Em defesa do bem absoluto, não falta quem professe hoje a doutrina da equidistância moral entre carrasco e vítima. Contemporizando assim com o mal absoluto: o indivíduo que degola é equivalente em humanidade ao degolado.
Diga-se que nada disto é original. Longe disso. Não tem faltado, desde os confins dos tempos, quem estabeleça paralelo moral entre Abel e Caim.
Penso rápido (62)
Pedro Correia,

Em que contexto enquadra o que expõe as golas, Pedro?
Qualquer contexto, Vento. No momento em que escrevo tenho o ‘Correio da Manhã’ na mesa de trabalho com esta manchete: «Português degola médica brasileira». Lá dentro, na página 10, o mesmo verbo também em título: «Degola a mulher à frente do filho».
Serve este contexto, nem é preciso outro.
Serve, Pedro. Mas se é esse o contexto, o que tem que ver Abel e Caim na história?
A mesma incompreensão, intransigência, raiva… lograr desafiar a ordem para atingir a realização pela superioridade animal… por aí talvez?
Talvez por aí, pelo lado animal. Mas a história de Abel e Caim dá-nos conta que tendo sido este o primeiro homicídio, segundo a mitologia, também não podia haver consciência do acto em si.
Penso que hoje o caso é diferente, e nos casos específicos de morte também creio que é a banalização do matar – assistimos a isso a toda a hora, até mesmo em nome de uma ordem, refiro-me a guerras e a ódios – que deve estar na ordem do dia.
Como se pode criar um Homem Novo se as crianças nascem no meio de tanta violência e até revelam uma apetência (i)natural para aqueles jogos de guerra e morte que se vendem em toda a parte e baixam também na internet?
A morte que vemos a toda a hora na TV, na Internet e em todos os tipos de media deixa-nos insensíveis ao fenómeno. Não será melhor começar a questionar a nossa sociedade ao invés do facto em si (que foi o que o Pedro, percebi depois, fez)?
Aflora aqui questões importantes, a que sou muito sensível. Nomeadamente o fenómeno da banalização da morte (isto é, da depreciação da vida humana) que começa pela banalização das imagens relacionadas com mortes violentas de todo o tipo. Entre as mais chocantes figuram as das decapitações de jornalistas e outros cidadãos ocidentais por membros do alegado Califado Islâmico, reproduzidas até à náusea pelos órgãos de informação convencionais e por toda a gama de redes sociais.
Esta banalização torna-nos cativos do medo. E propensos a aceitar todas as “medidas securitárias” que estiverem na forja. No dia em que isso se consumar seremos muito menos livres do que hoje. E ainda menos seguros. Porque liberdade e segurança, ao contrário do que alguns apregoam, não são conceitos antagónicos mas complementares.
Estamos de acordo, Pedro. Eu diria que existe mesmo um sadismo nessa desenfreada propagação de imagens com total desrespeito também pela sensibilidade das pessoas. E no caso por si referido das famílias dos decapitados.
Já aqui disse, e repito, que devido à banalização da morte, não obstante situações que vivi in loco que até me indignavam, eu perdi a capacidade de me indignar nesta matéria. Isto não significa insensibilidade ao fenómeno ou incapacidade para sofrer, não! Eu canalizo a minha indignação precisamente para a incapacidade de nos aproximarmos.
Hoje pensa-se que fazer uma cedência é um acto de cobardia e/ou recuo nos princípios. Talvez por isto, e já referi também aqui, estou convencido que só o sofrimento nos fará mudar de sentido. Mas também me indigna a incapacidade de se compreender que uma criança, incapaz de fazer triagem dos acontecimentos que é, não seja defendida publicamente, e não só em família, da visualização destes fenómenos.
Só Deus sabe tudo, logo só Deus pode identificar o mal absoluto.
Penso que acusar alguém de mal absoluto é pecado de presunção, o que também é um mal.
Há pessoas que fazem coisas más e há pessoas que fazem coisas boas. Nem sempre são as que nós pensamos,
De qualquer maneira esta conversa do mal e do bem absoluto parece muito teológica. O que me interessa é como evitar o mal, não classificar os que o fazem.
Há mal absoluto, sim. Como o século XX amplamente demonstrou.
Explique.
Untermenschen?
E há quem não se fique pela equidistância, e inverta despudoradamente, os papéis, como é o caso de Boaventura Sousa Santos.
Acredito que não goste do Boaventura mas essa é demais. Assim não deita o homem abaixo pois ninguém acredita em si. Nesta coisa de discussões há que ser comedido. Não me faça rir: eu conheço o Boaventura e a sua piada fez-me apertar a barriga de riso. O Boaventura a valorizar os terroristas!!!! Essa é a bacorada do ano. Já ganhou o título de rei das bacoradas de 2015. Mas olhe que o assunto merece seriedade. Pense bem.
Não gosto de responder a pesssoas com o rosto tapado… pelo anonimato. Mas sempre lhe digo: leia o artigo de Boaventura no Público de 14/01/15.
Li. E fiquei com mais razões para tapar o rosto, hábito adquirido há dezenas de anos. Quem não gosta não come.
Sobre o que penso de BSS, sem necessidade nenhuma de tapar a cara, escrevi aqui, no rescaldo imediato do 7 de Janeiro e ainda antes do artigo dele no ‘Público’: tavam-mesmo-a-pedi-las-7011502
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/es
Os Serviços Secretos detectaram uma Klashnikof a caminho de Coimbra. Clandestinamente, claro. Desconfio que seja para o Boaventura (caro Manuel Sampaio, cuide-se as coisas começam a ficar apertadas para si com um tipo daquele calibre agora armado).
Quem o previne seu amigo é.
Seu amigo anónimo (tem que ser) das 16:31.
O Boaventura Sousa Santos é um Neo-Marxista que vê o pecado original na Civilização Ocidental logo tudo o que impeça a Civilização Ocidental de se defender é para ser usado.
Foi da área política dos Boaventuras deste mundo que nasceram entre outras as FP-25, Brigadas Vermelhas e mais importante o terrorismo Palestiniano, recompensado pelo Ocidente, e muito por causa dessa recompensa de décadas incentivou o modus operandi do Islamismo Radical.
Hoje a Extrema Esquerda utiliza-se do Islamismo como movimento de contra cultura. Porque o seu objectivo é destruir a Civilização Ocidental e começar a Época Totalitária.
Eu sei isso tudo. Conheço-o pessoalmente e sei do importantíssimo papel que teve na fundação das Brigadas Rossi, do Grupo da Uhlriche Badenhof. Mais tarde foi fundamental nas Farc. Foi ainda guerrilheiro da Frelimo. Um tipo perigoso para a civilização ocidental. Felizmente já tem setenta e tal anos.
“Em defesa do bem absoluto, não falta quem professe hoje a doutrina da equidistância moral entre carrasco e vítima. “
É só Política.
Não é em defesa do bem absoluto, é em defesa da visão Marxista de que o Civilização Ocidental sofre do Pecado Original e por isso precisa de combatida a cada oportunidade.
99% das pessoas que usam equivalência moral nunca o fariam se se invertessem os papéis.
Se os assassinos dos cartoonistas do no Charlie Hebdo fossem tipos da extrema direita ou cristãos não teríamos equivalências algumas, teríamos condenações absolutas.
Teríamos “activistas” todos nas ruas, não é interessante que nas manifestações de condenação do ataque ao Charlie Hebdo não se falou da presença de “activistas”, só de pessoas… ?