Sabe-se agora, pelo relato cronológico dos factos contido no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que indefere o pedido de habeas corpus, que o despacho do juiz Carlos Alexandre a determinar a detenção de José Sócrates teve data de 18 de Novembro. A mesmíssima terça-feira em que o ex-primeiro-ministro se reuniu num almoço “completamente inocente” com o antigo procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro. “Uma coincidência desagradável”, como já reconheceu Pinto Monteiro, garantindo ter sido esta a primeira vez que “almoçou a sós” com Sócrates, que logo após o repasto se ausentou de Lisboa rumo a Paris.
Há sempre uma primeira vez. Mas tantos dias tem o ano – e há tantos anos que ambos se conhecem – e logo haviam de marcar este almoço inaugural para aquela terça-feira tão atribulada…
Acredite nesta coincidência quem quiser. Eu já deixei há muito tempo de prestar tributo ao Pai Natal.

Mas não está escrito que em politica não há coicidências? “Em política o que parece, é “, já não é válido? Eu ando muito confuso ou, élás, confundido…
Já agora não separe o sujeito de predicado por uma vírgula. É erro muito grave.
Em política o que aparece é. Foi o caso. Pinto Monteiro apareceu naquele dia.
Este post não deveria vir nas cabalas?
Vem nos factos. Suportados não pelo diz-que-disse mas pelo acórdão do STJ. Sócrates e Pinto Monteiro almoçaram (“pela primeira vez a sós”, segundo revelou o último) no próprio dia em que o juiz assinou o mandado de captura.
E está-se mesmo a ver que quem ia para Paris no dia seguinte, para regressar dali a dois dias a Lisboa e viajar para o Brasil passados 3 ou 4, tinha todo o tempo do mundo para esperar MAIS DE UMA HORA pelo outro, que tinha ido fazer exames ao Hospital da Luz, e tudo só para ser oferecido um livro lançado havia mais de um ano e se entreterem calmamente a falar de livros, viagens e do Lula! Presunções de inocência difíceis de engolir.
Não esquecendo que Pinto Monteiro esteve no lançamento do livro, mas aparentemente não tinha ainda uma cópia.
O livro foi lançado mas ele se calhar não o apanhou.
Sim, devia vir na secção de cabalas porque implicitamente está dizer que José Socrates almoçou com Pinto Monteiro PORQUE teve conhecimento do despacho do Juiz e que tambem POR ISSO foi para Paris.
Para não estar na secção das cabalas, teria de dizer mais explicitamente que o despacho de detenção foi produzido PORQUE souberam do almoço e tambem porque ele foi para Paris.
O que fazia muito mais sentido e era mais simples.
MAs quem é que procura a simplicidade quando tem mais uma oportunidade de pretender descobrir uma coisa complicada?
miguel
Por vezes em certos dias acontece um pouco de tudo: um “primeiro almoço” entre um ex-PGR e um ex-Chefe do Governo (para falarem de “livros”), uma viagem-relâmpago de um deles a Paris e um mandado de detenção também visando um deles. Tudo isto não necessariamente por esta ordem.
Hoje em Évora
Mais uma “serenata” de amigos: Pinto & Noronha!
Ó tempo volta pr’a trás.
Pensa que pode continuar a dar cartas. Faz lembrar um ditador dos antigos, mais do que a cair do pedestal a mergulhar num penoso ridículo.
Pode continuar a dar cartas. Mas há sempre uma diferença enorme entre um ás de ouros e um dois de paus.
Tinham tanto medo que o homem fugisse que emitiram um mandado de captura, mas ao mesmo tempo deixaram-no ir a Paris e ficaram à espera que ele voltasse.
Se empregam este método também com os assassinos à solta é preocupante.
Santa ingenuidade, caro “jo”.
Já pensou como tinha muito mais “charme” a prisão ser feita no XVIème arrondissement ou mesmo em Ipanema?
E para falar simplesmente de livros… Será que O sr. Pinto Monteiro também aceita almoçar comigo para falar de livros?
Julgo que sim. Mas terá de esperar pelo menos uma hora por ele: costuma chegar sempre atrasado aos “primeiros almoços”.
Eu estimo é que após o julgamento e factos apurados seja dada tanto destaque pelos media, como agora dão aos arautos do segredo, que até ficam com urticarias de se falar na necessidade de combater a corrupção.
Esses são os mesmos que nunca se preocuparam com “segredos de justiça” em muitos outros casos. Fazem do segredo um cavalo de batalha. Incompreensível, para mim, é ver alguns jornalistas nessa linha da frente. Como se desvendar segredos não fosse missão primordial do jornalismo.