«Talvez a idade acrescente um pouco mais de sabedoria, não daquela que se aprende em livros, mas da que se ganha vivendo e enfrentando as adversidades de cada dia que passa. Penso que a palavra com mais peso em 2014 foi Indiferença.
Indiferença por tudo o que se passa à nossa volta, indiferença pelas hecatombes visuais e auditivas que nos embotam os sentidos nas ruas, no trabalho, nas escolas até mesmo na fortaleza do silêncio que construímos à nossa medida e que afinal não é assim tão inexpugnável como parece.
Haverá ainda quem perca a fome assistindo a tragédias (des)humanas de excruciante subsistência em África, na Ásia, aqui ao lado, num barraco destelhado? Crianças com olhos vazios de amanhã , corpos pútridos e mutilados numa vala comum, lágrimas de dor e desespero lá longe onde o mar lhes engoliu o coração… nada, já não comovem ninguém. Talvez um pesaroso “coitados” , e nada mais.
Os vagalhões da tragédia, por se tornarem tsunamis de informação ao quilo, esbarram no muro da indiferença que fomos erguendo e nos tornou apáticos e insensíveis.
É com essa insensibilidade que aceitamos a palavra executar, como se os terroristas e assassinos do ISIL fossem dirigentes democraticamente eleitos de um estado soberano que não aboliu a pena de morte.»
Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

Muito lhes agradeço a preferência.
Queria acrescentar que o meu comentário favorito, foi escrito por Vento, acerca deste texto da Teresa Reis
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/rel igiao-e-incomodidade-6981146#comentarios