Muito que se lhe diga, esta praia… Para um estranho não tresler o terreno, requer grande e moroso trabalho de espeleologia, revolvendo e interpretando camadas sobrepostas de história, hábitos, códigos mudos e demais pergaminhos… Hoje em dia consigo ter outra coisa, ainda, em consideração – a paciência dos figueirenses autóctones. Os de Janeiro a Janeiro de cada ano, coitados! No resto e no objectivo, há um areal desproporcionado – verdadeiro teste de resistência; há um clima voluntarioso que se aceita com práticas sui generis de voodoo 🙂 ; há algumas heranças de Santana – as más, como os mundialitos e os desfiles de samba em pleno Agosto… e as boas, como as passadeiras confortáveis -, e depois há aquela luz absolutamente incomparável; há o mar de adamastor, frio e ‘ adrenalinógeno ‘; há a bolacha americana, os gelados da emanha e os bolos caseiros da cassata ; há os restaurantes bons e a esplanada do tamariz ; há a caravela a abarrotar de gente; e há as vias sacras da memória viva de cada verão, que por vezes a noite não se aguenta de frio e sempre temos o bar da sala de jogo do casino (bebidas em conta e assentos disponíveis), ou então as casas, as nossas ou a de amigos e primos e conhecidos, e ainda dos espanhóis e os alentejanos de sempre, um café de balão velhinho e uma cavaqueira bronzeada, pelo meio umas cartas e com sorte pelas 4 da manha um pão quente. Digam lá que não faz bem a saúde… e que não é genuinamente portuguesa! Senão vejamos: uma praia de família alargada, que se detesta e maldiz mal se atinge a idade da razão e da qual se que deserta a fugir a sete pés rumo ao sul; mas a que se volta sempre como o filho pródigo. E como o fado 🙂 Uma como tantas outras que ainda persistem para além do maior ou menor glamour do areal.
Incompreensivelmente e inexplicavelmente, apesar de a achar uma “senhora praia”, nunca me cativou, Pedro.
Admito que sim, Mike, mas continuo a achá-la uma das raras praias urbanas em Portugal dignas de ombrear com outras.
Já fui feliz aí 🙂
Também eu. O facto de ser filho de uma figueirense ajudou.
Muito que se lhe diga, esta praia…
Para um estranho não tresler o terreno, requer grande e moroso trabalho de espeleologia, revolvendo e interpretando camadas sobrepostas de história, hábitos, códigos mudos e demais pergaminhos…
Hoje em dia consigo ter outra coisa, ainda, em consideração – a paciência dos figueirenses autóctones. Os de Janeiro a Janeiro de cada ano, coitados!
No resto e no objectivo, há um areal desproporcionado – verdadeiro teste de resistência; há um clima voluntarioso que se aceita com práticas sui generis de voodoo 🙂 ; há algumas heranças de Santana – as más, como os mundialitos e os desfiles de samba em pleno Agosto… e as boas, como as passadeiras confortáveis -, e depois há aquela luz absolutamente incomparável; há o mar de adamastor, frio e ‘ adrenalinógeno ‘; há a bolacha americana, os gelados da emanha e os bolos caseiros da cassata ; há os restaurantes bons e a esplanada do tamariz ; há a caravela a abarrotar de gente; e há as vias sacras da memória viva de cada verão, que por vezes a noite não se aguenta de frio e sempre temos o bar da sala de jogo do casino (bebidas em conta e assentos disponíveis), ou então as casas, as nossas ou a de amigos e primos e conhecidos, e ainda dos espanhóis e os alentejanos de sempre, um café de balão velhinho e uma cavaqueira bronzeada, pelo meio umas cartas e com sorte pelas 4 da manha um pão quente.
Digam lá que não faz bem a saúde… e que não é genuinamente portuguesa!
Senão vejamos: uma praia de família alargada, que se detesta e maldiz mal se atinge a idade da razão e da qual se que deserta a fugir a sete pés rumo ao sul; mas a que se volta sempre como o filho pródigo. E como o fado 🙂
Uma como tantas outras que ainda persistem para além do maior ou menor glamour do areal.
A minha praia! (Estou quase lá).