Quando a carnificina do Charlie Hebdo já não for mais do que uma vaga memória, há uma questão que importará resolver. Há lugar, ou não, para a blasfémia numa sociedade civilizada? É, ou não, desejável que a crítica, a oposição, a discussão de ideias, se faça de forma polida, sem intenção ou necessidade de ofender as opiniões e os credos dos demais? A minha liberdade acaba, ou não, quando começa a liberdade do outro? De momento, é tudo muito claro. Somos ou dizemos (quase) todos que somos “Charlie”. A blasfémia proclama-se, de forma mais ou menos autêntica, como direito irrenunciável. Mas depois, quando o distanciamento trouxer outra calma, em que ficamos? De momento, à falta de uma visão mais lúcida dos acontecimentos e de uma reflexão mais abrangente, há uma linha que me parece clara. Sempre que uma acção blasfema ou uma prática ofensiva tiverem a ameaça ou a concretização da morte ou de qualquer tipo de violência por parte de poderes ou grupos mais ou menos organizados como reacção provável ou real, precisaremos sempre de mais e mais blasfémia. Cada nova ofensa constitui, nesse caso, a ampliação do espaço de liberdade.
Blasfémia e liberdade
Rui Rocha,

Aqui há que definir blasfémia e liberdade.
Se blasfémia é humor, um homem que não tem a capacidade de rir de si próprio nem a tolerância para aceitar que outros os façam, pode estar coberto de ouro, e usar tecnologia de ponta, mas no fundo ainda não saiu das cavernas.
Liberdade é bem mais difícil de entender para quem sempre esteve condicionado.
Basicamente é isso, mas a derrota é clara.
Por exemplo Inglaterra já há muito desistiu, é um país onde a censura é permamente, até por se ler um texto de Churchill.
Como os jornais tugas censuram as mudanças na Europa desde há muito, é preciso ir a sítios blasfemos para saber.
O Charlie Hebdo decapitado será pouco mais que pó em pouco tempo. É preciso um tipo particular de cultura para sobreviver, e com os pais e filhos do Maio de 68 a serem protegidos do Islamismo pela Polícia está tudo dito.
Na Irlanda, não têm dúvidas: http://lishbuna.blogspot.pt/2015/01/blog-p ost_76.html
Em Espanha dá multa (artº 525 do Código Penal).
Mermão,
eu estou em crer que a melhor maneira de se fazer o que se pensa é fazendo. Como tal, não se reproduzam cartoons por outros elaborados. Façam, com a mesma ofensa de alguns cartoons que outros elaboraram, o que dizem.
É este tipo de coerência que eu quero ver nos corajosos. Eu não quero ver um inofensivo cartoon de Maomé, como aquele que o Pedro reproduziu, indignado com os acontecimentos e enfatizando a mensagem de pacificação.
Eu quero ver os corajosos a fazer alguns cartoons ofensivos que Charlie Hebdo publicou.
Pelo que vou lendo na imprensa muitos corajosos limitam-se à indignação da mortandade mas não ousam ir mais longe. Fazem umas criticas veladas mas não ousam atingir o ponto da “blasfémia”, ou por cobardia ou porque simplesmente querem dizer qualquer coisita para se sentirem vivos. E entendem isto como um acto de coragem.
Só para concluir. O que está subjacente neste acontecimento é a ofensa e não os cartoons inofensivos que se reproduzem. E é mentira que a questão se foca na utilização da caricatura de Maomé, mas no que se caricatura.
Portanto: Se a violência verbal for respondida com violência física, a violência verbal torna-se não apenas legítima como imperativa. É esta a tese?…
Para si sampy é precisamente essa resposta. Mas claro para si a qualificação de violência varia muito.
Gozar com banqueiros é bom, gozar com a Igreja é bom – agora por necessidade táctica passou a ser mau para apenas manter a coerência das aparências por momentos- gozar com os salazaristas é bom, gozar com os puritanos do sexo é bom, um cartoon de trabalhador da CGTP a ser enr*b*do é mau, mas um cartoon de um capitalista enr*b*do já é liberdade do 25 de Abril que foi para aquilo que lutámos!
Gozar com os pretextos da esquerda do momento, porque a esquerda não tem causas, tem pretextos é mau, tudo o resto é bom.
Agora está aliada ao Islamismo Terrorista como antes criou as FP-25, Brigadas Vermelhas & Co.
Há muitos defensores do Governo de 1984 no livro de Orwell.
E é claro que sampy’s, Ventos, & Co. têm que começar a catalogar o Index e os livros a serem queimados.
Eh pá, tens de moderar esse consumo de folhas de couve enroladas. Não só te impede de entender o que os outros escrevem, como também acaba perturbando a capacidade de te fazeres entender.
Olá sampy,
está bem colocada a sua pergunta. Agora alheando-nos do texto e do pensamento do nosso Rui (para quem esta reflexão não se dirige), constata-se que há muita gente que se atrapalha só porque não sabe.
Aprendi há muito tempo o seguinte: “rapazes que não sabem até os tomates lhe atrapalham”. E assim vivem em constante onanismo que julgam de origem intelectual.
Grande tema! isso vale a pena puxar da cabeça e debitar como bom troll toda a nossa sabedoria(que como acontece na bancada do estadio, reconhecemos valor ao treinador, mas sabemos mais que ele, como se devia colocar o Ronaldo ou substituir os jogadores; e até dou comigo a dizer que o melhor do mundo devia ter entrado pelo outro lado e rematado mais por baixo).
Situando o local UE, liberdades – as melhores do planeta, sociedade mais cobiçada pelos habitantes da Terra para viver.
Discutimos o que se pode escrever/desenhar ou defender nos meios de comunicação – já que em círculos restritos é só connosco, porque a pide é ilegal cá e em toda a UE. Como temos uma aceitação legal e generalizada que a liberdade de imprensa é intocável -que acho fundamental relevar e reforçar, não vá acontecer os “moralistas” ganharem alguma eleição por aí, defendo que seja expresso por directiva que a interpretação, escolha, controle e reacção do que está escrito/apresentado em tudo(net incluido) será única e exclusiva responsabilidade dos próprios.
Ter credo ou não ter nenhum é um direito irrevogável e intocável. As regras e práticas de qualquer credo subordinam a toda a legislação da UE, nomeadamente os direitos das mulheres, crianças e minorias impreterivelmente.
A prática e iniciação dum credo só pode ser iniciado pelas crianças após a idade do entendimento pleno (14 anos?).
Sobre o tema muito especifico da blasfémia penso que está incluido na total liberdade de imprensa e a sua leitura é unica e exclusiva responsabilidade de cada um.Blasfemem que o vosso blafemar por vezes tem graça; e quando não tem deixo de ler.
Que blasfémia, que quê?
Ou existe fé, ou não existe.
Educada por um ateu e uma católica praticante, parece-me claro que acreditar na blasfémia é, desde logo, uma falta de crença a todos os títulos punível por lei.
O bobo da corte sobrevive enquanto for tolerado pelo rei; e enquanto for defendido pelo rei.
Até onde somos capazes de ir para defender o nosso bobo? Essa é que é a questão.