Sem dispor de qualquer informação que não seja rigorosamente a que tem vindo a público, considero que Miguel Macedo tomou a decisão correcta. Por muito que seja completamente alheio aos factos em investigação, as suspeitas que existem sobre pessoas que lhe são próximas constituiriam sempre um factor de fragilização da sua posição como ministro. É bom registar que se recuperam padrões de conduta política que sobrepõem o interesse do país e a respeitabilidade das instituições ao interesses pessoais, às agendas de grupo e às solidariedades de percurso. Se de facto Miguel Macedo não tem qualquer responsabilidade no caso dos “Vistos Gold”, acaba de dar uma lição de conduta politicamente responsável. Mas, ao contrário do que já vi dito, esta não se dirige a Nuno Crato, nem a Paula Teixeira da Cunha. A lição vai direitinha para Passos Coelho que não soube, em casos como o de Miguel Relvas, colocar a credibilidade das instituições acima dos seus vínculos pessoais.
Uma lição para Passos Coelho
Rui Rocha,


Uma atitude que enobrece o seu autor. (Paula Teixeira da Cruz)
Bem dito, mermão. Como cigarra, Miguel Macedo cantou bem; como formiga, trabalhou melhor.
Feito este breve resumo histórico, devo dizer que Miguel Macedo não surpreendeu. Mostrou que é uma das excepções à regra. Aposto tudo na sua inocência e o mesmo no seu empenho ao bem da Nação.
Absolutamente de acordo.
Não penso assim. Se Miguel Macedo se considera inocente, a “fuga” foi um acto de capitulação perante o politicamente correcto e de cedência completa ao condicionamento inquisitorial que, passo a passo, vai tomando conta dos partidos políticos, dos media e da sociedade.
Se os envolvidos são mesmo culpados, ainda recebem o prémio de arrastarem o Ministro na queda; se forem declarados inocentes, é um Ministro que cai de forma absolutamente gratuita e sem sentido.
O grave é que, à medida que se vão assumindo culpas colectivas, ficam atenuadas culpas individuais. E se todos se consideram, de uma maneira ou outra, responsáveis, ninguém acaba por ser verdadeiramente culpado.
Não concordo com o que o RR escreve pois este ministro já passou por muito neste mandato, desde a corrupção na Protecção Civil, ao desastre dos fogos em 2013 que revelou uma vez mais a completa desorganização da gestão de meios humanos e materiais (que ocorre em Portugal em vários sectores chave da Administração Publica) e não esquecendo a manif da escadaria.
Este ministro teve em 2014 a sorte de tal como nós de o Verão ter sido soft e felizmente não ter havido fogos em larga escala.
A incompetência generalizada (em muitos casos DOLO) dos membros do governo e dos mais directos subordinados and so on é gritante e tem sido responsável por tornar a crise actual um pouco mais violenta do que a mesma seria.
A demissão em causa já poderia ter acontecido antes pois houve situações bem mais graves nas quais este ministro foi directamente responsável e tanto assim é que ao que sei ele se preparava para ceder em toda a linha ás novas corporações sindicais da PSP, GNR e SNB tendo a sua autoridade (se é que algum dia a teve pois fazer parte de um governo forte com os fraco e fraco com fortes retira qualquer autoridade que se possa ter a meu ver) desaparecido há muito e esta foi a forma mais rápida de sair de um governo que já perdeu o pé há muito tempo.
Em nota final deixo um dito :
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és !
Admito que o facto de o Macedo ter feito o que devia possa ser digno de elogio, num País tão pouco habituado a atitudes destas. Mas convém não exagerar. Até porque se trata da mesma pessoa que recebe ou recebeu o tristemente célebre subsídio de deslocação, apesar de ter casa própria e viver há décadas em Lisboa, e também porque os suspeitos neste vergonhoso e despudorado caso dos vistos “lavagem de dinheiro” gold são pessoas da sua confiança política e/ou pessoal. Lá diz o ditado: “Diz-me com quem andas…”
A elevação de Macedo não deve ser usada para diminuir Passos. São merecedores um do outro.