Não quero parecer inconveniente, mas Eça de Queirós, como escreve, foi registado na Conservatória do Registo Civil como Eça de Queiroz e como tal deveria permanecer, mesmo depois do Acordo Ortográfico de 1945. É um nome próprio o que faz toda a diferença. Não tenho a certeza, mas a Fundação com o seu nome manteve o Z.
Não tenho a menor dúvida quanto ao que sustenta, mas se uma editora absolutamente insuspeita de concessões ao acordismo, como é o caso, opta por registar o apelido do escritor com a grafia consagrada há longas décadas em Portugal e pelas mais diversas casas editoriais portuguesas, não serei eu a proceder de maneira diferente.
Poderia ser o Pedro, sim, que escreveu e eu li o “Vogais e consoantes politicamente incorrectas do acordo ortográfico”. O registo de um nome não pode ser adulterado senão pelo próprio. O bisneto do escritor, António Eça de Queiroz, teve de manter aquela grafia mesmo que não quisesse. Se me registassem Víctor, jamais iria mudar para Vítor por causa deste acordo – independentemente da sua coerência. Não é bonito alterar ou amputar o nome de alguém, mesmo por casas editoriais insuspeitas.
Lamento, Paulo, mas reitero: sempre li (e leio livros do Eça há quarenta anos) “Eça de Queirós”. Totalmente diferente é o Estado, através do capricho de uma portaria governamental, obrigar-me a escrever com uma ortografia diferente da que esse mesmo Estado me ensinou ao longo de 16 anos de ensino público. Não tenho, no entanto, qualquer relutância em escrever Eça de Queiroz desde que seja essa a opção das editoras. Não foi o caso, como já acentuei.
“E como Carlos lembrava a política, ocupação dos inúteis, Ega trovejou. A política! Isso tornara-se moralmente e fisicamente nojento, desde que o negócio atacara o constitucionalismo como uma filoxera! Os políticos de hoje eram bonecos de engonços, que faziam gestos e tomavam atitudes porque dois ou três financeiros por trás lhes puxavam pelos cordéis… Ainda assim podiam ser bonecos bem recortados, bem envernizados. Mas qual! Aí é que estava o horror”.
Hoje, como há 150 anos… Grande companheiro de muitas leituras e releituras… 🙂 🙂 “Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilos, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos de alfândega:e é tudo em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas…”
Creio que no tempo dele se escrevia Queiroz. Por que raio se aceitaa neste blogue tal alteracao ao nome de um escritor
Tem ido à pharmacia?
Não quero parecer inconveniente, mas Eça de Queirós, como escreve, foi registado na Conservatória do Registo Civil como Eça de Queiroz e como tal deveria permanecer, mesmo depois do Acordo Ortográfico de 1945. É um nome próprio o que faz toda a diferença. Não tenho a certeza, mas a Fundação com o seu nome manteve o Z.
Não tenho a menor dúvida quanto ao que sustenta, mas se uma editora absolutamente insuspeita de concessões ao acordismo, como é o caso, opta por registar o apelido do escritor com a grafia consagrada há longas décadas em Portugal e pelas mais diversas casas editoriais portuguesas, não serei eu a proceder de maneira diferente.
Poderia ser o Pedro, sim, que escreveu e eu li o “Vogais e consoantes politicamente incorrectas do acordo ortográfico”. O registo de um nome não pode ser adulterado senão pelo próprio. O bisneto do escritor, António Eça de Queiroz, teve de manter aquela grafia mesmo que não quisesse. Se me registassem Víctor, jamais iria mudar para Vítor por causa deste acordo – independentemente da sua coerência. Não é bonito alterar ou amputar o nome de alguém, mesmo por casas editoriais insuspeitas.
Lamento, Paulo, mas reitero: sempre li (e leio livros do Eça há quarenta anos) “Eça de Queirós”. Totalmente diferente é o Estado, através do capricho de uma portaria governamental, obrigar-me a escrever com uma ortografia diferente da que esse mesmo Estado me ensinou ao longo de 16 anos de ensino público.
Não tenho, no entanto, qualquer relutância em escrever Eça de Queiroz desde que seja essa a opção das editoras. Não foi o caso, como já acentuei.
“E como Carlos lembrava a política, ocupação dos inúteis, Ega trovejou. A política! Isso tornara-se moralmente e fisicamente nojento, desde que o negócio atacara o constitucionalismo como uma filoxera! Os políticos de hoje eram bonecos de engonços, que faziam gestos e tomavam atitudes porque dois ou três financeiros por trás lhes puxavam pelos cordéis… Ainda assim podiam ser bonecos bem recortados, bem envernizados. Mas qual! Aí é que estava o horror”.
Hoje, como há 150 anos… Grande companheiro de muitas leituras e releituras… 🙂 🙂
“Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilos, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos de alfândega:e é tudo em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas…”
Nunca passa de moda.