No momento em que Durão Barroso saía da Comissão Europeia foi duramente criticado nas colunas de opinião em Portugal, acusado de ter comprometido o projecto europeu e privilegiado os interesses dos grandes países. O novo presidente da comissão, Jean-Claude Juncker, conservador luxemburguês e profissional do aparelho comunitário, tem tido excelente imprensa e dizem que estará muito atento aos interesses nacionais e até, de alguma forma, preocupado connosco.
Alguns parecem acreditar que Barroso era mais nocivo para Portugal do que Juncker. Li textos de pessoas satisfeitas por Durão se ir embora e com esperança no bom trabalho do novo presidente. Nenhum desses autores explica como é que Portugal pode ter ganho influência. Os analistas parecem ter esquecido as negociações dos pacotes de subsídios europeus ou a forma como, nos tempos da troika, a comissão fazia sempre de polícia bom. Durante os dois mandatos de Barroso, os pequenos países viram diminuir a sua influência relativa, é um facto, mas isso não nos diz nada sobre o ex-presidente da comissão, embora seja sinal das mudanças que esta crise provocou na UE e, sobretudo, na zona euro.
A força económica da Alemanha, o desenvolvimento da união bancária e o rigor do Tratado Orçamental alteraram profundamente o equilíbrio de poder, retirando influência ao árbitro do sistema e privilegiando as equipas mais fortes. Embora de forma relutante, a Alemanha é agora a grande potência europeia e, quando se trata de dinheiro e cheques, como aconteceu durante toda a crise, os governos resolvem directamente o assunto, sem intermediários e sem ouvirem os países que não pagam as contas. No jargão comunitário, isto implica a supremacia do método intergovernamental sobre o método comunitário.
A desvalorização da comissão não é culpa da própria e, no entanto, há entre nós quem aposte na conversa de paróquia. Imaginam comentadores espanhóis todos contentes porque um luxemburguês substituiu um espanhol numa instituição europeia? Eu não consigo imaginar, sabendo que os espanhóis, neste campeonato, nunca foram anjinhos.

A Comissão de Barroso fez de polícia bom da troika e ninguém deu por isso. Se calhar foi porque não aconteceu.
Barroso foi à comissão fazer de criado fiel de quem o nomeou. Não foi nomeado pelos portugueses, foi coerente nisso. No resto nem por isso.
Se calhar, andou distraído e não deu por nada, mas isto agora vai melhorar, com o senhor Juncker. Aliás, o comissário finlandês já disse que ou cortamos mais na despesa ou aumentamos os impostos.
O facto de ir melhorar ou piorar não diz nada sobre quem lá estava antes.
A comissão europeia, como nota no seu post, está a tornar-se irrelevante. Não foi evidentemente por culpa exclusiva de Durão Barroso, mas daí a inferir que ele fez um bom trabalho enquanto lá esteve, vai um passo muito grande. Não sei se sou só eu mas não me lembro de nenhuma posição deste senhor que não fosse ser o criado dos fortes.
Há dúzias de declarações de Barroso (na UE escolheu não ser Durão) a ameaçar o TC e a exigir medidas concretas que competem ao governo português (apesar de já ter fugido há muito do governo português). Isto só é ter um presidente amigo se considerarmos que devemos ser governados por paus mandados.
Para já não falarmos em alguém que fez tudo para provocar a entrada de Portugal na guerra do Iraque e que quando chegou à Comissão passou a opor-se a essa guerra. Ou de nunca se ter dado ao trabalho de explicar porque mentiu acerca da existência de documentos relativos às armas de destruição maciça.
“A desvalorização da comissão não é culpa da própria.”
A culpa também já começa a morrer solteira lá pelas bélgicas? Eis um sinal da moléstia que Durão levou daqui para Bruxelas. Quando Portugal precisa de adqurir hábitos protestantes de ética de trabalho, afinal somos nós que andamos a inçar as instituições europeias com o nosso costumeiro fatalismo de “tem que ser” e “é a vida.” Finalmente seremos todos iguais, uma cultura pan-europeia de incompetência, inércia, chuta-para-o-cantismo, comissões que não apuram nada e desresponsabilização dos governantes; e Portugal está na crista dessa mudança de paradigma! Finalmente lideramos em alguma!
Pobre Europa…
Ainda que não partilhe do entusiasmo e optimismo do Luís Naves, espero estar errado e que as coisas realmente comecem a melhorar com o novo presidente. Porém, não deixa de ser suspeito começarmos a ouvir dizer que a austeridade afinal foi errada e precisamos de investir no crescimento e no apoio social, QUANDO a economia alemã começa a sofrer as consequências dessa austeridade que impôs sobre o continente, abrandando-lhe o crescimento. Ou seja, fez-se a austeridade porque a Alemanha quis, e agora pelos vai-se desfazê-la porque ela precisa disso; continuamos, portanto, a seguir os ditames alemães.
Já Saramago preconizava nos anos 90, nos seus cadernos e em crónicas da Visão, assim como Óscar Lopes e António José Saraiva, em correspondência, que a UE (CEE no tempo deles) ainda seria governada pelo governo alemão. O tempo só lhes veio dar razão.
Enquanto nação estamos patologicamente viciados no sebastianismo e no infantilismo, e acreditamos que a esperança é um sólido projecto político.
