Foto Carlos Lopes/Público
Anabela Rodrigues foi a primeira mulher a doutorar-se na Faculdade de Direito de Coimbra e a dirigi-la, foi a primeira mulher a liderar o Centro de Estudos Judiciários e é a partir de hoje a primeira mulher à frente do Ministério da Administração Interna.

![886194[1].jpg 886194[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/B6c141db6/17752034_CATfQ.jpeg)
Boa escolha porquê? Não tem curriculum político nenhum. Só demonstra que Passos Coelho não encontrou nenhum político que aceitasse.
Do mesmo modo teria grande dificuldade para fazer remodelações na Educação, Justiça e Estrangeiros. Mesmo que quisesse.
Boa escolha por ter um currículo académico inatacável, prestígio ‘inter pares’ e vir precisamente de fora dos círculos partidários para uma função que não exige tal requisito, antes o desaconselha. Além disso – ‘last but not the least’ – por ser uma estreia no MAI: nunca nenhuma mulher desempenhou este cargo em Portugal. Já era tempo.
O facto de ser a melhor mulher de todas nao significa que seja a melhor pessoa de todas.
Ela sera possivelmente a melhor mulher possivel para assumir esse cargo. Fica por demonstrar que seja a melhor pessoa possivel.
Está tudo por demonstrar porque só hoje inicia funções. Mas é uma pessoa com currículo – e um bom currículo. Isso é inegável, como aliás várias personalidades da oposição já sublinharam.
Estou com o Pedro Correia.
Só o facto de não ter curriculum político é, por si só, e neste momento de enorme desprestígio da classe política, um acontecimento positivo.
Depois, não é mais um jota a entrar no governo.
Tomei boa nota, a propósito, das significativas declarações do ex-presidente Jorge Sampaio: 4-11-19-Jorge-Sampaio-elogia-grande-nive l-cientifico-de-Anabela-Rodrigues
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/201
É sempre salutar vermos políticos sem espírito de trincheira, reconhecendo mérito a quem o tem.
(Gosto de vê-lo por cá, meu caro. Um forte abraço.)
O que me admira é que tenha aceite fazer parte dum governo como este e em fim de mandato, uma vez que o seu currículo não parece depender de “favores partidários” e se diz que é independente.
Talvez goste de coleccionar no seu currículo o item “a primeira mulher a…”
Registo a nota sarcástica, Isabel. Mas lamento que acabe por dar força ao estereótipo que nos garante serem as mulheres as primeiras inimigas de si próprias.
A solidariedade é ideológica ou por sexo? Estou com a Senhora Isabel.
E, repito, talvez goste de pôr no curriculum que foi a “primeira mulher a …”. Poderia perguntar-se se chegou lá por efeito das quotas ou por porque percebe do que vai fazer. A dúvida fica sempre (não para todos mas para muita gente). Como não tem carreira política não tem nada a perder e se correr mal volta para catedrática e sempre pode contar aos netos “uma vez fui Ministra”.
Questiono-me sempre por que motivo algumas críticas mais acintosas são sempre feitas sob a suave capa do anonimato. É algo tão lamentavelmente português.
A resposta é simples: este blogue permite comentários anónimos. Porque querem.
O comentário do clandestino é acintoso??
Este blogue permite comentários anónimos. Porque preserva, acima de tudo, a liberdade de expressão. Mas não obriga a que os comentários sejam anónimos, longe disso. Em princípio os comentários não devem ser anónimos quando se trata de meras críticas de âmbito político ou social: não vivemos em ditadura, felizmente, Portugal não é um Estado totalitário, as opiniões são livres por não estarem sujeitas a sanção de espécie alguma.
O facto é que o seu comentário é sexista e muito preconceituoso. Tenho a certeza de que não o faria da mesma forma se assinasse com o seu nome.
Sexista?? Se calhar quer dizer é “isento de paternalismo para as mulheres”. Coisa que hoje está na moda mas que eu não sigo. Para mim mulher ou homem é o mesmo excepto para actividades sexuais em que reconheço uma notável diferença.
