Em poucas palavras


Sérgio de Almeida Correia,

“O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de  ignorância. Ou seja, nada de original.“- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

12 comentários em “Em poucas palavras”

    1. Não creio que o facto de se não dispor de soluções desqualifique necessariamente uma pessoa para apontar os males que identifique. E eles, no caso em apreço, entram-nos pelos olhos dentro.

      Caberá a quem se afirma conhecedor das causas e das soluções – e como tal se apresenta, com frequência e messianicamente, ao alegado soberano (o povo) – apontar fundamentadamente (uma trabalheira entediante, sem dúvida) os caminhos a seguir.

      Ora quem lá está segue cegamente o dogma ruinoso a que se entregou. E quem muito provavelmente para lá irá diz que é tudo muito complexo para soluções de rápida e linear apresentação. E já agora diz, quanto ao saque fiscal que por agora diaboliza, que se não tenham ilusões. Ilusões que só um impenitente ingénuo, depois do que por essa gente foi feito reiterada e impunemente no passado recente, teria. E parece que há por cá muita, muita gente que as tem.

      Estamos então conversados quanto ao que nos espera após a próxima manifestação de soberania. Seja ela qual for.

      Voltando à sua fina ironia, não preciso de ser mecânico para perceber que o meu carro tem uma avaria, como não preciso de ser médico para sentir uma forte dor e perceber que não é normal senti-la. Como – e este país é dessa superior forma de charlatanice um expoente – não é preciso saber jogar futebol (ou isso ou treinar ou “dirigir”, julgo perceber) para se alcançar vasta fama, e é de crer proporcional benefício, de guru a comentar a coisa.

      Por mim prefiro um grilinho falante (contemporaneamente, parece, um Velho do Restelo; na acepção dele tão errada que por cá se firmou) à multidão de articulistas de panegírico e panaceia gerados por imensos cursos, MBAs modernaços e coisas afins – carreiras partidárias incluídas -, que nos martelam a cabeça dia após dia. VPV tem efectiva bagagem histórica (ela repete-se, é uma chatice…) e cultural, e estima especialmente o culto da sua língua materna. Não são, face ao que se ouve e lê por aí, qualidades menores.

      Costa

      1. Eu não preciso que o Pulido Valente arranje soluções; tendo em conta a pessoa que é, não poderiam ser grande coisa. O que não suporto nestas crónicas, que ele anda a escrever vai para 40 anos com o mesmo tom, é que ele pensa que está a dizer algo de novo e fulminante quando na verdade, saindo a sua coluna no final da semana, está apenas a repetir o que já foi pensado por toda a gente nos últimos 7 dias; quando muito é o atrasado eco de um sentimento nacional. Estranhamente, e esta é a parte que me faz espécie, ele consegue dizer com tanta autoridade aquilo que bêbados discutiram na sexta-feira no botequim da esquina, que ao Domingo toda a gente pensa que está a lê-lo pela primeira vez, como se tivessem sofrido um ataque de amnésia súbito, e tecem-lhe loas por um qualquer génio muito sobrevalorizado.

        Mas o facto é que tudo isto aqui citado já eu ouvi dos tais bêbados.

        1. “Mas o facto é que tudo isto aqui citado já eu ouvi dos tais bêbados.”

          Que ambientes frequenta você…

          Costa

  1. …” O governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que deixou”…

    Passados meses teremos de novo a troika…
    Então:
    Virá o governo de Vasco Pulido Valente…
    Uma hora depois dele ser corrido… Virá o da Constância C. e Sá …
    E
    Por aí adiante, até ao ultimo comentador .

  2. A troika, não os forçou a fazerem o que fizeram porque eles foram além da Troika pois, Passos Coelho assim o quis e assim o disse. Não cumpriram, nem ninguém o cumprirá porque um país sem dinheiro e sem outros recursos não pode pagar nada. O governo, de Passos Coelho, tem vendido tudo que é vendável, a preços irrisórios e em vez de pagar a dívida aumentou-a. Com tudo isto, Portugal, ficou desprovido de qualquer bem a que possa recorrer em tempos de crise. Se a isto chamamos governo, como chamaremos um governo que na realidade governa e zela pelo bem estar dos seus cidadãos que é para isso que são eleitos?……….

  3. Não percebo o que é aumentar a riqueza do estado com “inteligência e perícia”
    será inflação: aumentos de 10% no ordenado e 40% no custo de vida?

    Mas…
    Passos Coelho que é o maior Socialista de Português. Socializa mais despesa.
    Cumpre a Constituição que diz que caminhamos para o Socialismo.

  4. Caro De João

    Que mal lhe pergunte:

    Se o país não tem recursos e nada que valha para vender, como propõe salvar a Nação?

    1. Não tem e sabe que não tem, pois tudo venderam e vendem, mas só o que dá lucro, e o que não dá lucro fica… somos espertos, mas que esperteza!!!….. Como pode salvar a nação? Como salvámos a Alemanha que destruiu tudo por onde passou? Só assim poderemos salvar-nos, de quem nos levou a este estado. Já agora, vai dizer-me que têm de ser os contribuintes com o seu suor que têm de pagar a dívida, nem que seja em campos de concentração a trabalhar, para pagar as loucuras de governantes. Dignidade, exige-se de quem nos governa!….

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