Paralelamente, começámos a desenvolver tiques em torno de pseudo-tecnocracias que nos desviaram do saber de Pascal (Pensamentos e Opúsculos): “É bem mais belo saber alguma coisa de tudo do que saber tudo de uma coisa; essa universalidade é a mais bela”.
Escolhi esta afirmação na medida em que a globalização que tanto se apregoa não produz em si mesma as realidades universais, ao contrário, busca impor universalmente uma e só uma realidade.
Em certa medida a discussão em torno da matéria deste post assemelha-se bastante às questões teológicas sobre a presença de Deus na Criação.
Uns afirmam Sua presença no todo, e acreditam tão piamente nisto que são incapazes de compreender que a oração não tem cabimento num deus que ora a si mesmo. E é neste panteísmo que hoje as sociedades se movimentam. Isto é, ao entender-se que Deus é tudo e tudo está em Deus faz com que nós não tenhamos nada a dizer. São eles, ou ele, os governadores da natureza e os autores de sua modificação.
Significa isto que o diálogo entre a natureza e o Homem perde um dos seus mais valiosos guias e interprete.
Por outro lado, há os que acreditam, como acreditava o grande Jean Guitton, que Deus está em todo o lado mas que ele não é tudo: Deus está, mas Deus deixa o Homem fazer.
Trouxe-vos hoje esta pequena provocação para ver se conseguimos reflectir em conjunto as causas desta tão grande depressão.
Quando Durão Barroso, sabe-se lá porquê, foi convidado para presidente da Comissão Europeia, caíu o Carmo e a Trindade: como é que era possivel “um gajo da direita” ocupar um dos cinco ou seis empregos publicos mais cobiçados do mundo? mais a mais depois de o maior astro socialista da paróquia, que se gabava de abrir as portas dos gabinetes dos ministros de vários paises da Europa sem pedir licença, não ter conseguido ser eleito presidente o Parlamento Europeu, sendo mesmo derrotado por uma obscura dona de casa de quem nunca mais de ouviu falar.
Dez anos depois, apenas a esquizofrénica opinião publica e publicada da “Lesboa bempensante” fazem um balanço negativo do desempenho do “nosso” Zé Manel em Bruxelas, e ouvi mesmo um pateta chamado Marques Lopes dizer na SIC que como português se sentia envergonhado!
Durão Barroso fez o que pôde em Bruxelas numa época nada fácil para a Europa, e acredito que se o presidente da Comissão Europeia não fosse português, talvez o PAEF tivesse sido muito mais violento.
O resto, é apenas a inveja lusa no seu melhor.
Quando Durão Barroso foi convidado para presidente da Comissão Europeia, custou a compreender como é que a mesma pessoa que mal chegou ao governo disse que o país estava de tanga , se pões a andar a meio do mandato para que foi eleito. Pensou muita gente que era uma maneira muito ligeira de considerar as funções de 1º ministro. Talvez fosse porque para a Comissão foi o José Manuel Barroso e do governo tenha fugido o Durão Barroso.
O Zé Manel Barroso fez o que pode em Bruxelas, pena que não soubesse (ou pudesse) fazer nada de útil.
Se não podia fazer nada de útil podia ter regressado mais cedo que não se perdia nada.
Se o país não estava de tanga então devia estar a nadar em dinheiro, a chatice foi o pântano.
Não sabia que a Comissão Europeia é uma espécie de governo da Venezuela, onde o chefe é que manda em tudo. Tá bem…
Três notas: aquilo do Nóbel da Paz se calhar foi por influência do Bush;
nunca votei no Durão Barroso, nem para lider do PSD, nem para 1º ministro e muito menos para presidente da Comissão Europeia;
pagava para ver qualquer politico português que embora sendo 1º ministro, recusasse a presidência da Comissão Europeia.
Parece-me razoável que a UE se tenha vindo a construir a medida que os representantes se vão formando na prática(e assim foi com o aumento da intervenção do PE). Para que haja democracia teremos que no CE cada voto valha uma percentagem proporcional aos habitantes que represantam.
Mas acompanhar a isso a feira de vaidades merece ser denunciada pelos jornalistas e comentadores que as acompanham, que como se via existia entre o presidente da comissão e do concelho. Querer que o voto da Croacia valha o mesmo que da Espanha é brincar ao faz de conta “democrata”.
ele até há quem tudo admita, como parece ser o caso do postador, que até um político sendo primeiro-ministro revele aos seus compatriotas que existem armas de destruição maciça que não existem, e que nunca, mas nunca, tenha pedido desculpas por os ter enganado, por se ter enganado ou o terem enganado, e nunca, mas nunca, tenha exigido a quem o enganou a também pedir desculpas.
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Interior.a spx?content_id=812143
Durão Barroso, não foi mau, foi péssimo. Foi nomeado porque já sabiam que iria ser um pau mandado de tudo e de todos, pois para mais não tem capacidade e a prova está à vista. O mau é não ser responsabilizado, ele, Aznar, Bush, e Tony, pelo estrago fizeram e que dificilmente tem cura. O seu sucessor, é mais do mesmo, com uns leves retoques aqui e ali, mas que na prática vai estar ao serviço dos mesmos………