Não tenho a menor dúvida de que as mulheres – sobretudo num país ocidental do século XXI como Portugal – dispensam esse “paternalismo” a que se refere. Basta-lhes o reconhecimento público do mérito que possuem. Não por serem do sexo feminino mas por terem tanta (ou mais) capacidadade, sensibilidade, habilitações académicas, capacidade de iniciativa e aptidão profissional do que os homens.
Tire o “tanta”.
Não me importo nada.
Pouco me importo se quem ocupa o cargo de um ministério é homem ou mulher. Importa-me isto sim se tem capacidade e idoneidade para o exercer.
As referências que me chegam sobre esta senhora são boas e dizem-me ser competentíssima. Que se lixe se tem curriculum político ou não. Aliás se me falassem em curriculum político eu ficaria de pé atrás.
Tomo a devida nota da sua declaração, que subscrevo em boa parte.
se dirigiu a Faculdade de Direito de Coimbra deve ser uma Jacobina Anti-católica de primeira linha…
Com isso você acabou de disparar uma autêntica peça de artilharia. Fiquei esmagado, sem capacidade argumentação.
é que depois do 25 de Abril o Direito de Coimbra passou a “Torto”…e não só o de Coimbra…
A democracia “entorta”? Eu pensava que as ditaduras é que provocavam isso, transformando o direito em mera caricatura.
Pedro Correia
Para onde tem estado a olhar nos últimos 40 anos?
É preciso apelar ao faxismo para sentir o direito a entortar?
Meu caro, tenho estado a olhar nas últimas 40 horas. E vejo o estado de direito a funcionar. Quando o estado de direito funciona quer dizer isso mesmo. Que não está torto.
Parecia-me uma boa escolha, sim, mas para o Ministério da Justiça. Para o da AI, tendo a duvidar.
Para o Ministério da Justiça não sei. Mas parece-me uma boa escolha para o MAI por não revelar o menor indício de comprometimento com nenhum dos lóbis do sector – um dos quais, aliás, e sem qualquer pudor, se apressou a criticar esta nomeação pelo facto de Anabela Rodrigues “desconhecer” o sector. O que não deixa de ser significativo. E, de algum modo, um elogio implícito à nova titular da pasta.
Porquê uma boa escolha se nunca mostrou, nada, em actos de governação ou políticos? Mais uma teórica, vinda da faculdade de direito de Coimbra, sem prática de nada a não ser de teoria. Este, é um ministério, onde tem de haver calo político e não é uma catedrática que pode saber muito de teoria académica, mas de prática de governação e política zero…………..
Concordo consigo. Há muita gente que pensa que ser-se catedrático ou intelectual implica ser-se um bom político.
Hoje é moeda corrente falar mal dos políticos… mero populismo (e penso que essa mania não vai acabar bem). A Senhora Anabela é elogiada (por alguns) por não ter curriculum político. Se daqui a uns anos o tiver adquirido no exercício de funções políticas é despromovida por ter andado na política!!!!
Ao chamar-lhe “senhora Anabela”, como se fosse a dona do lugar da hortaliça, percebe-se em si uma certa aversão à presença de mulheres na política, típica de um marialvismo mais do que ultrapassado.
Fez-me lembrar agora a reacção machista e trauliteira de Mário Soares que ao perder a eleição para presidente do Parlamento Europeu contra Nicole Fontaine lhe chamou “dona de casa”. O mesmo Soares que ainda hoje chama “Presidente Obama” ao líder dos EUA e “senhora Merkel” à chanceler alemã.
O “progressismo” às vezes tem um verniz muito fino. Estala ao primeiro embate.
Tem razão. Tire o “senhora” e ponha “dona”.
OK, Mário.
Subentendo que alimenta uma certa animosidade contra a Universidade de Coimbra. Não a partilho de todo, o que desde logo nos separa.
Mas a minha discordância principal situa-se noutro plano: a sua tese, se bem reparar, leva à exclusão permanente de qualquer governo de todas as personalidades com prestígio intelectual, académico, universitário, social e cultural quando não possuam traquejo político nem tenham militância partidária.
