Passado presente (CDIII)


Pedro Correia,

 

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Semanário O Jornal (1975-1992)

20 comentários em “Passado presente (CDIII)”

  1. Nessa altura o FMI era socialista,estava connosco,os aumentos de preços,as falências de empresas,a miséria e as fomes,os suicídios,tudo isso era socialista,virtuoso.Não compare com o que se passa hoje,cabalas,infâmias,outro FMI,o grande capital e…o pacto de agressão.Não compare.

  2. O que fez foi para os outros da sua nata mas mais por arrastamento, sempre com o cuidado de não se distrair com os próprios e prioritários interesses. Todos eles iguais, todos diferentes na rotura que defendem, mas para com o próprio cimento tratarem em primeiro lugar das casernas em que se tem abrigado. Está ou não de papo cheio este que tanto vocifera em nome dos pobres mas que guarda a sete chaves os próprios alforges bem recheados? Faça muitos a ver-se ao espelho.

  3. Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto. (Mário Soares- DN, 27 de Maio de 1984)

  4. Caríssimo Pedro,

    aproveito este furo para pedir-lhe que me deixe enviar uma cartinha ao Pai Natal, pois assim aproveito a rede social para demonstrar a utilidade da mesma na redução dos custos de portes e selos.

    Pai Natal,

    gosto muito de ti, em particular no mês de Dezembro. Quero dizer-te que fui um bom menino neste ano de 2014.
    Olha, Pai Natal, comi a sopinha toda. E só não comi mais porque a situação em que vivemos não permite grandes farras gastronómicas.
    Fazendo uma projecção na folha de excel e olhando para a curva dos gráficos, posso garantir que este ano, em comparação com os períodos áureos em que me portava menos bem, os indicadores são bastante favoráveis, o que me permite habilitar aos fundos que tens no saco para poder alavancar ainda mais o bom comportamento em 2015.
    Fui tão cuidadoso nestes cálculos que até dividi o ano por 4. No primeiro quarter (espero que repares também nos meus skills em literatura estrangeira. Repara que escrevi quarter e skills) nota-se um ligeiríssimo desvio. Todavia, em comparação com o quarter 4 do ano de 2003 verifica-se uma qualitativa ascensão nos índices de meu bom comportamento.

    No quarter 2 optei por um gráfico em forma de pie (tarte. Compreenderás mais à frente o porquê de ter chamado à colação o manjar). Em particular no mês de Junho, tendo em conta as regras da proporcionalidade do PIBC (Produto Interno de Bom Comportamento), comparativamente com o quarter 3 do ano de 1987, verifica-se uma altíssima rentabilidade na minha performance comportamental, pois foi o mês em que me encontrei com a Laurinda. Significa isto que tenho dado bastante atenção ao trabalho em equipa e afincadamente procuro aumentar as quotas de mulheres no convívio diário. Devo dizer-te, Pai Natal, que tenho recebido bastantes estímulos do meu amigo Pedro Correia através de uma rúbrica que ele possui com a designação (Belles Toujour(s)). Por favor, não te esqueças dele.

    No quarter 3 optei por um gráfico em bolhas, pois era Verão e a coisa ferveu. Sim, por causa do calor. A projecção deste gráfico leva em conta as alterações climáticas que se têm vindo a sentir desde que os chineses aumentaram as suas exportações. O efeito de estufa obrigou-me a armar a tenda mais vezes que o expectável. Sim, era uma tenda de sauna. Graças à continuada colaboração da Laurinda e das bifas abrasadoras que se pavoneavam junto à costa, consegui libertar as toxinas de carbono que se tinham entranhado nos meus poros. Significa isto que a minha pégada ecológica é meritória. Espero que te sintas orgulhoso de mim, Pai Natal.

    No quarter 4, que é este que vivemos, verificarás que o gráfico não apresenta linhas nem curvas. Isto deve-se ao facto de ser já um quarter de preparação para o balanço que te envio e também para aproveitar ao máximo a facturação no sentido de poder apresentar para efeitos de dedução os valores do imobilizado.
    Significado isto que fiz o dito balanço junto do meu amigo sacerdote, pois como sabes estes possuem um poder particular vindo do alto que permite zerar os erros operacionais e potenciar os efeitos qualitativos.

    Dito isto, Pai Natal, vai esta acta assinada pelo gerente para que conste na reunião plenária que levarás a efeito com os teus pares e assim possas atribuir-me as graças que te peço:
    1 – Faz com que Passos emigre;
    2 – Pede ao Portas que irrevogavelmente abandone o governo;
    3 – Coloca o Mota Soares a estagiar numa IPSS e que seja o servidor das refeições nas 600 cantinas que pretende abrir;
    4 – Diz à ministra da Administração Interna que aquela merda que anda a ser feita ao novo padre da freguesia de Canelas tem de ser alvo de uma intervenção do Ministério Público;
    5 – Traz de volta o Seguro à cena política portuguesa.
    Estes cinco pontos significam os cinco pães da multiplicação. Agora faltam + 2 peixes:
    1 – Pede a Jesus que nos traga a Sabedoria e a Força para varrer a fome e a miséria com dignidade, e que nos dê a graça de nos abrirmos a isso;
    2 – Pede também à Senhora da Conceição, que é o dia que celebramos, que nos acompanhe sob seu olhar benigno.

  5. É por estas e por outras (bem piores) que eu não suporto o fulano. Convencido que é o o dono da democracia. Enquanto comia croissants, em Paris da França, havia alguém (bastantes) arquitectando de uma forma subterrânea e altamente arriscada aquele que viria a ser o dia que lhe permitiu chegar, feliz e eufórico a Sta Apolónia.

    1. Bem, a verdade é que foi várias vezes a votos: ganhou e perdeu. Aliás perdeu mais vezes do que ganhou. E nestas circunstâncias ninguém pode considerar-se “dono da democracia”.

  6. De entre os muitos Mários Soares que conheci, foi precisamente com este que o comecei a detestar e não mais parei, contrariamente aquele que muito admirei e que se bateu nas ruas pela unicidade e não da unidade sindical, contra o totalitarismo e a favor da Democracia.

  7. “A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”

    “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”

    “O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”.

    “Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”.

    RTP, 1 de Junho de 1984

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