O sexo e a idade


fiodeprumo,

Sexo depois dos 50.jpeg

O Supremo Tribunal Administrativo reduziu o valor da indemnização que a Maternidade Alfredo da Costa terá de pagar a uma mulher que ficou impedida de voltar a ter relações sexuais com normalidade depois de ali ter sido operada há já 19 anos. Um dos argumentos invocados pelos juízes, com idades entre os 56 e os 64 anos, foi o de que a doente “já tinha 50 anos e dois filhos”, isto é, “uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança”. 

Abstenho-me das considerações clínicas que negam esta realidade. Vou directa ao que estava em discussão : a perda de um direito de personalidade. E relativamente a estes – nos quais a sexualidade se integra – nenhuma destas considerações tem qualquer relevância. 
A idade da lesada e a referência ao facto de ser mãe de dois filhos poderiam ser importantes se o que estivesse em causa fosse uma indemnização por perda da capacidade de reprodução. Não era manifestamente o caso. Nem tão pouco faz qualquer sentido, no século XXI, associar a maternidade à sexualidade. 
Curiosamente um dos magistrados pertence ao sexo feminino e, confesso, não sei o que terá sentido ao ver este retrato. Quanto aos homens e a atendendo às suas idades, sinto um calafrio só de pensar no que esta “avaliação” poderá dizer das suas próprias vidas…

11 comentários em “O sexo e a idade”

  1. Falar de sexo é sempre muito interessante, e não menos interessante são as actividades lúdicas em torno desta realidade.
    Não, não quero aqui deixar uma manual do tipo kamasutra nem tampouco falar sobre hipotéticos objectivos poedoiros através deste mecanismo biológico.

    Em tempos não muito distantes, escutei Sua Excelência o Presidente da República referir que os excelentíssimos reverendíssimos e meritíssimos juízes deviam ver seu salário aumentando. Entendia, e ainda deve entender, Sua Excelência que os excelentíssimos devem ver sua dignidade reflectida no quadro salarial. Muito bem, muiiiito beeeem.

    Todavia, a partir deste discurso, questiono-me frequentemente se um qualquer pedreiro, carpinteiro, pintor, engenheiro, arquitecto, vendedor (coloquem o a no final de cada profissão para que não seja acusado de sexista) e reformado disto tudo e de mais alguma coisita… não possuirá a mesma dignidade para que seu salário possa reflectir tal medida e paridade.

    Aqui chegado, ao dar com este texto da Helena, posso depreender que sob o ponto de vista da análise psico-sexual do grupo – qualquer que seja o grupo – quando mais se vê reduzida esta actividade talvez se possa dar mais importância ao valor da dignidade. Será que andamos com demasiado tempo para pensar e sublimar nossa própria condição? Cada um fale por si.

  2. Pelo que foi noticiado, a senhora passou a sofrer de incontinência urinária e fecal, o que me parece (parece-me, repito) uma desgraça tão incomodativa e limitadora de uma vida normal que se falar apenas nas questões sexuais me parece (me parece, repito) um tanto estrambólico.

    1. Atarantado
      Mas será que sexo não é uma das areas mais importantes da nossa vida?
      Por mais estrombólico que lhe pareça, só falei de sexo neste caso, porque ele é um dos temas que fundamenta a decisão tomada pelo DSA.

      1. Referia-me a apenas se falar das questões sexuais sempre que se tem abordado este caso nos media (e, possivelmente, na decisão judicial), e não ao post em particular.

        Quem sofrer das incontinências que referi terá, julgo eu, uma qualidade de vida limitadíssima, limitação essa que ultrapassará francamente as questões sexuais.

  3. Eu, mais que um calafrio pelo que esta avaliação dirá sobre as suas próprias vidas, sinto um calafrio pela forma como a aplicam às vidas dos outros.

  4. Um post tipicamente feminista por isso sexista. Quem diz que os dois homens pensam o mesmo e a mulher pensa diferente?

    Quanto ao caso em questão é a típica moral politicamente correcta em que não há valores fundamentais.

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