Acontece que as críticas que geralmente se escutam da opinião pública apontam na direcção inversa: os políticos são acusados, e com razão, de afunilarem o sistema e impedirem o acesso à governação de personalidades exteriores aos meandros partidários.
Essas críticas acabam de ser escutadas, ao que parece. O que justificaria a nomeação na nova titular da Administração Interna.
Falta de experiência? Acontece que há sempre uma primeira vez. E como não existe a profissão de ministro o mais natural é que haja sempre estreantes, em qualquer governo.
Em tese geral a renovação de quadros deve ser saudada como boa notícia, não como má.
Não escrevi nada de militância partidária, escrevi sim, de prática política, essa sim, essencial para o cargo para que foi nomeada. Claro que há sempre uma primeira vez, para cargos de governação, mas não cargos de topo. Todos nós, sem excepção, aprendemos com a prática e a prática, da hoje empossada ministra, é nula, nestes assuntos. Não se aprende a ser ministro, mas aprende-se o auto da governação, com outros cargos, de muito menos responsabilidade. “A renovação de cargos deve ser saudada como boa notícia”, mas essa renovação, tem de ter alguém com experiência e não teóricos. Talvez seja por estas e por outras que não saímos do mais do mesmo. Todos os atributos que referiu em cima são óptimos desde que aliados à prática, o que aqui não se regista.
Se bem entendi o seu raciocínio, defende que os ministros deverão começar por secretários de Estado, processo findo o qual se faria a necessária triagem para ascenderem na escala hierárquica do Estado (a triagem é obrigatória, uma vez que existem mais secretários de Estado do que ministros). Teríamos então os “analistas políticos” a clamar contra a «perda de capacidade de recrutamento do primeiro-ministro, incapaz de recorrer à sociedade civil e funcionando em circuito cada vez mais fechado». E clamariam bem.
Tão certo como dois e dois serem quatro.
Há outros poderes de governação, sem irmos logo para os topos, não leve a conversa para onde quer porque sabe muito bem que os há. Que provas deu a senhora de ser boa? Nenhuma…… Sabe-se que é catedrática, séria, culta…….. É que estes atributos, todos têm, quando são nomeados e depois, é ver os atributos todos a caírem por terra. Não, dois e dois não são quatro, são 22, dois mais dois é que são quatro.
Vê-se bem que você não é leitor de Ferreira Gullar:
«Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena.»
A vida, vale sempre a pena, mas valerá mais se for com dignidade, sem fome e com liberdade a sério.
Quanto a isso não tenho a menor dúvida. E só haverá liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação…
Creio sim , que é uma boa escolha.
No meu micro-mundo, se tivesse que escolher um funcionário para um cargo de responsabilidade, escolheria seguramente alguém com provas dadas de idoneidade pessoal, moral e política, que fosse conhecedor das competências do exercício em questão e que tivesse a força de carácter necessária para enfrentar as adversidades que a posição acarreta. Jamais pensaria num veterano, conhecedor, competente, com N provas dadas, mas portador de todos os vícios que anos de politica partidária (ou não ), de desgaste e de manobras escusas alteraram a noção do certo ou errado… Apostaria sempre na lufada de ar fresco, mesmo que fosse a primeira de todas as lufadas de ar fresco.
Pois. O meu ponto é precisamente esse, Dulce.
Esse argumento é bom pois foi tirado do futebol. Era a crítica que faziam ao Paulo Bento.
… E depois disso a selecção nacional regressou às vitórias.
E é o que vai acontecer com a equipa de Pedro Passos Coelho com esta lufada de etc. e tal.
Aconteceu com Fernando Santos. O regresso às vitórias. Algo que está a perturbar muitos portugueses, sempre mais confortáveis com o fracasso do que com o sucesso.
Vivam as gajas. Agora é que a polícia vão entrar nos eixos. Acabou-se a cacetada às jornalistas. Por que não põem gajas em todos os ministérios? Incluindo nas finanças para acabar com a crise.
A falta de nível e a grosseria são tão notórias que só podiam vir de um anónimo – cobarde, por definição. Por aqui se vê como ainda somos um país de grunhos.