«Procurarei ser breve, pois hoje estou num grande desassossego. Acabei de ver uma grávida. Quando isto acontece entro de imediato em desejos. Hoje tá-me a dar para o arroz doce.
É inconcebível que num momento de tão grande crise depois de tanto se beber lá pelo caos do Sodré, ou por outros caos a montante ou a jusante, alguém tenha o despudor de desperdiçar o consumo que tanto custou a executar, em particular nessa última hora que representa os tais 50% da economia, urinando, e fazendo alarde disso, o tão precioso conteúdo.
Mais. Não basta só referir o desperdício. É necessário mostrar a minha indignação pelos graves problemas de segurança e saneamento que estes actos colocam à cidade de Lisboa. Sabem estes mijões que o Presidente da Câmara de Lisboa não tem solução para as cheias, e com estas atitudes agravam ainda mais esta situação. Admito que isto seja uma estratégia de adeptos da oposição para tentar descredibilizar ainda mais o actual Presidente do Município, fruto das sondagens que o apontam com uma maioria quase absoluta. Mas, por amor de Deus!, a luta política não pode centrar-se nos inadequados lençóis freáticos.
E acreditando na aposta educacional, proponho que se identifiquem todos os personagens que mijam fora do penico e que se lhes vede o acesso aos doutoramentos honoris causa.
Dito isto, vou agora em busca do arrozito doce para ver se m’aquieto.»
Do nosso leitor Vento. A propósito deste texto do Luís Naves.
