prestígio desportivo.
Além de que, este prestígio pode também ajudar áreas como o turismo por exemplo.
Oh Diogo, não tarda nada está a recorrer a M. Mauss e a pedir que vejam o desporto como um fenómeno social total rsrs Olhe que, se calhar, é pedir demais … Gostei do seu empenho!
:))))
O País ganha com isso, sim.
Para além de investimentos que o Ronaldo possa fazer cá, há sempre o nome de Portugal a circular no mundo. De repente, para uma data de gente, Portugal deixa de ser uma província de Espanha e passa a ter uma existência própria. Já outros descobrem que Portugal existe. Como marca somos promovidos dessa forma.
Por outro lado é possível que o facto de Ronaldo ir para Madrid possa ajudar a que o Mundial de 2018 nos calhe. O que indiscutivelmente traria muita gente ao nosso País, promovendo a nossa marca e deixando cá dinheiro.
Não é o Euromilhões, mas é melhor que nada.
Tem razão. De chorar baba e ranho.
É a estupidificação total da sociedade. É um crime aquilo que fazem. Tornam as crianças cada vez mais acéfalas e acríticas e s adultos cada vez mais fúteis.
E não é que ele tem razão?
Quem se vai esquecer daquela recepção? É de facto inesquecível para quase todos os portugueses. Tal como foram inesquecíveis os tempos de Eusébio.
Ele tem razão. Não disse se era melhor que ter um filho. Apenas disse que seria um dia inesquecivel para quem gosta dele, e não poderia estar mais certo 🙂
Eusébio tinha uma característica comum aos grandes homens, era humilde. Ronaldo é cada vez mais vedeta, cada vez mais gabarolas, egocêntrico e individualista. Triste em especial de quem veio de uma condição social que lhe permitiu experimentar as dificuldades da vida.
Compará-lo com Messi, Zidane, Figo ou Beckham em termos de personalidade é uma dor de alma.
Vocês matam-me de curiosidade, não vi nada disto, não sei em que canal passou, não há direito :)) por favor dêem-me uma dica, caramba ……. :)))
André:
A pressa não é boa conselheira. Obviamente as receitas são do Real Madrid. Mas, é tão óbvio que, por pior que seja o meu português, não devia carecer de demonstração.
:)))))