Microconto de Natal lusitano


Rui Rocha,

Regressou agora por uns dias para passar as festas com a família. Há uns anos, quando entrou para a Faculdade de Engenharia, o pai disse-lhe que, se estudasse, iria muito longe. Tinha razão. No ano de 2014 trabalhou no McDonald´s de Edimburgo. 

14 comentários em “Microconto de Natal lusitano”

  1. Sempre conhece algum mundo. Ficando cá, trabalharia num McDonald’s da Brandoa, ou coisa parecida.

    Ou reporia mercadorias num híper, ou faria degustações (os portugueses são finos – mesmo falidos até à medula – e por isso não provam, degustam), noutro híper, ou seria tendencialmente insultado num “call center” onde o obrigariam a incomodar toda a gente nas horas menos próprias (ou seria incomodado por quem só lhe ligaria com alguma reclamação há muito por atender).

    A minha filha chegou ontem de Londres. Lá, trabalha numa área onde mesmo que acessoriamente dá uso à sua formação em psicologia – que será por cá das mais amplas auto-estradas para lado nenhum, mas sempre foi o seu sonho académico. Foi há quatro anos, meio à sorte e fazendo questão de preocupar os pais o mínimo possível.

    Está feliz. Já visitou Edimburgo; fez questão de ir à Escócia. Adorou. E quase todo o Sul de Inglaterra. Conta os anos para pedir a nacionalidade britânica.

    Não é um conto. É verdade. E este país – o nosso – há-de implodir. Nessa altura, como nos casos que agora andam nas notícias, descobrir-se-á que a culpa é de alguma pobre porteira.

    É assim por cá.

    Costa

  2. Isto revela a pequenez dos governantes que temos. Pensam pequeno e agem pequeno para com o seu povo, mas para eles pensam em grande e vivem em grande……

    1. Os que têm saído são, portanto, resíduos a expelir para a boa saúde deste país…

      É uma visão dos tempos que se vivem, de facto. Muito conveniente.

      Costa

      1. Isso tem alguma verdade. E de entre esses que ficam, aqueles que se regozijam com estátuas inauguradas em vida (ainda na juventude!) a jogadores de futebol, ou acorrem atentos, veneradores e obrigados, a visitar certo preso preventivo que paulatinamente constrói, com a estremecida ajuda desses, a sua saga de martírio, e que a nacional estupidez ainda levará, é de temer, a altos voos.

        Enfim, de facto muitos dos que ficam.

        “Isto dá vontade de morrer”, terá dito Herculano. Nem só Eça, por norma quem se cita para provar a perenidade das nossas piores características, continua muito actual…

        Costa

    2. Pois sendo assim penso que Portugal sofre de alguma doença porque ‘expele’ muita coisa boa e retém muita me***

  3. O céu é o limite.
    A Céu é o infinito, mete medo, faz tremer.
    Bem vindo ao trampolim , vem saltar.

  4. E se a personagem do microconto tivesse tido uma cunha e estivesse a exercer, por exemplo, como técnico/a superior num município, teria ido longe? Não me parece, mas admito que seja uma questão de perspectiva.

    Eu vim para Londres em Abril deste ano. Quando cá cheguei, andei cerca de uma semana e meia à procura de trabalho. O meu primeiro emprego foi numa McDonald’s, onde permaneci durante quatro semanas; não morri. Daqui a um par de dias, irei a Portugal passar uns dias com a minha família. E depois, evidentemente, regressarei. Não sei se vim longe, mas não me arrependo de ter vindo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *